O Banco Central anunciou na terça-feira (30) uma importante atualização no sistema do Pix: a ativação de um novo botão de contestação que poderá ser utilizado em casos de golpe, fraude ou coerção. A ferramenta representa um avanço significativo no combate às transações indevidas via Pix, modalidade de pagamento que, apesar da praticidade, tornou-se alvo frequente de criminosos.
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Pix Parcelado corre risco de atraso, alerta Banco Central

O que é o botão de contestação do Pix?
O recurso faz parte do chamado autoatendimento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central para facilitar a devolução de recursos em transações fraudulentas. Agora, os usuários terão um ícone no aplicativo do banco que permite solicitar, de forma digital e sem necessidade de falar com atendentes, a contestação imediata de uma transferência que envolva fraude, golpe ou coerção.
Em que situações o botão pode ser usado?
De acordo com o Banco Central, o botão é válido somente para situações de fraude, como:
- Golpes do falso motoboy
- Sequestro-relâmpago
- Engenharia social (falsos funcionários de banco)
- Invasões digitais e roubo de credenciais
- Coação para transferências durante crimes
Importante:
O botão não pode ser utilizado em casos de erro do próprio usuário, como transferências para a chave errada ou arrependimento de uma transação. Nesses casos, ainda é necessário negociar diretamente com o recebedor.
Como funciona o botão de contestação no Pix?
Etapas do processo
- Início da contestação:
O usuário acessa o aplicativo do banco onde realizou o Pix e clica no botão de contestação dentro da área do Pix. - Requisição automática ao banco recebedor:
A solicitação é enviada instantaneamente ao banco do recebedor (suposto golpista), que tem a obrigação de bloquear os recursos imediatamente, caso ainda estejam disponíveis. - Análise pelas instituições financeiras:
Tanto o banco do pagador quanto o banco do recebedor terão até 7 dias para analisar a solicitação. - Prazo máximo para devolução:
Se confirmada a fraude, o dinheiro poderá ser devolvido ao usuário lesado em até 11 dias após a abertura do pedido.
Vantagem em relação ao sistema anterior
Antes, a devolução pelo MED só podia ser solicitada pela própria instituição bancária onde o cliente tinha conta. Isso exigia contato com o SAC ou ouvidoria, o que atrasava o processo e reduzia a chance de recuperação dos valores, já que os golpistas rapidamente esvaziam as contas usadas nos golpes.
Com o novo botão, a solicitação se torna mais ágil e automatizada, aumentando a probabilidade de reaver os valores bloqueando os fundos a tempo.
Quais os golpes mais comuns com Pix?

Desde o lançamento do Pix em 2020, a popularização da ferramenta também atraiu criminosos. A seguir, veja os principais tipos de golpe envolvendo o sistema:
Golpe do falso funcionário do banco
- O criminoso liga fingindo ser de uma instituição financeira e alerta sobre supostas movimentações suspeitas.
- Em seguida, pede que o cliente realize transferências “teste”, que na verdade são reais.
- Em alguns casos, envia um falso motoboy para pegar o cartão físico e realizar transações indevidas.
Sequestro-relâmpago com Pix
- Vítimas são abordadas e levadas sob ameaça até locais isolados.
- Com acesso ao celular, os criminosos obrigam a fazer transferências via Pix, muitas vezes de forma fracionada.
Golpe da falsa central de atendimento
- Sites ou e-mails falsos direcionam para canais fraudulentos.
- A vítima acredita estar falando com o atendimento oficial e fornece senhas ou realiza transferências sob instrução do golpista.
Clonagem de WhatsApp
- O golpista se passa por alguém próximo à vítima e pede transferência urgente.
- A urgência e a confiança pessoal levam a vítima a não desconfiar do golpe.
Engenharia social em aplicativos de namoro ou redes sociais
- Criminosos criam laços com as vítimas e inventam histórias com pedidos de ajuda financeira.
- As transferências são feitas via Pix e, muitas vezes, de forma voluntária, dificultando a recuperação judicial.
Como se proteger de fraudes com Pix
Use senhas fortes e autenticação em dois fatores
Nunca repita senhas entre aplicativos. Ative a autenticação em duas etapas para todas as plataformas, especialmente para e-mails e apps bancários.
Nunca forneça dados por telefone
Bancos nunca pedem senhas, tokens ou códigos por ligação. Se receber uma ligação suspeita, desligue e entre em contato diretamente com o banco.
Fique atento a sites e e-mails falsos
Evite clicar em links desconhecidos. Verifique se o site começa com “https://” e analise o endereço eletrônico com atenção.
Use o “modo restrito” ou “modo viagem” nos apps bancários
Alguns aplicativos oferecem funcionalidades de segurança extra que impedem transferências fora do local de origem ou durante certos horários.
Verifique sempre a chave Pix antes de confirmar
Confira os dados do destinatário antes de concluir uma transação. Golpistas usam nomes similares aos de empresas conhecidas para enganar o usuário.
Como acessar o botão de contestação no seu banco
Bancos que já implementaram a função
Segundo o BC, a funcionalidade já está sendo adotada de forma gradual por diversos bancos, como:
- Banco do Brasil
- Itaú
- Bradesco
- Caixa Econômica Federal
- Nubank
- Inter
- C6 Bank
O botão normalmente aparece na área do Pix, com nomes como “contestar transação”, “relatar golpe” ou “botão MED”, dependendo da instituição.
O que fazer caso seu banco ainda não disponibilize
Caso o botão não esteja disponível, ainda é possível solicitar a devolução pelo atendimento telefônico ou canais digitais do banco. No entanto, o processo pode ser mais lento.
O que acontece se os fundos já tiverem sido retirados?
Mesmo com a solicitação rápida, o sucesso da devolução depende da existência de saldo na conta do golpista. Se os valores já tiverem sido sacados ou transferidos, a devolução pode não ocorrer.
Por isso, o ideal é agir o mais rápido possível após identificar a fraude. O botão do MED aumenta a chance de bloqueio dos fundos antes que eles sumam do sistema.
O futuro do Pix e da segurança digital

A implementação do botão de contestação mostra que o Banco Central está atento à segurança dos usuários e disposto a adaptar o sistema. A expectativa é de que essa iniciativa:
- Aumente a confiança no uso do Pix
- Diminua os prejuízos causados por fraudes
- Incentive a adoção de boas práticas por parte dos bancos
Especialistas em segurança digital também alertam que a tecnologia sozinha não elimina os riscos. O comportamento do usuário continua sendo um fator fundamental para evitar prejuízos.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

