A discussão sobre os supersalários no funcionalismo público brasileiro ganhou novo fôlego com a divulgação de uma pesquisa inédita do Datafolha encomendada pelo Movimento Pessoas à Frente.
Supersalários: 8 em cada 10 brasileiros apoiam revisão de benefícios públicos, mostra Datafolha
Pesquisa Datafolha revela que 83% dos brasileiros apoiam revisão de benefícios no serviço público para limitar supersalários acima do teto.
O levantamento revela que 83% da população brasileira são favoráveis à revisão dos benefícios e auxílios concedidos a servidores públicos para impedir pagamentos que ultrapassem o teto constitucional.
A pesquisa foi realizada entre os dias 9 e 12 de junho de 2025, com 2.008 entrevistas presenciais em municípios de todos os portes e regiões do Brasil. A divulgação completa do estudo está prevista para as próximas semanas.
O que são supersalários e qual o problema?

De acordo com a Constituição Federal, o teto remuneratório do funcionalismo público é o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), atualmente fixado em R$ 46.366,19.
No entanto, o estudo “Além do Teto”, realizado pelo Movimento Pessoas à Frente, mostra que mecanismos como verbas indenizatórias, retroativos e acúmulo de benefícios permitem que servidores recebam acima desse valor, configurando os chamados supersalários.
- Em 2023, o custo dos supersalários aos cofres públicos brasileiros atingiu R$ 11,1 bilhões.
- Cerca de 93% dos magistrados e 91,5% dos membros do Ministério Público receberam valores acima do teto legal.
- Para dimensionar o impacto, Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente, destaca que esses recursos seriam suficientes para construir cerca de cinco mil unidades básicas de saúde.
O clamor por maior controle e transparência
Além da revisão dos benefícios, a pesquisa do Datafolha também evidenciou a demanda por mudanças na forma como cargos de liderança no setor público são ocupados:
- 89% dos brasileiros afirmam que teriam mais confiança no Estado se cargos de chefia fossem preenchidos por meio de processos seletivos rigorosos.
- 84% consideram que a responsabilidade pela qualidade dos serviços públicos cabe diretamente às lideranças.
Propostas para mudanças na gestão pública

Frente a esse cenário, o Movimento Pessoas à Frente elaborou propostas concretas para o combate aos supersalários e para a melhoria da gestão pública:
- Política Nacional de Gestão de Lideranças: proposta entregue ao deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), coordenador da reforma administrativa, que sugere a criação do Sistema Nacional de Lideranças. Esse sistema visa instituir critérios claros para seleção, avaliação de desempenho e desenvolvimento profissional dos gestores públicos.
- Projeto de Lei 3.328/2025: protocolo na Câmara dos Deputados em 11 de julho, entregue à deputada Tabata Amaral (PSB-SP). O texto inclui medidas como:
- Limitar férias a 30 dias, vedando períodos superiores.
- Vetar a aposentadoria compulsória como sanção.
- Exigir lei complementar para criação de novas verbas indenizatórias.
- Proposta de Emenda à Constituição (PEC): ainda em fase de coleta de assinaturas, com o objetivo de reforçar o combate aos supersalários na legislação constitucional.
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Por que a revisão dos benefícios é urgente?

Os supersalários representam não apenas um desequilíbrio fiscal, mas também um entrave à eficiência do serviço público. O volume de recursos destinados a esses pagamentos poderia ser revertido para áreas prioritárias da população, contribuindo para a ampliação e melhoria de serviços essenciais.
- Reverter R$ 11,1 bilhões pode custear milhares de unidades básicas de saúde.
- Fortalecer a transparência e controle ajuda a reduzir privilégios e aumentos indevidos.
- Reformas estruturais na gestão pública são vistas como caminho para restaurar a confiança da população no Estado.
O que dizem os especialistas
Jessika Moreira ressalta que é fundamental “colocar o dinheiro público a serviço da população, e não de uma minoria privilegiada”, refletindo um sentimento compartilhado pela grande maioria dos brasileiros segundo o Datafolha. Para ela, são caminhos para o futuro do funcionalismo público:
- Implementação de sistemas mais rigorosos para seleção e avaliação de lideranças.
- Controle rígido sobre o pagamento de verbas e benefícios para evitar excessos.
- Alterações legislativas e constitucionais para fechar brechas que permitem supersalários.
