As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) iniciaram a terça-feira em queda no mercado brasileiro, refletindo a leitura da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) e comentários do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O movimento doméstico contrasta com o exterior, onde os rendimentos dos Treasuries registram leves altas no início da sessão.
Copom e fala de Haddad pressionam taxas dos DIs para baixo
Taxas dos DIs caem após ata do Copom e falas de Haddad; mercado avalia cortes da Selic enquanto Treasuries sobem.
Por volta das 9h44, o DI para janeiro de 2028 marcava 12,685%, recuo de 3 pontos-base ante o ajuste da véspera. Já o contrato para janeiro de 2035 caía 6 pontos-base, para 13,355%. No mercado internacional, o rendimento do Treasury de dez anos subia 1 ponto-base, a 4,284%, mantendo a referência global em trajetória oposta à curva local.
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O que puxou a queda dos DIs no Brasil
A leitura predominante entre investidores foi de cautela com viés mais benigno para a política monetária, após a divulgação da ata do Copom. O documento reforçou que a magnitude e a duração do ciclo de cortes da Selic serão definidas ao longo do tempo, conforme novas informações sejam incorporadas às análises.
O Banco Central do Brasil destacou que sinais mistos sobre a desaceleração da atividade e seus efeitos sobre os preços ainda dificultam a identificação de tendências claras, reiterando o compromisso com a meta de inflação de 3%. Essa comunicação ajudou a aliviar prêmios de risco em parte da curva de juros.
Selic a 15% e expectativa de cortes em março
Na semana passada, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a intenção de iniciar o ciclo de cortes em março. A principal dúvida do mercado é o tamanho do primeiro movimento.
As probabilidades precificadas na B3 indicavam, no dado mais recente, cerca de 50% de chance de um corte de 50 pontos-base, 34% de probabilidade de redução de 25 pontos-base e 7% de possibilidade de um corte de 75 pontos-base. Esse leque de cenários mantém a curva sensível a qualquer novidade de comunicação.
Falas de Haddad e o impacto na curva
Em entrevista à BandNews, Haddad afirmou ter levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva os nomes dos economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para as diretorias vagas do Banco Central. Segundo o ministro, a sugestão ocorreu há cerca de três meses e não houve convite até o momento.
O mercado reagiu com cautela ao nome de Mello, atual secretário de Política Econômica, visto por parte dos agentes como um perfil mais heterodoxo e potencialmente “dovish” na condução monetária. Na véspera, essa leitura contribuiu para a alta dos DIs; nesta terça, a acomodação veio com a ata do Copom, que reafirmou a prioridade da meta de inflação.
Por que o exterior segue diferente
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Enquanto o Brasil registra alívio na curva, os Treasuries sustentam altas leves. Investidores globais acompanham os desdobramentos da paralisação parcial do governo norte-americano, que trouxe incertezas adicionais ao calendário de divulgação de dados.
O Escritório de Estatísticas do Trabalho informou que o relatório de emprego payroll de janeiro não será divulgado na sexta-feira devido à paralisação, o que tende a aumentar a volatilidade e manter prêmios nos títulos americanos no curto prazo.
O que observar daqui para frente
No Brasil, o foco permanece na consistência da comunicação do Copom, nos dados de inflação e atividade e em qualquer sinal sobre o tamanho do primeiro corte da Selic. No exterior, a atenção se volta ao fluxo de informações econômicas e à normalização da agenda de dados nos EUA.
Para o investidor, a mensagem central é que o curto prazo seguirá volátil, com a curva de juros reagindo rapidamente a falas, atas e probabilidades implícitas. Estratégias devem considerar cenários alternativos e gestão de risco adequada.
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Imagem: TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO
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