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Dinheiro e direitos esquecidos: veja como solicitar após a perda de um familiar

Descubra como recuperar valores e benefícios deixados por familiares falecidos. Evite perdas financeiras e saiba como solicitar o dinheiro.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
várias notas de R$ 100 e R$ 200 espalhadas

Quando um familiar falece, o foco imediato da família costuma estar nas providências relacionadas ao funeral e à despedida. No entanto, após esse momento inicial, há uma série de direitos e dinheiro que podem ser esquecidos, resultando em perdas significativas.

De acordo com levantamento da plataforma Planeje Bem, especializada em planejamento sucessório, famílias deixam de resgatar até R$ 50 mil, em média, por falta de informação e organização. Esses recursos fazem parte dos chamados ativos invisíveis — benefícios que existem, mas não são solicitados.

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O que são ativos invisíveis

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Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Ativos invisíveis são valores que pertenciam a uma pessoa falecida, mas que não foram reivindicados por seus herdeiros ou dependentes. Entre os exemplos mais comuns estão:

  • FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço);
  • Cotas do PIS/Pasep (para quem trabalhou entre 1971 e 1988);
  • Prêmios de seguros de vida;
  • Planos de previdência privada;
  • Auxílio-funeral;
  • Saldos bancários esquecidos;
  • Investimentos em ações ou fundos;
  • Herança digital (milhas, criptomoedas, arquivos e redes sociais).

Segundo especialistas, o principal motivo para esses dinheiros não serem recuperados é a desinformação, seguida pela desorganização de documentos.

Por que tantas famílias deixam de buscar seus direitos

Falta de conhecimento sobre benefícios

Muitos dependentes não têm ideia de que o falecido possuía determinados bens ou valores. Isso é comum quando o parente não compartilhava informações sobre sua vida financeira.

Desorganização documental

Sem contratos, apólices e comprovantes, o processo de solicitação do dinheiro torna-se mais difícil. Em alguns casos, a família não sabe sequer em quais instituições o falecido tinha contas ou investimentos.

Barreiras emocionais

Algumas pessoas evitam lidar com essas questões por receio de “chamar a morte” ou por não querer reviver o luto, adiando — e muitas vezes perdendo — o prazo para solicitar os valores.

Como se preparar em vida para evitar perdas futuras

Segundo a advogada especialista em Direito de Família e Sucessões Laura Brito, manter uma pasta organizada com documentos essenciais é uma forma de cuidado com os herdeiros. Essa pasta deve conter:

  • Documento de identidade e CPF;
  • Certidões (nascimento, casamento, óbito de cônjuge, se houver);
  • Apólices de seguro;
  • Declarações de Imposto de Renda;
  • Contratos com funerárias;
  • Informações de investimentos e contas bancárias;
  • Acesso a senhas e orientações sobre herança digital.

Passo a passo para identificar e solicitar valores

1. Contatar RH e sindicatos

O setor de Recursos Humanos das empresas em que o falecido trabalhou e o sindicato da categoria podem informar sobre:

  • Seguros de vida coletivos;
  • Planos de previdência privada;
  • Benefícios trabalhistas pendentes.

2. Consultar saldos bancários esquecidos

Acesse valoresareceber.bcb.gov.br com o CPF do falecido. É possível encontrar:

  • Contas encerradas com saldo;
  • Tarifas cobradas indevidamente;
  • Dinheiro não resgatado.

3. Verificar apólices de seguro de vida

O site da Superintendência de Seguros Privados (CNseg) permite checar se há seguros ativos no nome do falecido. Será necessário apresentar a certidão de óbito.

4. Solicitar pensão no INSS

Dependentes podem requerer pensão por morte pelo site ou aplicativo Meu INSS, apresentando documentos que comprovem vínculo e óbito.

5. Checar indenização do DPVAT

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Se a morte foi causada por acidente de trânsito até 31/12/2023, é possível solicitar o benefício junto à Caixa Econômica Federal.

6. Consultar benefícios de cartões de crédito

Alguns cartões oferecem seguro de vida e auxílio-funeral. Basta contatar o banco com os documentos comprobatórios.

Herança digital: um novo desafio

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Além dos bens físicos e valores em instituições financeiras, a herança digital é cada vez mais relevante. Ela inclui:

  • Milhas e pontos de programas de fidelidade;
  • Arquivos em nuvem;
  • Redes sociais;
  • Criptomoedas;
  • Plataformas de streaming.

O Projeto de Lei 4/2025, em tramitação no Senado, busca regulamentar como e por quem esses bens digitais podem ser acessados. Entretanto, especialistas alertam que, mesmo com a lei, termos de uso das plataformas podem impedir o acesso.

Depoimentos reais

A advogada Maria Pia Bastos-Tigre relata que, após a morte do avô, descobriu investimentos, contas e seguros que não estavam declarados no Imposto de Renda. O processo exigiu pesquisas no Banco Central, contato com bancos, seguradoras e empresas — cada um com procedimentos diferentes.

Depois dessa experiência, ela passou a conversar mais com a família sobre planejamento financeiro e documentação, reconhecendo que organizar informações em vida é um ato de cuidado.

Recomendações de especialistas

  • Não adiar a organização documental;
  • Comunicar aos familiares de confiança onde estão os registros;
  • Registrar informações de bens digitais e acessos;
  • Revisar periodicamente a pasta de documentos.

Conclusão

Recuperar dinheiro e direitos após a morte de um familiar exige informação, organização e ação rápida. O desconhecimento pode custar caro — não apenas financeiramente, mas também emocionalmente.
Organizar documentos em vida e saber onde buscar os recursos é uma medida preventiva que garante segurança para quem fica.

Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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