Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Governo estabelece prazo de 10 anos para digitalização das redes de energia

O governo estabelece prazo de 10 anos para a digitalização das redes de energia elétrica no Brasil. Entenda como será a implantação.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
Energia

O Ministério de Minas e Energia (MME) oficializou, no dia 23 de junho, as diretrizes que estabelecem a digitalização obrigatória das redes de energia elétrica de baixa tensão em todo o país. A medida visa modernizar a infraestrutura elétrica brasileira, com um prazo de 10 anos para implementação total.

A regulamentação detalhada será responsabilidade da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que conduzirá os processos técnicos, operacionais e econômicos necessários.

O que muda com a digitalização das redes elétricas?

Homem digitando em calculadora enquanto segura uma lâmpada acessa na outra mão
Imagem: KT Stock photos / Shutterstock.com

Leia mais: Tarifa Social de Energia Elétrica: descubra quem tem direito à gratuidade na conta de luz no Paraná

Transição para redes inteligentes

A proposta busca substituir os atuais sistemas analógicos por redes inteligentes, com medidores digitais que permitem comunicação remota, gestão de consumo em tempo real e maior controle por parte dos consumidores e das distribuidoras.

Acesso a dados em tempo real

Essa medida garante que consumidores possam acessar informações detalhadas e, também, que empresas de tecnologia possam criar soluções inovadoras integradas às redes elétricas.

Naturalmente, o acesso e compartilhamento dos dados deverão seguir as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Papel da Aneel na regulamentação

Definição dos critérios técnicos e econômicos

A Aneel terá papel central na implementação da digitalização. Caberá à agência definir:

  • Responsabilidades sobre a propriedade dos medidores.
  • Fontes de financiamento, que poderão incluir recursos obtidos de receitas acessórias, como o aluguel de espaços em postes.
  • Padrões de segurança, desempenho e interoperabilidade dos sistemas.

Verificação independente

A norma também determina que todo o processo de medição, coleta e análise de dados seja auditado por verificadores independentes. Esses profissionais ou empresas deverão possuir acreditação técnica reconhecida pelo Inmetro ou entidade equivalente, garantindo total imparcialidade.

Por que a digitalização das redes é importante?

Benefícios econômicos e operacionais

O governo e o MME apontam uma série de benefícios com a digitalização das redes:

  • Redução de perdas não técnicas, como fraudes e desvios.
  • Combate à inadimplência, com corte remoto de energia em casos específicos.
  • Maior precisão na medição do consumo, reduzindo erros de faturamento.
  • Promoção da modicidade tarifária, ou seja, controle dos custos para os consumidores.

Resiliência e sustentabilidade

A modernização das redes também visa preparar o sistema elétrico para desafios futuros, como:

  • Aumento de eventos climáticos extremos.
  • Necessidade de maior resiliência no fornecimento.
  • Integração com fontes renováveis e sistemas de geração distribuída.
  • Estímulo ao uso eficiente da energia, com consumidores podendo ajustar seu consumo em tempo real.

Impacto direto no consumidor

Mais controle sobre o consumo

O consumidor passará a ter acesso em tempo real ao próprio consumo, podendo adotar medidas para reduzir gastos e otimizar o uso da energia.

Possibilidade de novos serviços

Com a API aberta, surgirão empresas que poderão oferecer soluções personalizadas, como alertas de alto consumo, comparativos de eficiência e recomendações de economia.

Abertura do mercado de energia

A medida também pavimenta o caminho para a abertura do mercado de energia para consumidores de baixa tensão, que poderão escolher seus fornecedores no futuro, estimulando a concorrência e a redução de preços.

Segurança cibernética como prioridade

A portaria do MME estabelece requisitos mínimos de segurança cibernética. As concessionárias deverão implementar protocolos que garantam a proteção contra:

  • Ataques cibernéticos.
  • Acesso não autorizado aos dados dos consumidores.
  • Manipulação indevida dos sistemas de medição e controle.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Indústria nacional e geração de empregos

Outro ponto relevante da norma é a priorização de produtos, serviços e tecnologias desenvolvidas no Brasil, desde que tecnicamente viáveis. Essa diretriz busca:

  • Estimular a indústria nacional.
  • Gerar empregos qualificados no setor de tecnologia e energia.
  • Reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

Próximos passos e cronograma da Aneel

itáu energia
Imagem: weerameth / Freepik

Consulta pública e desenvolvimento regulatório

O cronograma final de implementação ainda será definido pela Aneel.

A expectativa é que uma proposta final, com prazos intermediários, custos e modelos operacionais, seja apresentada até o fim de 2025.

Prazo máximo de 10 anos

Independentemente dos prazos intermediários, a determinação do MME é que a digitalização completa das redes de energia de baixa tensão aconteça em, no máximo, dez anos a partir da publicação da portaria.

FAQ – Perguntas frequentes

Quando começa a implantação?

O processo está em fase de regulamentação pela Aneel, que deverá apresentar um cronograma até o fim de 2025. O prazo total de implementação é de dez anos.

O consumidor terá que pagar pelos medidores?

A definição sobre quem arcará com os custos dos medidores será estabelecida pela Aneel, considerando critérios econômicos e de justiça social.

Considerações finais

De forma geral, a digitalização das redes de energia é um passo essencial para fortalecer a resiliência do sistema elétrico brasileiro, estimular a eficiência energética e acelerar a transição para um mercado mais aberto, competitivo e sustentável.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

Topicos relacionados