A segurança do Bitcoin, considerada por muitos como inquebrável, está sendo colocada à prova de forma inédita.
Projeto oferece 1 Bitcoin para quem quebrar chave cripto com computador quântico: desafio revela ameaça real
A Project Eleven oferece 1 BTC para quem quebrar uma chave Bitcoin usando computação quântica. Entenda o desafio, os riscos para o ecossistema cripto e o que está em jogo.
A empresa de pesquisa em computação quântica Project Eleven lançou, em 16 de abril de 2025, uma competição global que oferece 1 Bitcoin (BTC) para quem conseguir quebrar a maior chave de criptografia de Bitcoin utilizando um computador quântico, aplicando exclusivamente o algoritmo de Shor.
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O que é o “Q-Day Prize”
O chamado “Q-Day Prize” (Prêmio do Dia Q) tem um objetivo claro: medir, com experimentação real, o grau de urgência da ameaça representada pela computação quântica à criptografia do Bitcoin.
Segundo a Project Eleven, mais de 10 milhões de endereços Bitcoin já têm suas chaves públicas expostas, o que os torna potenciais alvos caso a criptografia de curva elíptica (ECC) seja comprometida.
Por que isso importa?
Estudos recentes sugerem que mais de 6 milhões de Bitcoins estão vulneráveis, totalizando cerca de US$ 500 bilhões. O motivo? Esses BTCs estão associados a endereços cujas chaves públicas já estão expostas.
Embora atualmente nenhum computador quântico consiga quebrar uma chave de 256 bits, a corrida pelo desenvolvimento de sistemas com mais de 2.000 qubits está em andamento.
A criptografia ECC na mira
A segurança do Bitcoin se baseia na dificuldade de fatorar grandes números e resolver problemas matemáticos complexos. O algoritmo de Shor, desenvolvido em 1994, é considerado a maior ameaça à ECC, pois permite fatoração eficiente com computadores quânticos.
Se aplicado com poder computacional suficiente, ele poderia tornar obsoleta toda a arquitetura de segurança atual do Bitcoin.
Regras do desafio quântico
A competição está aberta a pesquisadores, engenheiros e entusiastas de computação quântica ao redor do mundo. As inscrições podem ser individuais ou em equipe. O prazo final para envio dos resultados é 5 de abril de 2026.
Critérios e exigências
- O algoritmo de Shor deve ser usado exclusivamente em hardware quântico real;
- É proibido utilizar métodos clássicos ou abordagens híbridas;
- Os competidores devem documentar detalhadamente a metodologia, inclusive evidências de execução em sistemas de computação quântica de acesso público ou privado;
- Quebrar 3 bits já é considerado significativo, embora o objetivo final seja escalar para 256 bits.
Plataformas de acesso
A Project Eleven destacou que várias plataformas já permitem o uso de computação quântica na nuvem, como:
- Amazon Web Services (AWS);
- IBM Quantum;
- Google Quantum AI;
- Microsoft Azure Quantum.
Contexto tecnológico atual
De acordo com a Project Eleven, chips como o Heron da IBM e o Willow do Google atingem atualmente 156 e 105 qubits, respectivamente. Embora estejam longe dos 2.000 qubits necessários para uma quebra total de chaves ECC, os avanços têm sido constantes.
O termo “Q-Day” é usado para se referir ao momento em que um computador quântico conseguirá comprometer sistemas criptográficos padrão. Especialistas estimam que esse marco pode ser alcançado em menos de uma década, colocando em xeque a atual estrutura de segurança digital global.
Reações do ecossistema cripto
Jameson Lopp, influente defensor da privacidade digital e cypherpunk, comentou em 16 de março:
“Acho que estamos longe de uma crise, mas dado o quão difícil é mudar o Bitcoin, vale a pena começar a discutir seriamente.”
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Tether também está atenta
Paolo Ardoino, CEO da Tether, também reconheceu o risco, embora acredite que soluções serão implementadas a tempo:
“Estou confiante de que endereços de Bitcoin à prova de quântica estarão disponíveis antes de uma ameaça real se concretizar.”
Soluções e futuro da criptografia
Embora a ameaça ainda não seja iminente, há iniciativas sendo desenvolvidas para tornar o Bitcoin resistente à computação quântica, como:
- Criptografia pós-quântica (PQC): algoritmos em desenvolvimento para resistir às capacidades de computadores quânticos;
- Hard forks e atualizações no protocolo do Bitcoin: mudanças que poderiam tornar toda a rede compatível com novas formas de encriptação;
- Migração para novos endereços: incentivar os usuários a movimentarem fundos para endereços que não expuseram suas chaves públicas.
Bitcoin pode resistir?
A resiliência do Bitcoin dependerá da capacidade da comunidade em se adaptar rápido. O desafio da Project Eleven serve como um alerta antecipado e pode catalisar debates sobre o futuro da criptografia descentralizada.
Considerações finais

O desafio proposto pela Project Eleven marca um momento decisivo na história do Bitcoin e da criptografia digital. Embora a quebra de uma chave real de 256 bits ainda pareça distante, a iniciativa simboliza um ponto de inflexão no debate sobre segurança digital em um mundo com tecnologia quântica em avanço acelerado.
O que está em jogo?
- US$ 84 mil em BTC como prêmio;
- US$ 500 bilhões em risco potencial;
- A necessidade de repensar toda a estrutura criptográfica global.
Mesmo que nenhum competidor consiga vencer a prova, o verdadeiro legado do desafio pode ser a aceleração do desenvolvimento de soluções pós-quânticas e o reconhecimento coletivo de que a evolução da tecnologia exige vigilância constante.
