Profissionais com carteira assinada, empregadores domésticos e contribuintes avulsos já começaram 2026 com mudanças no recolhimento previdenciário. A Previdência Social divulgou a nova tabela de contribuição ao INSS válida desde 1º de janeiro, com atualizações baseadas na inflação medida pelo INPC, que fechou 2025 em 3,90%. As alterações impactam desde empregados formais e domésticos até autônomos, facultativos e microempreendedores.
Desconto do INSS em 2026: veja como ficará o impacto direto no seu salário
Nova tabela do INSS atualiza faixas e alíquotas em 2026 para empregados, domésticos e autônomos; veja simulações e impacto nos salários.
Os novos valores começam a ser descontados nos salários pagos em fevereiro, referentes à competência de janeiro, como ocorre tradicionalmente no sistema de recolhimentos previdenciários.
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Reajuste segue inflação e altera faixas progressivas
A atualização das faixas acontece anualmente e segue o mesmo índice de correção aplicado às aposentadorias acima do salário mínimo. Em 2026, o salário mínimo subiu para R$ 1.621 e o teto do INSS atingiu R$ 8.475,55.
A tabela progressiva, aplicada desde a reforma da Previdência de 2019, permanece válida. Isso significa que as alíquotas incidem por faixas, e não sobre o salário total. A lógica é semelhante ao cálculo do Imposto de Renda, evitando que um aumento salarial leve à aplicação da alíquota cheia sobre toda a remuneração.
Nova tabela de descontos do INSS em 2026
A nova tabela para trabalhadores com carteira assinada, domésticos e avulsos ficou assim:
Salário-de-contribuição (R$) — Alíquota progressiva
- Até 1.621,00 — 7,50%
- De 1.621,01 até 2.902,84 — 9%
- De 2.902,85 até 4.354,27 — 12%
- De 4.354,28 até 8.475,55 — 14%
Essa estrutura busca maior progressividade, aplicando percentuais diferentes sobre trechos da remuneração, ou “fatias” do salário.
Como ficam os descontos para trabalhadores formais e domésticos
Para trabalhadores formais, empregados domésticos e avulsos, o recolhimento é retido diretamente na folha e recolhido pelo empregador. Segundo especialistas, a tabela deve ser novamente detalhada pelo INSS ao longo das próximas semanas, com os valores exatos de recolhimento por faixa.
A pedido da reportagem citada, o advogado Wagner da Silva e Souza simulou a contribuição ao longo dos próximos 12 meses com base no salário mínimo de R$ 1.621 e no teto atualizado. Veja o impacto no bolso para diferentes faixas de renda:
Salário de contribuição — Contribuição ao INSS
R$ 1.621,00 — R$ 121,58
R$ 2.000,00 — R$ 155,69
R$ 2.500,00 — R$ 200,69
R$ 3.000,00 — R$ 248,60
R$ 3.500,00 — R$ 308,60
R$ 4.000,00 — R$ 368,60
R$ 4.500,00 — R$ 431,51
R$ 5.000,00 — R$ 501,51
R$ 5.500,00 — R$ 571,51
R$ 6.000,00 — R$ 641,51
R$ 6.500,00 — R$ 711,51
R$ 7.000,00 — R$ 781,51
R$ 7.500,00 — R$ 851,51
R$ 8.000,00 — R$ 921,51
R$ 8.475,55 — R$ 988,09
Esse cálculo demonstra que o impacto do reajuste não é uniforme: quanto maior a renda, maior o valor recolhido, respeitando o teto previdenciário. A progressividade evita que quem ganha menos seja proporcionalmente mais afetado.
Autônomos têm duas opções de contribuição
Quem contribui como autônomo ou facultativo pode recolher o INSS de forma simplificada ou completa, respeitando critérios de alíquota e benefício futuro. A legislação específica prevê:
Contribuição simplificada (11%)
Autônomos que prestam serviço para pessoas físicas podem contribuir com 11% sobre o salário mínimo. Neste caso, o segurado tem direito apenas à aposentadoria por idade e limitada ao valor mínimo.
Confira os valores simulados para essa modalidade com alíquota de 11%:
Salário de contribuição — Valor (R$)
R$ 1.621 — R$ 178,31
R$ 2.000 — R$ 220
R$ 2.500 — R$ 275
R$ 3.000 — R$ 330
R$ 3.500 — R$ 385
R$ 4.000 — R$ 440
R$ 4.500 — R$ 495
R$ 5.000 — R$ 550
R$ 5.500 — R$ 605
R$ 6.000 — R$ 660
R$ 6.500 — R$ 715
R$ 7.000 — R$ 770
R$ 7.500 — R$ 825
R$ 8.000 — R$ 880
R$ 8.475,55 — R$ 932,31
Essa modalidade é considerada acessível, mas limita o tipo e o valor do benefício futuro.
Contribuição integral (20%)
Outra forma é o recolhimento com alíquota de 20%, calculado entre o mínimo e o teto previdenciário. Essa opção permite acesso integral aos benefícios, incluindo aposentadoria por contribuição e cálculo superior ao salário mínimo.
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Veja os valores simulados com alíquota de 20%:
Salário de contribuição — Valor (R$)
R$ 1.621 — R$ 324,20
R$ 2.000 — R$ 400
R$ 2.500 — R$ 500
R$ 3.000 — R$ 600
R$ 3.500 — R$ 700
R$ 4.000 — R$ 800
R$ 4.500 — R$ 900
R$ 5.000 — R$ 1.000
R$ 5.500 — R$ 1.100
R$ 6.000 — R$ 1.200
R$ 6.500 — R$ 1.300
R$ 7.000 — R$ 1.400
R$ 7.500 — R$ 1.500
R$ 8.000 — R$ 1.600
R$ 8.475,55 — R$ 1.695,11
A diferença entre as duas modalidades faz com que muitos autônomos avaliem o custo-benefício entre economia mensal e valor de aposentadoria futura.
MEI tem novo valor de contribuição
O Microempreendedor Individual (MEI), que conta com regime simplificado, também teve reajuste. A contribuição mínima passou para R$ 81,05 mensais, equivalente a 5% do salário mínimo — em 2025, o valor era de R$ 75,90.
Além do INSS, o MEI paga mensalmente ICMS (para quem atua com comércio e indústria) e/ou ISS (para quem presta serviços), tudo em uma guia única chamada DAS.
Benefícios garantidos ao MEI
O recolhimento mensal garante acesso a benefícios como:
- Aposentadoria por idade
- Aposentadoria por invalidez
- Auxílio-doença
- Salário-maternidade
- Auxílio-reclusão
- Pensão por morte
Para utilizá-los, é necessário estar em dia com os pagamentos e cumprir carências previstas por lei.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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