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Crédito do Trabalhador é aprovado como lei e inclui motoristas de aplicativo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta sexta-feira, uma nova legislação que transforma o programa Crédito do Trabalhador em uma política permanente do governo federal. Originalmente criado por medida provisória em março, o programa visa facilitar o acesso ao crédito para trabalhadores da iniciativa privada com carteira assinada, além de estender essa possibilidade para motoristas e entregadores de aplicativo.

A principal característica do programa é a oferta de empréstimos com taxas de juros mais baixas e o pagamento das parcelas descontadas diretamente da folha de pagamento do trabalhador ou dos repasses feitos pelas plataformas digitais, como Uber, 99 e iFood. Essa medida foi pensada para beneficiar trabalhadores com dificuldades de acesso ao crédito tradicional, especialmente aqueles com menor poder aquisitivo.

Neste artigo, vamos explorar as principais mudanças e benefícios do Crédito do Trabalhador, o impacto da legislação sancionada por Lula e como o programa afetará os motoristas e entregadores de aplicativos. Além disso, discutiremos a regulamentação, a fiscalização e as novas obrigações impostas aos empregadores.

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Imagem: Freepik e Canva

O que é o programa Crédito do Trabalhador?

Criado inicialmente como uma medida provisória em março de 2025, o programa Crédito do Trabalhador foi uma iniciativa do governo para oferecer empréstimos com condições favoráveis a trabalhadores formais da iniciativa privada. A novidade é que a medida agora se torna permanente, abrindo um novo horizonte para aqueles que antes enfrentavam dificuldades para obter crédito.

Uma das principais vantagens do programa é a taxa de juros reduzida, que é fixada em uma média de 3,56% ao mês. Essa taxa é consideravelmente mais baixa do que a praticada em empréstimos convencionais, tornando o crédito mais acessível e viável para uma maior parcela da população.

Expansão do programa para motoristas e entregadores de aplicativo

Uma das grandes novidades da nova legislação sancionada por Lula é a ampliação do acesso ao crédito para motoristas e entregadores de aplicativo. Com isso, profissionais que trabalham para empresas como Uber, 99 e iFood poderão contratar o crédito com desconto direto na conta bancária, assim como os trabalhadores com carteira assinada.

Esse avanço é significativo, pois os trabalhadores por aplicativo, que antes enfrentavam dificuldades para acessar linhas de crédito convencionais, agora podem contar com uma opção mais vantajosa e com juros mais baixos. No entanto, a liberação do crédito para esses trabalhadores dependerá de convênios entre as plataformas digitais e as instituições financeiras.

Condições e funcionamento do crédito

O Crédito do Trabalhador oferece uma linha de empréstimo com condições bastante acessíveis, com parcelas descontadas diretamente da fonte de renda do trabalhador. Isso pode ser feito por meio de dois mecanismos principais:

  1. Desconto direto na folha de pagamento: Para trabalhadores com carteira assinada, o valor das parcelas será descontado diretamente do salário mensal. A porcentagem máxima que o trabalhador pode comprometer com as parcelas é de até 35% da sua renda.
  2. Desconto nos repasses das plataformas digitais: Para motoristas e entregadores de aplicativo, o valor das parcelas será descontado diretamente dos repasses feitos pelas plataformas. Essas plataformas, como Uber, 99 e iFood, precisarão firmar convênios com bancos para garantir a liberação do crédito.

A nova lei também estabelece que, no caso de portabilidade do crédito, o novo empréstimo deverá ter taxas de juros mais baixas que o anterior. Isso visa garantir que o trabalhador sempre tenha acesso a melhores condições caso opte por transferir sua dívida para outra instituição financeira.

Benefícios para os trabalhadores

Consignado Privado/crédito do trabalhador
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

O Crédito do Trabalhador foi concebido para beneficiar principalmente os trabalhadores com menor renda, especialmente aqueles que ganham até quatro salários mínimos. A medida já mostrou bons resultados, movimentando mais de R$ 21 bilhões em mais de 4 milhões de contratos. Mais da metade desses empréstimos foi concedida a trabalhadores com rendimentos abaixo de quatro salários mínimos.

Com a nova legislação, o programa se torna uma alternativa viável para quem precisa de crédito e não tem acesso a empréstimos convencionais devido à alta taxa de juros ou ao histórico de crédito. A possibilidade de pagar as parcelas diretamente da folha de pagamento ou dos repasses das plataformas torna o programa ainda mais acessível e seguro.

O veto e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)

Durante a sanção da nova lei, o presidente Lula vetou trechos da legislação que previam o compartilhamento de dados pessoais entre instituições financeiras. Essa medida foi considerada uma violação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que estabelece regras rigorosas para a coleta e o uso de dados pessoais no Brasil.

O veto foi importante para garantir que a privacidade dos trabalhadores fosse preservada. A proposta de compartilhamento de dados entre bancos, que visava facilitar a concessão de crédito, foi vista como um risco para a segurança das informações dos cidadãos. Com o veto, a medida foi retirada do texto da lei, garantindo mais proteção aos dados dos trabalhadores.

Regulamentação e fiscalização

A nova legislação também foi acompanhada por um decreto que regulamenta o funcionamento do crédito consignado no setor privado. O decreto exige o uso de biometria e assinatura digital nos contratos de empréstimo, visando aumentar a segurança e a transparência no processo de contratação. Além disso, o governo determinou que, em caso de portabilidade do crédito, o novo empréstimo deve ter juros mais baixos do que o empréstimo anterior.

A fiscalização do programa ficará a cargo do Ministério do Trabalho, que será responsável por monitorar e garantir que as regras sejam cumpridas. Os empregadores que não repassarem corretamente os valores descontados dos salários dos trabalhadores aos bancos poderão ser multados.

Além disso, foi criado um comitê gestor composto por representantes da Casa Civil, Ministério da Fazenda e Ministério do Trabalho. Esse comitê será responsável por definir as regras, acompanhar a execução do programa e avaliar seu impacto.

Impacto regional e instituições financeiras

Dividendos
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Os dados divulgados pelo governo mostram que São Paulo lidera em volume contratado, com R$ 6,3 bilhões emprestados, seguido pelo Rio de Janeiro, com R$ 1,8 bilhão. O Banco do Brasil se destacou como o principal operador do programa, com R$ 5 bilhões emprestados, enquanto o Itaú vem em segundo lugar, com R$ 3,1 bilhões.

Esse volume de contratos reflete o sucesso do programa e a sua importância para a economia, especialmente para os trabalhadores que precisam de crédito para lidar com imprevistos financeiros ou realizar projetos pessoais.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital