O mercado de consórcios brasileiro segue em expansão, registrando números históricos nos primeiros meses de 2025. Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), o país contabilizou 2,46 milhões de cotas vendidas apenas no primeiro semestre, configurando o maior volume semestral já registrado na história do setor. Este desempenho reforça a popularidade dos consórcios como uma alternativa de aquisição de bens e serviços para milhões de brasileiros.
Em 2024, o setor já havia quebrado recordes com mais de 4,17 milhões de cotas comercializadas ao longo do ano. Frente a esse cenário promissor, especialistas destacam que o consórcio tem se mostrado uma opção atrativa, especialmente diante da instabilidade econômica e das altas taxas de juros praticadas nos financiamentos tradicionais.
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“O consórcio é uma forma de compra colaborativa. Um grupo de pessoas se reúne para contribuir mensalmente com um valor, formando uma espécie de poupança coletiva”, explica a consultora Fernanda Casalini Pileri, da Unicred Porto Alegre. Todos os meses, um ou mais participantes são contemplados com a carta de crédito, documento que autoriza a aquisição do bem ou serviço previsto no consórcio.
Essa carta não representa dinheiro em espécie que pode ser utilizado para qualquer finalidade. Ela é vinculada a uma compra específica, seja imóvel, veículo ou serviço, conforme o tipo de consórcio contratado. Caso o consorciado decida não adquirir o bem ou serviço previsto, ele pode vender a carta de crédito para terceiros.
Quais bens e serviços podem ser adquiridos?
Os consórcios podem ser divididos basicamente em três categorias:
Imóveis: compra, construção ou reforma de imóveis residenciais, comerciais ou terrenos.
Veículos: aquisição de carros, motos, caminhões, jet ski, aeronaves, entre outros.
Serviços: incluem cirurgias plásticas, festas, viagens, educação, e outros.
Além dessas categorias, existem opções mais flexíveis, que permitem a utilização da carta de crédito para diferentes tipos de bens ou até mesmo para quitar financiamentos já existentes.
Para quem os consórcios são indicados?
Nayra Sombra, planejadora financeira CFP pela Planejar, afirma que “o consórcio tem ganhado destaque porque, em um cenário de juros altos, ele se apresenta como uma alternativa mais econômica e estratégica ao financiamento tradicional”. Isso ocorre porque o consórcio não cobra juros, o que reduz o custo total da aquisição.
Por outro lado, o processo de sorteio para contemplação gera incerteza quanto à data em que o consorciado poderá usar a carta de crédito. Por isso, especialistas recomendam essa modalidade para quem não tem urgência na compra do bem.
Fernanda Casalini Pileri ressalta: “Se você precisa do bem em uma data específica ou tem disciplina para guardar dinheiro, talvez seja mais adequado investir em aplicações financeiras seguras, que ofereçam rendimento e liquidez para a compra futura”.
Vantagens do consórcio
O consórcio apresenta diversos benefícios em relação a outras formas de aquisição:
Ausência de juros: diferente dos financiamentos, que incluem juros altos, o consórcio cobra apenas taxas administrativas fixas, normalmente entre 10% e 25% do valor do bem.
Sem entrada inicial: os consórcios não exigem pagamento antecipado de valores elevados, como é comum nos financiamentos, que podem requerer até 30% de entrada.
Disciplina financeira: para quem tem dificuldade em poupar, o pagamento mensal do consórcio impõe uma disciplina forçada para alcançar o objetivo.
Melhores condições de negociação: ao ser contemplado, o consorciado compra o bem à vista com a carta de crédito, conseguindo frequentemente preços mais vantajosos junto aos fornecedores.
Desvantagens e cuidados ao entrar em um consórcio
Apesar das vantagens, o consórcio não é para todos. Há pontos importantes que precisam ser considerados:
Incerteza sobre o momento da compra: a contemplação ocorre por sorteio, e mesmo a possibilidade de dar lances para tentar antecipar a aquisição não garante a posse imediata do bem.
Correção anual do valor do crédito: o saldo da carta é corrigido conforme índices econômicos, o que pode fazer com que o custo final seja maior para quem demora a ser contemplado, chegando a ultrapassar o valor de um financiamento em períodos de queda dos juros.
Comprometimento mensal obrigatório: o não pagamento das parcelas pode levar à perda do direito à carta de crédito e outros prejuízos financeiros para o consorciado.
O cenário atual dos consórcios e o futuro do mercado
Imagem: 89stocker/shutterstock.com
O recorde de vendas demonstra que os brasileiros enxergam o consórcio como uma alternativa viável para planejar a aquisição de bens duráveis e serviços, especialmente em períodos de incerteza econômica e juros elevados. Para quem busca evitar o peso dos juros dos financiamentos tradicionais, o consórcio pode ser um caminho interessante, desde que o perfil do comprador seja compatível com o prazo e o modelo de sorteio.
Especialistas também alertam para a importância de pesquisar bem antes de entrar em um consórcio. É fundamental analisar as taxas administrativas cobradas, a reputação da administradora, e as condições do contrato, para evitar surpresas ao longo do caminho.
Em síntese, o consórcio é um instrumento financeiro que alia planejamento, disciplina e colaboração, possibilitando a muitos brasileiros a realização de sonhos como a compra da casa própria, um carro novo, ou mesmo a realização de viagens e serviços essenciais.
Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.