A Colgate-Palmolive Brasil decidiu suspender definitivamente a fabricação do creme dental Colgate Total Prevenção Ativa Clean Mint, após uma escalada de notificações de consumidores relatando efeitos adversos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A medida, segundo a companhia, visa preservar a segurança dos consumidores e reforça seu compromisso com a qualidade e a saúde pública.
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Crescimento exponencial de queixas alarma autoridades sanitárias

Aumento significativo de relatos em poucos meses
Em janeiro de 2025, apenas 13 pessoas haviam relatado efeitos colaterais ao usar a nova versão do creme dental da Colgate. Contudo, até o fim de maio, esse número saltou para mais de 1.200 registros formais junto à Anvisa. Entre os principais sintomas relatados estão:
- Ardência bucal
- Inchaço nos lábios e gengivas
- Aftas e lesões internas
- Irritação que compromete a fala e alimentação
Essas queixas fizeram com que a Anvisa proibisse a comercialização do produto no país no dia 27 de março de 2025. A Colgate chegou a recorrer e, por decisão judicial, o produto voltou temporariamente às prateleiras em 30 de março. Contudo, com a elevação no número de relatos, a agência sanitária retomou a suspensão da venda no final de abril, decisão que segue vigente.
A fórmula em questão: o que mudou?
O produto afetado é o Colgate Total Prevenção Ativa na versão Clean Mint, uma atualização da linha Colgate Total 12. A principal mudança ocorreu em julho de 2024, quando a empresa trocou o ingrediente ativo fluoreto de sódio pelo fluoreto de estanho. Além disso, foram incluídos:
- Aromatizantes com base em óleos essenciais
- Novos corantes
- Aditivos para intensificar o sabor
Embora a alteração na composição tenha buscado inovação e frescor, especialistas afirmam que óleos essenciais têm conhecido potencial alergênico, o que pode explicar parte dos sintomas relatados.
O que diz a Colgate-Palmolive?
Empresa alega responsabilidade e reforça medidas
Em nota oficial, a Colgate-Palmolive afirmou que a decisão de suspender a produção do Clean Mint foi tomada de forma voluntária e em alinhamento com as diretrizes da Anvisa. A companhia garantiu que está colaborando com as investigações e que iniciou uma auditoria interna nos processos de formulação, controle de qualidade e distribuição.
“Estamos comprometidos com a saúde e segurança dos nossos consumidores e seguimos os mais altos padrões de qualidade em todos os nossos produtos”, declarou a empresa.
Além disso, a empresa orienta os consumidores que tenham adquirido o produto a interromper o uso e procurar orientação médica em caso de qualquer reação adversa. Os canais de atendimento ao consumidor também foram reforçados.
Investigação em andamento: o que a Anvisa quer saber?

Agência apura causas com rigor técnico
A Anvisa determinou uma investigação técnica aprofundada para apurar as possíveis causas das reações. O foco está em três elementos:
- Mudança no agente ativo (do fluoreto de sódio para o fluoreto de estanho)
- Aromatizantes naturais, especialmente os à base de óleos essenciais
- Corantes e aditivos saborizantes, que também podem desencadear hipersensibilidades
Até o momento, não há uma conclusão definitiva sobre qual ou quais substâncias estão diretamente ligadas aos efeitos adversos. A agência trabalha com diferentes hipóteses e não descarta a combinação de fatores.
O impacto para o mercado e para os consumidores
Confiança abalada e consumidores cautelosos
A suspensão da fabricação e venda do Clean Mint representa um abalo na confiança de muitos consumidores que, por anos, utilizaram a marca como referência em saúde bucal. Especialistas em direito do consumidor destacam que os afetados podem ter direito à indenização, desde que comprovada a relação direta entre o uso do produto e os sintomas.
Advogados também orientam que todos os casos sejam notificados formalmente à Anvisa e, se possível, acompanhados de laudos médicos.
Como evitar reações em produtos de higiene?
Dermatologistas e dentistas recomendam que consumidores fiquem atentos a qualquer mudança de cor, sabor ou sensação ao usar produtos de higiene bucal. Em caso de ardência, inchaço ou aftas após o uso de novas versões de cremes dentais, a recomendação é suspender imediatamente o uso e procurar um profissional da saúde.
Além disso, consumidores devem:
- Ler os rótulos com atenção
- Evitar produtos com alta concentração de óleos essenciais se já tiverem histórico alérgico
- Priorizar produtos com ingredientes testados dermatologicamente
E agora? Próximos passos da Colgate e da Anvisa
Monitoramento contínuo e expectativa por nova fórmula
A Colgate ainda não anunciou se pretende reformular o Clean Mint ou substituí-lo por uma nova versão. Por ora, a linha Total Prevenção Ativa permanece sem a variante Clean Mint, e a empresa segue com os demais produtos disponíveis normalmente no mercado.
A Anvisa, por sua vez, mantém a proibição de venda do Clean Mint no Brasil e acompanha de perto o caso, que pode se tornar um dos maiores episódios de recall de cosméticos da história recente no país.
Conclusão
A decisão da Colgate de suspender a fabricação do Clean Mint representa um marco importante na relação entre indústria e consumidor no setor de higiene pessoal. O caso evidencia a importância de monitoramento contínuo, transparência e responsabilidade das empresas diante de qualquer risco à saúde da população. A investigação da Anvisa será fundamental para entender os erros e evitar que situações semelhantes se repitam.
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com


