A primeira semana de junho foi marcada por uma sequência de desligamentos em diversas emissoras de televisão no Brasil, pegando muitos profissionais de surpresa. As movimentações começaram com cortes significativos no setor de dramaturgia do SBT e se espalharam por outros canais como a TV Gazeta, Times Brasil (licenciada da CNBC) e a CNN Brasil.
A série de demissões movimentou os bastidores da mídia e levantou questionamentos sobre estratégias, audiência e reestruturações internas.
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SBT enfrenta crise com baixa audiência em novela inédita

O SBT tem vivido uma fase turbulenta em sua teledramaturgia, com impactos diretos no quadro de funcionários. A emissora decidiu promover uma onda de demissões no departamento responsável por novelas, após a fraca performance de “A Caverna Encantada”, atualmente no ar.
No ar desde julho de 2024, a novela registra uma média de apenas 3,8 pontos, desempenho aquém do esperado e muito distante dos sucessos anteriores da casa, como As Aventuras de Poliana, Carinha de Anjo e Cúmplices de um Resgate, todas com médias superiores a 10 pontos. A baixa aceitação de público refletiu-se em cortes, evidenciando os desafios enfrentados pela emissora em manter sua relevância no competitivo mercado de teledramaturgia.
Fefito deixa Gazeta após breve retorno
Outra movimentação importante aconteceu na TV Gazeta de São Paulo. O comentarista Fefito anunciou sua saída do programa “Mulheres” menos de um mês após seu retorno à atração. A decisão veio logo após o rompimento do jornalista com a RedeTV, o que havia criado expectativa em torno de sua volta ao tradicional vespertino da emissora paulistana.
Conhecido por trazer bastidores e novidades do mundo das celebridades, Fefito era um dos destaques da roda de conversa do programa. Sua saída repentina alimentou especulações sobre os bastidores da Gazeta e seu futuro no jornalismo de entretenimento.
CNBC Brasil perde âncora após apenas nove meses
Na Times Brasil, representante da CNBC no país, o jornalista Rafael Ihara não faz mais parte do quadro de apresentadores. Sua trajetória no canal de notícias durou apenas nove meses, tendo iniciado como âncora do telejornal matinal “Agora”.
Em março, Ihara foi afastado da bancada do programa e, desde então, não reassumiu nenhum outro posto na emissora. O desligamento definitivo reforça o clima de instabilidade no setor jornalístico, especialmente em canais que operam com parcerias internacionais e exigências de alto desempenho.
CNN Brasil tem nova baixa: Pedro Duran deixa o canal
Na CNN Brasil, a saída de Pedro Duran representa a segunda passagem encerrada do jornalista pela emissora. Atuando como comentarista e responsável por entrevistas nos estúdios, Duran se tornou uma figura respeitada dentro do canal, mas não resistiu às mudanças internas.
Com o desligamento, o profissional se junta a uma lista de nomes que passaram pela CNN Brasil e deixaram a empresa diante de reorganizações editoriais e redefinições de equipe. O canal, que tem se reposicionado constantemente desde sua chegada ao Brasil, ainda não se pronunciou oficialmente sobre a saída do jornalista.
Alarme falso na Globo: especulações sobre Amauri Soares
Enquanto cortes se confirmavam em várias emissoras, rumores sobre uma possível demissão de Amauri Soares, diretor-geral da TV Globo, circularam em grupos de jornalistas no WhatsApp. A especulação, no entanto, foi rapidamente desmentida e classificada como alarme falso.
O burburinho mostra como o clima de incerteza também atinge os altos escalões das grandes emissoras, mesmo quando não há confirmações oficiais. A Globo, até o momento, não anunciou mudanças em sua diretoria executiva, apesar da movimentação intensa no setor de televisão como um todo.
Crise estrutural ou transição de mercado?

As recentes demissões em diferentes canais de televisão não são casos isolados, mas reflexo de uma conjuntura mais ampla. A queda na audiência, as mudanças no comportamento do consumidor de conteúdo, cada vez mais inclinado ao streaming, e as reestruturações internas têm afetado não só os bastidores, mas a própria estrutura da produção audiovisual.
Especialistas apontam que o momento pode ser interpretado como uma transição do modelo tradicional de TV para um ambiente mais digital, com foco em multiplataformas. Nesse cenário, cortes e remanejamentos tornam-se estratégias recorrentes na tentativa de manter a competitividade.
Expectativas e futuro do mercado televisivo
O setor televisivo brasileiro passa por uma transformação profunda. As emissoras, antes soberanas na preferência do público, agora dividem espaço com plataformas digitais, podcasts, YouTube e redes sociais. As demissões desta semana mostram que o cenário exige decisões difíceis, mas também adaptações constantes.
Para os profissionais de mídia, o desafio é acompanhar as mudanças sem perder espaço no mercado. Para o público, o impacto pode ser sentido na qualidade e variedade da programação disponível. Resta saber quais serão os próximos passos das emissoras em meio a esse cenário de incertezas e reinvenções.
