Conta de luz mais alta: saiba quais aparelhos mais gastam energia
A inflação de junho reforça um velho conhecido no bolso do brasileiro: o aumento da conta de luz. Com a aplicação da bandeira tarifária vermelha patamar 1 — que adiciona R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos — o impacto no orçamento das famílias foi direto.
Segundo o IBGE, a energia elétrica residencial subiu 2,96% no mês, tornando-se o maior impacto individual no IPCA de junho.
A pressão do custo da energia elétrica não afeta apenas os números da inflação, mas exige atenção redobrada dos consumidores para evitar surpresas desagradáveis ao final do mês.
A seguir, entenda os motivos da alta e descubra quais são os cinco aparelhos que mais pesam na conta de luz e como usá-los de forma mais eficiente.
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Por que a energia elétrica está mais cara?

Desde 2015, o sistema de bandeiras tarifárias criado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) busca ajustar os preços cobrados conforme o custo da geração de energia.
Quando há escassez de chuvas e baixa produção nas hidrelétricas — como aconteceu nos últimos meses — é necessário acionar fontes mais caras, como as termelétricas. Isso leva à aplicação da bandeira vermelha, encarecendo a energia.
Em junho e julho de 2025, o Brasil vivenciou chuvas abaixo da média histórica, o que agravou a situação e levou ao retorno da bandeira vermelha. O cenário exige esforço por parte dos consumidores para racionalizar o consumo e, assim, aliviar os impactos financeiros.
Como reduzir o consumo de energia sem perder conforto?
Reduzir o consumo de eletricidade pode parecer difícil em um cenário de calor, trabalho remoto e uso intenso de eletrodomésticos. No entanto, pequenas mudanças de hábito e investimentos estratégicos podem fazer diferença significativa no final do mês.
A seguir, veja os cinco aparelhos que mais consomem energia elétrica em casa — e como economizar com cada um deles.
1. Ar-condicionado
Consumo estimado: Até 210 kWh/mês (modelo antigo, uso diário por 8h)
Por que gasta tanto?
O ar-condicionado precisa de muita energia para refrigerar o ambiente, especialmente em dias quentes. Modelos antigos e mal regulados consomem ainda mais.
Como economizar:
- Prefira modelos com tecnologia Inverter, que regulam melhor o funcionamento do compressor.
- Verifique o selo Procel, que indica eficiência energética.
- Mantenha os filtros limpos para melhorar o desempenho.
- Regule a temperatura entre 23°C e 25°C, faixa ideal entre conforto e economia.
- Evite deixar o aparelho ligado com janelas ou portas abertas.
2. Chuveiro elétrico
Consumo estimado: 90 kWh/mês (uso diário de 15 minutos)
Por que gasta tanto?
O chuveiro é um dos equipamentos que mais consomem energia por conta da necessidade de aquecer a água rapidamente.
Como economizar:
- Use na posição “verão” sempre que possível.
- Reduza o tempo de banho para menos de 10 minutos.
- Instale redutores de vazão ou chuveiros mais modernos e eficientes.
- Evite banhos em horários de pico (das 18h às 21h).
3. Geladeira
Consumo estimado: 56 kWh/mês (modelo convencional)
Por que gasta tanto?
A geladeira funciona 24 horas por dia, e qualquer ineficiência no sistema de refrigeração aumenta o gasto.
Como economizar:
- Evite abrir a porta constantemente.
- Nunca coloque alimentos quentes dentro da geladeira.
- Descongele o freezer com frequência, caso o modelo não seja frost free.
- Mantenha as borrachas de vedação em bom estado.
- Opte por modelos com selo Procel A de eficiência.
4. Máquina de lavar roupa
Consumo estimado: 30 kWh/mês (uso 3 vezes por semana)
Por que gasta tanto?
Algumas máquinas utilizam água aquecida ou realizam ciclos longos e intensos, aumentando o gasto de energia.
Como economizar:
- Acumule roupas e lave em quantidade maior por vez.
- Evite usar a função de água quente, que aumenta o consumo.
- Programe para lavagem econômica quando possível.
- Dê preferência a modelos front-load, mais eficientes e econômicos.
5. Cooktop e forno elétrico
Consumo estimado: 20 a 45 kWh/mês (uso moderado)
Por que gastam tanto?
Esses aparelhos demandam alta potência para gerar calor, o que pode elevar significativamente a conta.
Como economizar:
- Utilize panelas com fundo reto, que otimizam a condução do calor.
- Evite abrir o forno durante o preparo, pois isso dissipa o calor.
- Planeje refeições para cozinhar vários alimentos de uma vez.
- Opte por fornos menores e com selo de eficiência energética.
Outras dicas práticas para cortar gastos na conta de luz
Além de gerenciar o uso dos eletrodomésticos mais gastadores, veja outras estratégias eficazes para reduzir o valor da conta:
Aposte na iluminação LED
Substituir lâmpadas incandescentes ou fluorescentes por LEDs pode reduzir o consumo de iluminação em até 80%. Além disso, LEDs têm vida útil maior.
Tire aparelhos da tomada
Mesmo em stand-by, aparelhos como TVs, micro-ondas e carregadores continuam consumindo energia. O chamado “consumo vampiro” pode representar até 12% do total da conta de luz.
Use timers e sensores de presença
Esses dispositivos ajudam a desligar luzes ou aparelhos automaticamente quando não estão sendo usados.
Avalie o uso de energia solar
Quem mora em casas pode considerar a instalação de placas solares. Apesar do investimento inicial, a economia a médio e longo prazo compensa.
O impacto da conta de luz na inflação
O aumento no custo da energia elétrica tem reflexo direto na inflação. Em junho de 2025, segundo o IBGE, o IPCA teve alta de 0,24%, puxado principalmente pela energia residencial. No acumulado do ano, a alta na conta de luz chega a 6,93%, a maior desde 2018.
Com a energia mais cara, o efeito se espalha por toda a cadeia produtiva, encarecendo alimentos, transporte e bens de consumo, já que a maioria das indústrias também depende da eletricidade para operar.
Considerações finais
Diante da vigência da bandeira vermelha e da escalada no preço da energia, cada escolha dentro de casa pode fazer diferença no final do mês.
Reduzir o tempo no chuveiro, escolher bem os eletrodomésticos e adotar hábitos de consumo consciente são atitudes simples, mas de grande impacto. Além de ajudar o bolso, essas ações também contribuem para o uso mais sustentável dos recursos naturais.