Desde o dia 25 de abril, trabalhadores com carteira assinada podem migrar dívidas antigas de crédito direto ao consumidor (CDC) ou empréstimos consignados tradicionais para o novo Crédito do Trabalhador, programa criado pelo governo federal com o objetivo de reduzir os juros cobrados sobre esse tipo de financiamento. A mudança faz parte da segunda fase de implementação da iniciativa, que terá novos avanços ainda em maio e junho.
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Trabalhadores com carteira assinada já podem migrar CDC e consignado para o Crédito do Trabalhador, com juros mais baixos. Veja como fazer.
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O Crédito do Trabalhador foi lançado oficialmente em 21 de março de 2025 e é voltado exclusivamente para quem tem vínculo formal de emprego. A principal vantagem do programa é a taxa de juros mais baixa em relação a outras linhas de crédito disponíveis no mercado. Enquanto o CDC tem juros médios de 7% a 8% ao mês, o novo programa oferece taxas que variam de 1,6% a pouco mais de 3% ao mês, dependendo do banco.
Além disso, a medida provisória que instituiu o programa determina que, ao realizar a migração de uma dívida anterior, a nova taxa deve obrigatoriamente ser mais baixa do que a original — uma tentativa de garantir ganho real ao trabalhador.
Como funciona a troca de dívida
Inicialmente, a migração do CDC ou do consignado antigo para o Crédito do Trabalhador deve ser feita no mesmo banco onde a dívida foi contraída. A partir de 16 de maio, no entanto, os trabalhadores poderão buscar condições melhores em outras instituições financeiras, desde que realizem a simulação na Carteira de Trabalho Digital, plataforma oficial do governo.
Passo a passo da portabilidade
- O trabalhador faz uma simulação de novo crédito na Carteira de Trabalho Digital;
- Caso encontre taxas mais atrativas em outro banco, poderá solicitar a portabilidade;
- A nova instituição quita a dívida anterior;
- O valor passa a ser descontado diretamente da folha de pagamento com a nova taxa de juros.
Todo o processo é intermediado pelo sistema da Dataprev e monitorado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que acompanha diariamente o perfil dos tomadores e as taxas praticadas pelo mercado.
Portabilidade com custo zero e incentivo à concorrência
Um dos principais diferenciais do programa é permitir a portabilidade sem custos para o trabalhador. A lógica é simples: ao facilitar a troca de bancos, o governo estimula a concorrência entre as instituições, o que, por sua vez, pressiona os bancos a oferecerem condições mais vantajosas para não perder clientes.
Segundo especialistas em crédito, essa política pode promover um reequilíbrio no mercado, especialmente para trabalhadores que, até agora, tinham pouco poder de barganha com os bancos.
Cronograma de implementação
A implantação do Crédito do Trabalhador foi dividida em três etapas principais:
21 de março
Início oficial do programa, com liberação dos primeiros empréstimos com juros reduzidos.
25 de abril
Liberação da possibilidade de migração do CDC e do consignado tradicional para o Crédito do Trabalhador, apenas no banco de origem.
16 de maio
Início da portabilidade para outras instituições financeiras, com simulação obrigatória feita pela Carteira de Trabalho Digital.
6 de junho
Liberação da troca entre bancos para empréstimos já contratados dentro do próprio programa Crédito do Trabalhador.
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Margem consignável e novos créditos
Ao migrar a dívida para o Crédito do Trabalhador, o valor é quitado e substituído pelo novo empréstimo, com desconto em folha. Se o trabalhador ainda tiver margem consignável disponível, poderá contratar crédito adicional dentro do programa, seguindo os mesmos critérios de juros mais baixos.
Banco pode oferecer migração automática

Durante os primeiros 120 dias de vigência da medida provisória — até 21 de julho —, os próprios bancos poderão oferecer ao trabalhador a opção de migrar para o Crédito do Trabalhador. Nesses casos, a instituição financeira deve apresentar uma nova proposta com taxa de juros inferior à do contrato original. A aceitação é facultativa.
Se o cliente não considerar a nova condição vantajosa, ele ainda pode recorrer à portabilidade a partir do dia 16 de maio, em busca de melhores condições em outras instituições.
Fiscalização e transparência
Todo o sistema foi desenhado para garantir transparência e fiscalização constante. A Dataprev é responsável por operacionalizar as simulações, registros e trocas de empréstimos, enquanto o Ministério do Trabalho e Emprego acompanha o comportamento das taxas e o perfil dos contratantes.
Segundo o governo, esse acompanhamento em tempo real será essencial para ajustar o programa e coibir práticas abusivas por parte dos bancos.
Concorrência e proteção ao trabalhador
A criação do Crédito do Trabalhador e a possibilidade de portabilidade gratuita se inserem em uma agenda mais ampla de proteção ao trabalhador e incentivo à concorrência no setor bancário. A portabilidade de crédito já existe desde 2013, mas agora é ampliada e reforçada com uma política pública voltada a quem tem carteira assinada.
Especialistas avaliam que a medida tem potencial para reduzir o endividamento das famílias brasileiras e aliviar a pressão financeira sobre os trabalhadores, especialmente em um momento de alta do custo de vida e inadimplência.
