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Como as mudanças no comércio global beneficiam as commodities apesar dos riscos

Exportadores latino-americanos resistem às tensões globais com foco em commodities e vantagens competitivas

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
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Em um cenário global marcado por incertezas geopolíticas, desaceleração econômica da China e aumento de tarifas comerciais, os países latino-americanos têm demonstrado uma resiliência notável, especialmente no setor de commodities.

Um relatório recente da Moody’s destaca como a América Latina, com destaque para Brasil, Chile e Peru, consegue enfrentar os impactos negativos do comércio internacional, preservando margens e oportunidades graças a uma combinação de vantagens estruturais e diversificação econômica.

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Diversificação brasileira minimiza riscos

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Imagem: Freepik

Entre os países analisados, o Brasil aparece como o menos vulnerável às oscilações do comércio global. Isso se deve a três fatores principais: a diversidade na carteira de exportações, o forte consumo doméstico e vantagens competitivas em setores como minério de ferro, celulose e proteína animal.

Enquanto outras economias da região são altamente dependentes de determinados mercados ou produtos — como a mineração de cobre no Chile e Peru —, o Brasil distribui melhor sua dependência, com produtos que variam da soja ao aço, e acesso a múltiplos destinos comerciais. Mesmo com a desaceleração da demanda chinesa, que afeta fortemente os preços das commodities, a economia brasileira encontra amortecedores internos para mitigar os efeitos adversos.

Tensões comerciais atingem economias desigualmente

A guerra tarifária entre China e EUA e a realocação de cadeias de suprimentos vêm impactando de forma desigual os países da América Latina. O México, por exemplo, sofre mais por sua dependência de produtos manufaturados, como automóveis e equipamentos, cujo destino primário são os Estados Unidos. Com tarifas elevadas e redução na demanda, as exportações mexicanas enfrentam maiores obstáculos.

Já países como o Chile, Peru e Colômbia, mais centrados em commodities, têm sofrido com os preços mais baixos impulsionados pela retração chinesa, mas ainda contam com custos de produção mais baixos e reservas abundantes para sustentar a competitividade.

Commodities seguem como motor da América Latina

Produtos como petróleo, cobre, celulose e proteína animal continuam a sustentar as economias da região. O Chile e o Peru, por exemplo, possuem grandes reservas minerais, especialmente de cobre, com baixo custo de extração. Esse fator garante certo fôlego mesmo diante da queda nos preços internacionais.

O Brasil, por sua vez, além de líder mundial em minério de ferro de alta qualidade, se destaca pela eficiência energética, graças ao uso intensivo de fontes renováveis, como a energia hidrelétrica, e por ser um dos maiores exportadores de celulose de fibra curta e longa do mundo.

Riscos persistem, mas há amortecedores

Apesar dos pontos positivos, o ambiente global continua desafiador. As tarifas impostas pelos Estados Unidos reduzem as margens de produtos industrializados da região, como o aço e os produtos químicos. Ao mesmo tempo, a China tem redirecionado excedentes de manufaturados para outras partes do mundo, inclusive a América Latina, aumentando a concorrência local.

Ainda assim, produtores latino-americanos mantêm vantagens estruturais que os ajudam a preservar parte da rentabilidade. A qualidade dos recursos naturais, a experiência logística e a estrutura produtiva consolidada funcionam como pilares de sustentação.

O peso da China nas exportações regionais

A exposição à economia chinesa continua sendo uma variável importante. Países como Peru e Chile, cuja principal atividade exportadora é a mineração — setor altamente dependente da demanda chinesa —, estão mais expostos aos efeitos da desaceleração da segunda maior economia do mundo.

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Já o Brasil, com um leque mais amplo de parceiros e produtos, possui maior capacidade de adaptação. A soja, o minério de ferro e as carnes continuam entre os principais itens embarcados para a China, mas o país também desenvolveu mercados alternativos na Ásia, Oriente Médio e Europa.

A demanda estável por proteína animal favorece o Brasil

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Imagem: Freepik

Entre as commodities com melhor desempenho no cenário atual, destaca-se a proteína animal. A demanda global por alimentos tende a se manter mais estável, mesmo em períodos de retração econômica. O Brasil, com sua vasta capacidade produtiva, bons índices sanitários e logística competitiva, continua atraindo compradores de diversos mercados, reduzindo a dependência exclusiva da China.

Ainda assim, a Moody’s alerta que os riscos de crédito variam conforme a empresa, dependendo de fatores como grau de exposição ao mercado chinês, estrutura de custos e variedade no mix de produtos exportados.

Futuro do comércio regional será moldado por política internacional

O relatório também aponta que o futuro do comércio latino-americano dependerá da evolução das políticas comerciais globais. Questões como a duração das tarifas impostas pelos EUA, o andamento das negociações comerciais multilaterais e a resposta da China à desaceleração econômica terão papel decisivo na redefinição de estratégias para os exportadores da região.

Em um contexto de constantes mudanças, os países que conseguirem combinar eficiência produtiva com diversificação de mercados estarão mais bem preparados para enfrentar os desafios do comércio global.

Com informações de: Moody’s – credit ratings, research, and data for global capital markets

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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