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Demissão de Lupi pode afetar aposentados, alerta senador do PDT

Entenda a crise no INSS envolvendo descontos indevidos em aposentadorias, a operação da PF, a pressão sobre Carlos Lupi e mais.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) enfrenta uma das maiores crises de sua história recente. A operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), revelou um esquema de descontos indevidos que pode ter desviado até R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.

O caso provocou forte repercussão política, levando à pressão sobre o ministro da Previdência, Carlos Lupi, e ao afastamento de seis servidores do alto escalão do INSS.

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Ministro da Previdência Carlos Lupi discursando
Imagem: Reprodução/PDT.org

O que aconteceu: o esquema de fraudes no INSS

Como funcionava o esquema

Segundo a Polícia Federal, o esquema envolvia entidades de classe que firmavam Acordos de Cooperação Técnica com o INSS, permitindo descontos diretos nos benefícios de aposentados e pensionistas.

Esses descontos, apresentados como mensalidades associativas para acesso a serviços jurídicos e médicos, eram aplicados sem o consentimento dos beneficiários.

A investigação identificou:

  • Falsificação de autorizações;
  • Ausência de prestação de serviços;
  • Documentação irregular em 70% das 29 entidades analisadas.

O prejuízo estimado alcança R$ 6,3 bilhões em cinco anos.

Quais entidades estão envolvidas

Entre as entidades citadas estão:

  • Caap (Caixa de Assistência dos Aposentados e Pensionistas do INSS);
  • Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura);
  • Ambec, entre outras.

As investigações apontam que muitas dessas entidades existiam apenas formalmente e não prestavam os serviços prometidos.

Operação Sem Desconto: a ação da Polícia Federal

Como foi a operação

A operação foi realizada em 23 de abril de 2025, com:

  • 211 mandados de busca e apreensão;
  • 6 mandados de prisão temporária;
  • Ordens de sequestro de bens superiores a R$ 1 bilhão.

A ação ocorreu em 13 estados e no Distrito Federal, com apreensão de:

  • Dinheiro em espécie;
  • Carros de luxo;
  • Joias;
  • Obras de arte.

Entre os crimes investigados estão:

  • Corrupção ativa e passiva;
  • Organização criminosa;
  • Lavagem de dinheiro;
  • Falsificação de documentos;
  • Violação de sigilo funcional.

Pressão política sobre Carlos Lupi

Apoio do PDT

O senador Weverton Rocha (PDT-MA), líder do Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT e PT), saiu em defesa do ministro Carlos Lupi:

“Qualquer movimento para demitir o ministro Carlos Lupi só pode atender a interesses diferentes dos beneficiários da Previdência, o que nós, do PDT, rechaçamos de forma veemente”, declarou Rocha.

O PDT declarou apoio total ao ministro, afirmando que ele:

  • Não é investigado no caso;
  • Atuou em sintonia com a PF e CGU;
  • Implementou medidas de controle sobre descontos consignados desde 2024.

Lupi foi alertado em 2023

Apesar da defesa, documentos revelam que Carlos Lupi foi alertado em junho de 2023 sobre o aumento dos descontos irregulares, mas a questão só foi oficialmente incluída na pauta do conselho da Previdência em abril de 2024 — quase dez meses depois.

Essa demora gerou críticas e pressões internas dentro do governo.

Contexto da gestão

Carlos Lupi preside o conselho que reúne o Ministério da Previdência, o INSS e representantes de aposentados, sindicatos e entidades patronais. Sua gestão agora está sob forte escrutínio político e técnico.

Quem foi afastado do INSS

inss
Imagem: Freepik e Canva

Além da pressão sobre Lupi, a Justiça Federal determinou o afastamento de seis servidores:

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  • Alessandro Stefanutto – Presidente do INSS;
  • Virgílio Ribeiro de Oliveira Filho – Procurador-geral do INSS;
  • Vanderlei Barbosa dos Santos – Diretor de Benefícios e Relacionamento;
  • Giovani Batista Fassarella Spiecker – Coordenador de Suporte ao Atendimento;
  • Jucimar Fonseca da Silva – Coordenador de Pagamentos e Benefícios;
  • Um policial federal (identidade não divulgada).

Quem é Alessandro Stefanutto

Alessandro Antonio Stefanutto assumiu a presidência do INSS em julho de 2023, indicado por Carlos Lupi. É:

  • Procurador federal de carreira;
  • Atuante no INSS há 25 anos;
  • Ex-procurador-geral do órgão (2011-2017);
  • Graduado em Direito pela Universidade Mackenzie;
  • Mestre em Gestão e Sistemas de Seguridade Social na Espanha;
  • Filiado ao PSB (Partido Socialista Brasileiro).

Durante sua gestão, a fila de espera do INSS atingiu quase 2 milhões de pedidos em fevereiro de 2025, o maior número desde 2020.

Como começou a investigação

A CGU iniciou as investigações em 2023, após identificar:

  • Aumento expressivo no número de entidades conveniadas ao INSS;
  • Escalada nos valores descontados de beneficiários.

A partir das auditorias e entrevistas com aposentados, a PF e a CGU confirmaram o padrão de fraudes, motivando a operação Sem Desconto.

Qual a orientação para os beneficiários

Os aposentados e pensionistas devem:

  • Consultar o extrato de pagamento pelo aplicativo Meu INSS ou no site oficial;
  • Verificar se há descontos de mensalidade associativa que não tenham sido autorizados;
  • Solicitar a exclusão do desconto pelo próprio aplicativo Meu INSS;
  • Caso necessário, registrar denúncia junto à Ouvidoria do INSS.

A exclusão dos descontos irregulares pode ser feita sem necessidade de comparecimento presencial.

Consequências do escândalo

Ministro da Previdência Social, Carlos Lupi.
Imagem: Wilson Dias / Agência Brasil

A crise atual no INSS deve gerar:

  • Revisão dos acordos de cooperação técnica;
  • Maior rigor na verificação de autorizações de descontos;
  • Reforço nas medidas de compliance em toda a estrutura do instituto.

Além disso, o escândalo ampliou a pressão política sobre o governo Lula, que enfrenta a necessidade de equilibrar a proteção dos segurados com a apuração de responsabilidades.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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