O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano em sua última reunião, realizada no início de novembro, marcando a terceira decisão consecutiva sem alteração nos juros básicos da economia. O destaque, porém, ficou por conta da incorporação de uma estimativa preliminar sobre os efeitos da nova ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR), aprovada pelo Congresso e prevista para entrar em vigor a partir de janeiro de 2026.
IR isento? Entenda como o Copom vai levar isso em conta na Selic
Copom mantém Selic em 15% e avalia efeitos da isenção do IR até R$ 5 mil na política monetária de 2026.
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O que diz a ata do Copom
Estimativa conservadora com alto grau de incerteza
Na ata divulgada nesta terça-feira (12), o colegiado reconhece que optou por já incluir em seu cenário uma estimativa conservadora dos impactos da ampliação da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais.
“O Comitê optou por já incorporar uma estimativa preliminar do impacto da medida de ampliação da isenção do imposto de renda. O Comitê considera que tal estimativa é bastante incerta e acompanhará os dados para calibrar seus impactos”, diz o documento.
Segundo o Copom, essa estimativa é dependente de fatores fiscais e creditícios que ainda não estão completamente mapeados, e será necessário acompanhar os dados nos próximos meses para avaliar com precisão o efeito da medida sobre a inflação e a atividade econômica.
Manutenção da Selic em 15% ao ano
Juros no maior patamar desde 2006
Com a decisão, a Selic permanece no maior nível desde dezembro de 2006, quando a taxa também estava em 15% ao ano. O Banco Central interrompeu o ciclo de alta dos juros em julho deste ano, após uma longa trajetória de aperto monetário iniciada em 2021, como resposta à escalada inflacionária global e doméstica.
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 9 e 10 de dezembro, e o mercado financeiro acompanha com atenção os sinais sobre uma possível redução dos juros em 2026, diante da perspectiva de desaceleração da inflação e dos riscos fiscais associados à política tributária do governo.
Entenda o novo projeto de isenção do Imposto de Renda
Isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais
O projeto aprovado pelo Congresso amplia significativamente a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). A nova regra prevê que contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil estarão isentos da tributação, ampliando o alcance do benefício e corrigindo parcialmente a defasagem histórica da tabela do IR, acumulada desde 2015.
Além disso, a proposta reduz as alíquotas para contribuintes com rendimentos entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, beneficiando a chamada classe média formal. O texto foi aprovado com apoio da base governista e será sancionado pelo presidente Lula na quarta-feira (12), conforme informou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Medida entra em vigor em 2026
O governo planeja implementar a nova faixa de isenção a partir de janeiro de 2026, ano marcado pelas eleições presidenciais. Com isso, o tema tributário ganha ainda mais relevância política, já que representa um alívio direto no bolso de milhões de brasileiros, ao mesmo tempo em que impõe desafios fiscais para o Tesouro Nacional.
Impacto fiscal da medida e compensações
Perda de arrecadação e imposto mínimo sobre super-rendas
Para compensar a perda de arrecadação gerada pela ampliação da isenção, o projeto inclui a criação de um imposto mínimo para rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, ou seja, cerca de R$ 50 mil por mês. A medida visa atingir camadas de alta renda que se beneficiam de isenções legais e regimes diferenciados, como aplicações em fundos exclusivos, dividendos isentos e lucros de empresas no exterior.
“É uma política de justiça tributária”, afirmou Fernando Haddad, ao comentar o texto aprovado.
A expectativa da equipe econômica é que o impacto líquido da proposta sobre as contas públicas seja neutro ou moderadamente negativo em 2026, mas ainda depende da efetividade da arrecadação das super-rendas.
O que pensa o Copom sobre a medida?
Impacto na demanda e nos preços
O Copom avalia que a ampliação da isenção pode gerar um aumento da renda disponível das famílias, sobretudo de baixa e média renda, o que tende a estimular o consumo e elevar a pressão inflacionária, ainda que em níveis moderados.
Essa possível elevação da demanda interna é considerada um fator pró-inflacionário, o que justificou a decisão do comitê em manter a taxa Selic elevada, ao menos no curto prazo.
“O Comitê acompanhará os dados para calibrar seus impactos”, reitera a ata, sinalizando que novas estimativas serão incorporadas nas reuniões futuras, à medida que o efeito da medida começar a se materializar nos indicadores econômicos.
Riscos fiscais ainda monitorados
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A ata também destaca que o cenário fiscal segue desafiador, especialmente considerando outras propostas em tramitação no Congresso que podem agravar o desequilíbrio orçamentário. A criação de novas despesas permanentes sem contrapartidas sólidas pode pressionar a inflação via expectativas do mercado e deterioração da confiança fiscal.
Reações do mercado
Analistas divididos sobre efeito da medida
Economistas e analistas financeiros avaliam com cautela os efeitos da ampliação da faixa de isenção. Enquanto alguns destacam o potencial distributivo da proposta, outros alertam para o risco de estímulo excessivo à demanda em um cenário ainda inflacionário.
“A medida é positiva do ponto de vista social, mas deve ser compensada de forma robusta. Caso contrário, pode adiar cortes na Selic e comprometer a trajetória da dívida pública”, avaliou um economista de banco privado.
Selic deve cair só em 2026
Com a manutenção dos juros em 15% e a incerteza fiscal crescente, a maioria das casas de análise já projeta que os cortes na Selic só devem ocorrer no primeiro semestre de 2026, após os efeitos da nova política tributária começarem a ser absorvidos.
Projeções econômicas para 2026
Inflação sob controle, mas com viés de alta
A expectativa de inflação para 2026, segundo o Boletim Focus, está atualmente em 4,2%, dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação (3,0% com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo). No entanto, os efeitos fiscais da nova tabela do IR e gastos extras com programas sociais podem alterar esse cenário.
Crescimento econômico pode ganhar fôlego
Por outro lado, a expansão da renda disponível e o maior consumo das famílias devem impulsionar o crescimento do PIB em 2026, principalmente no setor de comércio e serviços, o que pode ser benéfico para o mercado de trabalho.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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