O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) enfrenta uma das maiores crises de sua história recente. A operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), revelou um esquema de descontos indevidos que pode ter desviado até R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.
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Entenda a crise no INSS envolvendo descontos indevidos em aposentadorias, a operação da PF, a pressão sobre Carlos Lupi e mais.
O caso provocou forte repercussão política, levando à pressão sobre o ministro da Previdência, Carlos Lupi, e ao afastamento de seis servidores do alto escalão do INSS.
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O que aconteceu: o esquema de fraudes no INSS
Como funcionava o esquema
Segundo a Polícia Federal, o esquema envolvia entidades de classe que firmavam Acordos de Cooperação Técnica com o INSS, permitindo descontos diretos nos benefícios de aposentados e pensionistas.
Esses descontos, apresentados como mensalidades associativas para acesso a serviços jurídicos e médicos, eram aplicados sem o consentimento dos beneficiários.
A investigação identificou:
- Falsificação de autorizações;
- Ausência de prestação de serviços;
- Documentação irregular em 70% das 29 entidades analisadas.
O prejuízo estimado alcança R$ 6,3 bilhões em cinco anos.
Quais entidades estão envolvidas
Entre as entidades citadas estão:
- Caap (Caixa de Assistência dos Aposentados e Pensionistas do INSS);
- Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura);
- Ambec, entre outras.
As investigações apontam que muitas dessas entidades existiam apenas formalmente e não prestavam os serviços prometidos.
Operação Sem Desconto: a ação da Polícia Federal
Como foi a operação
A operação foi realizada em 23 de abril de 2025, com:
- 211 mandados de busca e apreensão;
- 6 mandados de prisão temporária;
- Ordens de sequestro de bens superiores a R$ 1 bilhão.
A ação ocorreu em 13 estados e no Distrito Federal, com apreensão de:
- Dinheiro em espécie;
- Carros de luxo;
- Joias;
- Obras de arte.
Entre os crimes investigados estão:
- Corrupção ativa e passiva;
- Organização criminosa;
- Lavagem de dinheiro;
- Falsificação de documentos;
- Violação de sigilo funcional.
Pressão política sobre Carlos Lupi
Apoio do PDT
O senador Weverton Rocha (PDT-MA), líder do Bloco Parlamentar Pelo Brasil (PDT e PT), saiu em defesa do ministro Carlos Lupi:
“Qualquer movimento para demitir o ministro Carlos Lupi só pode atender a interesses diferentes dos beneficiários da Previdência, o que nós, do PDT, rechaçamos de forma veemente”, declarou Rocha.
O PDT declarou apoio total ao ministro, afirmando que ele:
- Não é investigado no caso;
- Atuou em sintonia com a PF e CGU;
- Implementou medidas de controle sobre descontos consignados desde 2024.
Lupi foi alertado em 2023
Apesar da defesa, documentos revelam que Carlos Lupi foi alertado em junho de 2023 sobre o aumento dos descontos irregulares, mas a questão só foi oficialmente incluída na pauta do conselho da Previdência em abril de 2024 — quase dez meses depois.
Essa demora gerou críticas e pressões internas dentro do governo.
Contexto da gestão
Carlos Lupi preside o conselho que reúne o Ministério da Previdência, o INSS e representantes de aposentados, sindicatos e entidades patronais. Sua gestão agora está sob forte escrutínio político e técnico.
Quem foi afastado do INSS

Além da pressão sobre Lupi, a Justiça Federal determinou o afastamento de seis servidores:
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- Alessandro Stefanutto – Presidente do INSS;
- Virgílio Ribeiro de Oliveira Filho – Procurador-geral do INSS;
- Vanderlei Barbosa dos Santos – Diretor de Benefícios e Relacionamento;
- Giovani Batista Fassarella Spiecker – Coordenador de Suporte ao Atendimento;
- Jucimar Fonseca da Silva – Coordenador de Pagamentos e Benefícios;
- Um policial federal (identidade não divulgada).
Quem é Alessandro Stefanutto
Alessandro Antonio Stefanutto assumiu a presidência do INSS em julho de 2023, indicado por Carlos Lupi. É:
- Procurador federal de carreira;
- Atuante no INSS há 25 anos;
- Ex-procurador-geral do órgão (2011-2017);
- Graduado em Direito pela Universidade Mackenzie;
- Mestre em Gestão e Sistemas de Seguridade Social na Espanha;
- Filiado ao PSB (Partido Socialista Brasileiro).
Durante sua gestão, a fila de espera do INSS atingiu quase 2 milhões de pedidos em fevereiro de 2025, o maior número desde 2020.
Como começou a investigação
A CGU iniciou as investigações em 2023, após identificar:
- Aumento expressivo no número de entidades conveniadas ao INSS;
- Escalada nos valores descontados de beneficiários.
A partir das auditorias e entrevistas com aposentados, a PF e a CGU confirmaram o padrão de fraudes, motivando a operação Sem Desconto.
Qual a orientação para os beneficiários
Os aposentados e pensionistas devem:
- Consultar o extrato de pagamento pelo aplicativo Meu INSS ou no site oficial;
- Verificar se há descontos de mensalidade associativa que não tenham sido autorizados;
- Solicitar a exclusão do desconto pelo próprio aplicativo Meu INSS;
- Caso necessário, registrar denúncia junto à Ouvidoria do INSS.
A exclusão dos descontos irregulares pode ser feita sem necessidade de comparecimento presencial.
Consequências do escândalo

A crise atual no INSS deve gerar:
- Revisão dos acordos de cooperação técnica;
- Maior rigor na verificação de autorizações de descontos;
- Reforço nas medidas de compliance em toda a estrutura do instituto.
Além disso, o escândalo ampliou a pressão política sobre o governo Lula, que enfrenta a necessidade de equilibrar a proteção dos segurados com a apuração de responsabilidades.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
