O encerramento das operações da tradicional Usina Santa Elisa, em Sertãozinho (SP), anunciado pela Raízen, provocou uma onda de repercussões na região.
Crise em Sertãozinho: paralisação de usina pode impactar 2 mil trabalhadores
Fechamento da Usina Santa Elisa pela Raízen impacta centenas de trabalhadores em Sertãozinho e cidades vizinhas. Saiba mais!
A medida atinge diretamente os trabalhadores da unidade e repercute em toda a cadeia econômica que depende do setor sucroenergético no interior paulista. Fundada em 1936, a usina encerra suas atividades após quase 90 anos de funcionamento.
Leia mais:
Paquistão transforma usinas de carvão em polos de mineração de Bitcoin e centros de IA
O impacto direto nas famílias e na economia regional

Demissões afetam Sertãozinho e cidades vizinhas
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Açúcar da Alimentação e Afins de Sertãozinho e Região, o fechamento da planta atinge diretamente centenas de trabalhadores, muitos dos quais residem também nas cidades vizinhas, como Pontal, Barrinha e Pitangueiras. Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram a emoção e a indignação de funcionários ao receberem a notícia.
A Raízen ainda não confirmou se pretende realocar parte dos trabalhadores para outras unidades do grupo. Com isso, cresce a preocupação com o desemprego e com os efeitos sociais causados por essa decisão repentina.
Raízen confirma venda de ativos e redirecionamento da cana
Venda de 4 milhões de toneladas de cana
A companhia confirmou que vendeu aproximadamente 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por cerca de R$ 1 bilhão, que serão utilizados na redução de dívidas. Parte significativa dessa matéria-prima será absorvida por outras usinas da região, o que evita uma crise de abastecimento no setor.
A decisão é parte da estratégia de “reciclagem de portfólio” da empresa, que está vendendo ativos considerados menos estratégicos para focar em plantas mais eficientes e modernas.
Capacidade ociosa será absorvida
O consultor em agronegócio José Carlos de Lima Júnior esclareceu que o Brasil possui capacidade instalada superior à necessidade atual de moagem. Assim, a cana destinada à Santa Elisa poderá ser redirecionada a outras plantas sem afetar a oferta de açúcar, etanol ou energia.
Pronunciamento do sindicato: “tragédia sem explicação”
Clima de indignação e incerteza
O presidente do sindicato, Antônio Vitor, classificou o anúncio como uma “tragédia sem explicação” para a cidade. Segundo ele, havia expectativa de que a unidade pudesse ser negociada ou cogestionada para evitar o encerramento abrupto das atividades.
“Sabíamos da situação difícil, mas esperávamos ter um prazo para tentar salvar a usina”, disse o sindicalista à imprensa.
O sindicato agora articula um plano de rescisão que inclua benefícios adicionais e suporte aos trabalhadores demitidos.
Negociações com a empresa
A entidade sindical busca estabelecer um canal de diálogo com a Raízen para garantir condições dignas de desligamento. Entre as reivindicações estão:
- Pagamento integral das verbas rescisórias
- Extensão do plano de saúde por período adicional
- Apoio à recolocação no mercado de trabalho
- Indenizações para trabalhadores de longa data
Reação da prefeitura de Sertãozinho
Plano emergencial para os desempregados
A prefeitura informou que já está em ação para amparar os trabalhadores atingidos. O secretário de Desenvolvimento e Inovação, Paulo Roberto Gallo, estimou que cerca de 200 dos demitidos residem em Sertãozinho.
O plano inclui:
- Parcerias com o Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT)
- Ações de requalificação profissional
- Intermediação com empresas da região
- Apoio social e psicológico
“É uma situação emergencial. Nossa meta é conectar quem perdeu o emprego com quem pode contratar”, afirmou Gallo.
Ações de médio prazo também estão em estudo
Além das medidas imediatas, a prefeitura pretende lançar editais para cursos de capacitação e negociar com o setor privado local a absorção de parte da mão de obra qualificada.
Repercussão nos setores agrícola e logístico
Fornecedores e transportadoras também afetados
O fechamento da usina não afeta apenas os empregados diretos. Transportadoras, pequenos fornecedores de cana, empresas de manutenção industrial e prestadores de serviço sentem os reflexos da decisão.
Segundo o consultor Lima Júnior, mesmo com o redirecionamento da produção, empresas que operavam exclusivamente com a Santa Elisa podem enfrentar dificuldades.
“O impacto é maior nas empresas de pequeno porte e autônomos que tinham a usina como principal fonte de renda”, pontuou.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Histórico e relevância da Usina Santa Elisa
Um marco na história do setor sucroenergético
Fundada em 1936, a Usina Santa Elisa foi uma das mais tradicionais do Brasil. Atuando no cultivo, colheita e processamento da cana-de-açúcar, contribuiu significativamente para o desenvolvimento de Sertãozinho e da região de Ribeirão Preto.
A planta possuía capacidade de moagem de mais de 6 milhões de toneladas de cana e era uma das principais empregadoras da cidade, com mais de 36 mil hectares de lavoura sob sua operação.
Papel no fornecimento de energia e biocombustíveis
Além da produção de açúcar e etanol, a usina operava também como geradora de energia a partir da biomassa da cana, representando uma peça importante na matriz energética renovável brasileira.
A Raízen e sua estratégia de portfólio
Ajuste financeiro e foco em unidades mais rentáveis
A decisão da Raízen faz parte de uma reestruturação nacional. Em comunicados anteriores, a empresa vinha sinalizando que priorizaria unidades com melhor desempenho logístico e industrial.
A companhia, uma joint venture entre Shell e Cosan, é uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do mundo e possui dezenas de plantas operacionais em diversos estados do Brasil.
Apesar do fechamento da Santa Elisa, a Raízen mantém operações em outras usinas no estado de São Paulo e reforça que segue comprometida com o desenvolvimento do setor de bioenergia.
Expectativas para o futuro

Possibilidade de reabertura ainda é incerta
Apesar dos pedidos do sindicato e das movimentações da prefeitura, não há informações oficiais sobre uma possível venda da planta ou reativação da Santa Elisa em regime de cogestão.
Por ora, os esforços se concentram em mitigar os impactos econômicos e sociais, proteger os trabalhadores e buscar alternativas para o uso da estrutura da usina.
Considerações finais
O fechamento da Usina Santa Elisa marca o fim de uma era em Sertãozinho, afetando diretamente a vida de centenas de trabalhadores e provocando um efeito cascata na economia local.
A mobilização de sindicatos, poder público e setor privado será fundamental para amortecer os impactos dessa decisão. Mais do que uma perda econômica, trata-se de uma mudança profunda no tecido social e produtivo de uma das cidades mais simbólicas do setor sucroenergético brasileiro.
