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Crise da GOL: falta de apoio estatal vira pauta principal do motivo

CEO da controladora da GOL afirma que a falta de apoio do governo durante a pandemia foi determinante para agravar a crise da companhia.

Luiza NiewinskiPor Luiza Niewinski4 min de leitura
GOL bolsa de valores

A ausência de apoio governamental durante a pandemia de covid-19 foi um dos principais fatores que agravaram a crise enfrentada pela GOL Linhas Aéreas. A declaração foi feita por Adrian Neuhauser, CEO da Abra Group, holding que controla a companhia brasileira e a colombiana Avianca.

O executivo abordou o tema durante a conferência anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), realizada em Nova Délhi, na Índia, nesta segunda-feira, dia 2 de junho.

Crise da GOL: falta de apoio estatal vira pauta principal do motivo
Imagem: Thiago B Trevisan/Shutterstock.com

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Impacto da falta de subsídios no setor aéreo latino-americano

Adrian Neuhauser destacou que a América Latina recebeu apenas 0,2% de toda a ajuda financeira destinada ao setor aéreo no mundo durante a pandemia. Esse valor é considerado extremamente baixo quando comparado aos subsídios disponibilizados para empresas da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia.

Essa falta de suporte estatal forçou grandes companhias da região, como GOL, Avianca, Latam e Aeroméxico, a buscarem proteção contra credores por meio do Chapter 11, o mecanismo de recuperação judicial dos Estados Unidos. O objetivo foi reestruturar dívidas bilionárias acumuladas durante o período de restrições sanitárias e queda na demanda por viagens.

América Latina foi negligenciada durante a crise

Para o executivo, os governos latino-americanos, mesmo diante das limitações orçamentárias, não priorizaram o setor aéreo como em outros países.

“Lembre-se de que a América Latina é, novamente, uma região pobre do mundo. Quando passamos pela covid, os governos tinham orçamentos limitados. Eles precisaram decidir o que fazer. Não recebemos, como setor em nossa região, praticamente nenhum apoio dos governos”, afirmou Neuhauser durante o evento.

Esse cenário colocou o setor aéreo da região em uma situação muito mais frágil do que em outros continentes.

Caminho da GOL na recuperação judicial

A GOL ingressou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos em janeiro de 2024, acumulando uma dívida estimada em cerca de R$ 20 bilhões. A estratégia foi seguir um caminho semelhante ao adotado por outras companhias da região, como a Latam e a própria Avianca, que utilizaram o sistema jurídico americano para se reorganizar financeiramente.

Expectativa é de encerrar o processo em breve

De acordo com Adrian Neuhauser, o processo de reestruturação da GOL está em fase final e a companhia deve sair da recuperação judicial ainda nesta semana.

“Quando isso acontecer, acreditamos que a GOL terá se reestruturado”, declarou o CEO da Abra Group, reforçando que a companhia estará em condições de retomar sua trajetória de crescimento, ainda que em um cenário econômico desafiador.

Perspectivas para o setor aéreo na América Latina

Apesar das dificuldades enfrentadas pelas empresas da região, a IATA projeta que o setor aéreo global deve registrar lucro de aproximadamente US$ 36 bilhões em 2025. Esse valor representa um aumento de 11,1% em relação aos US$ 32,4 bilhões estimados para 2024.

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América Latina segue como exceção negativa

No entanto, a América Latina será a única região do mundo onde a previsão é de queda no desempenho do setor. O motivo está diretamente relacionado à combinação de baixo apoio governamental, custos operacionais elevados e aumento na carga tributária.

Reforma tributária brasileira preocupa o setor

Outro fator que pode agravar ainda mais a situação das companhias aéreas brasileiras é a implementação da reforma tributária. Segundo estimativas da IATA, a mudança no sistema de impostos pode provocar uma redução de até 30% na demanda por passagens aéreas no Brasil.

A entidade calcula que o preço médio de uma passagem doméstica, hoje em torno de US$ 130 (aproximadamente R$ 743), pode subir para US$ 160 (cerca de R$ 914) com a nova carga tributária. Esse aumento poderá inviabilizar viagens para uma parcela significativa da população.

Conclusão

Crise da GOL: falta de apoio estatal vira pauta principal do motivo
Imagem: Unsplash/Rocker Sta

A falta de apoio estatal durante a pandemia teve impacto direto na crise que afetou a GOL e outras companhias aéreas da América Latina. A ausência de subsídios e linhas de crédito específicas fez com que essas empresas recorressem a processos de recuperação judicial, enquanto companhias de outros continentes receberam auxílio bilionário de seus governos.

Com a previsão de encerrar a recuperação judicial ainda nesta semana, a GOL busca retomar sua estabilidade financeira. No entanto, os desafios persistem, sobretudo diante de um cenário interno que inclui custos elevados e possíveis impactos da reforma tributária sobre a demanda.

O caso da GOL serve como alerta para o quanto a ausência de políticas públicas de apoio a setores estratégicos pode comprometer a sustentabilidade econômica de empresas e afetar milhões de usuários que dependem dos serviços aéreos no Brasil e em toda a América Latina.

Luiza Niewinski

Autor

Luiza Niewinski

Luiza Niewinski é apaixonada por animais, fã de séries e entusiasta da informação. Está sempre atenta ao que acontece no Brasil e no mundo, com o objetivo de transformar notícias em conteúdo útil e acessível para o leitor. No portal Seu Crédito Digital, atua na produção de matérias sobre benefícios sociais, programas do governo, direitos do cidadão e temas do dia a dia que impactam diretamente a população.

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