No entanto, apenas 0,1% das redes de ensino no Brasil foram atendidas. Além de ser uma iniciativa de altíssimo custo, os especialistas também enfatizam a falta de eficiência e resultados comprovados pelo programa.
Opinião dos especialistas
De acordo com a professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e de Harvard, Claudia Costin, o Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (Pecim) não garante necessariamente melhorias educacionais. Ela argumenta, que o uso de uniformes militares e a imposição de cortes de cabelo disciplinares não são suficientes para promover o aprendizaado dos alunos.
No entanto, ela reconhece que a oferta de ensino em tempo integral é um fator positivo desse modelo. Ela destaca que existem outros modelos educacionais, como o implementado em Pernambuco, que também oferecem essa vantagem.
Já Miriam Fábia Alves, integranteda Rede Nacional de Pesquisa sobre Militarização da Educação (RePME), ressalta que a infraestrutura adequada e a segurança nas escolas são questões que devem ser garantidas em todas as intituições de ensino, independentemente do modelo adotado.
A redes estaduais do Mato Grosso do Sul e Bahia afirmaram que manterão o modelo de ensino militar. Outros estados, como São Paulo, têm demonstrado interesse em implementar sua própria modalidade. No Paraná, mais de 10 escolas estão em processo de migração, juntando-se às 194 que já aderiram a esse modelo.
Diante dessa situação, o professor de políticas educacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), Fernando Cássio, argumenta que o Ministério da Educação (MEC) deve que adotar uma postura mais rigorosa em relação à militarização escolar. Na visão dele, o governo petista não alcançou o objetivo de encerrar tal modalidade, uma vez em que os estados continuam adotando essa abordagem.
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