Quando um familiar falece, o foco imediato da família costuma estar nas providências relacionadas ao funeral e à despedida. No entanto, após esse momento inicial, há uma série de direitos e dinheiro que podem ser esquecidos, resultando em perdas significativas.
De acordo com levantamento da plataforma Planeje Bem, especializada em planejamento sucessório, famílias deixam de resgatar até R$ 50 mil, em média, por falta de informação e organização. Esses recursos fazem parte dos chamados ativos invisíveis — benefícios que existem, mas não são solicitados.
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O que são ativos invisíveis

Ativos invisíveis são valores que pertenciam a uma pessoa falecida, mas que não foram reivindicados por seus herdeiros ou dependentes. Entre os exemplos mais comuns estão:
- FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço);
- Cotas do PIS/Pasep (para quem trabalhou entre 1971 e 1988);
- Prêmios de seguros de vida;
- Planos de previdência privada;
- Auxílio-funeral;
- Saldos bancários esquecidos;
- Investimentos em ações ou fundos;
- Herança digital (milhas, criptomoedas, arquivos e redes sociais).
Segundo especialistas, o principal motivo para esses dinheiros não serem recuperados é a desinformação, seguida pela desorganização de documentos.
Por que tantas famílias deixam de buscar seus direitos
Falta de conhecimento sobre benefícios
Muitos dependentes não têm ideia de que o falecido possuía determinados bens ou valores. Isso é comum quando o parente não compartilhava informações sobre sua vida financeira.
Desorganização documental
Sem contratos, apólices e comprovantes, o processo de solicitação do dinheiro torna-se mais difícil. Em alguns casos, a família não sabe sequer em quais instituições o falecido tinha contas ou investimentos.
Barreiras emocionais
Algumas pessoas evitam lidar com essas questões por receio de “chamar a morte” ou por não querer reviver o luto, adiando — e muitas vezes perdendo — o prazo para solicitar os valores.
Como se preparar em vida para evitar perdas futuras
Segundo a advogada especialista em Direito de Família e Sucessões Laura Brito, manter uma pasta organizada com documentos essenciais é uma forma de cuidado com os herdeiros. Essa pasta deve conter:
- Documento de identidade e CPF;
- Certidões (nascimento, casamento, óbito de cônjuge, se houver);
- Apólices de seguro;
- Declarações de Imposto de Renda;
- Contratos com funerárias;
- Informações de investimentos e contas bancárias;
- Acesso a senhas e orientações sobre herança digital.
Passo a passo para identificar e solicitar valores
1. Contatar RH e sindicatos
O setor de Recursos Humanos das empresas em que o falecido trabalhou e o sindicato da categoria podem informar sobre:
- Seguros de vida coletivos;
- Planos de previdência privada;
- Benefícios trabalhistas pendentes.
2. Consultar saldos bancários esquecidos
Acesse valoresareceber.bcb.gov.br com o CPF do falecido. É possível encontrar:
- Contas encerradas com saldo;
- Tarifas cobradas indevidamente;
- Dinheiro não resgatado.
3. Verificar apólices de seguro de vida
O site da Superintendência de Seguros Privados (CNseg) permite checar se há seguros ativos no nome do falecido. Será necessário apresentar a certidão de óbito.
4. Solicitar pensão no INSS
Dependentes podem requerer pensão por morte pelo site ou aplicativo Meu INSS, apresentando documentos que comprovem vínculo e óbito.
5. Checar indenização do DPVAT
Se a morte foi causada por acidente de trânsito até 31/12/2023, é possível solicitar o benefício junto à Caixa Econômica Federal.
6. Consultar benefícios de cartões de crédito
Alguns cartões oferecem seguro de vida e auxílio-funeral. Basta contatar o banco com os documentos comprobatórios.
Herança digital: um novo desafio

Além dos bens físicos e valores em instituições financeiras, a herança digital é cada vez mais relevante. Ela inclui:
- Milhas e pontos de programas de fidelidade;
- Arquivos em nuvem;
- Redes sociais;
- Criptomoedas;
- Plataformas de streaming.
O Projeto de Lei 4/2025, em tramitação no Senado, busca regulamentar como e por quem esses bens digitais podem ser acessados. Entretanto, especialistas alertam que, mesmo com a lei, termos de uso das plataformas podem impedir o acesso.
Depoimentos reais
A advogada Maria Pia Bastos-Tigre relata que, após a morte do avô, descobriu investimentos, contas e seguros que não estavam declarados no Imposto de Renda. O processo exigiu pesquisas no Banco Central, contato com bancos, seguradoras e empresas — cada um com procedimentos diferentes.
Depois dessa experiência, ela passou a conversar mais com a família sobre planejamento financeiro e documentação, reconhecendo que organizar informações em vida é um ato de cuidado.
Recomendações de especialistas
- Não adiar a organização documental;
- Comunicar aos familiares de confiança onde estão os registros;
- Registrar informações de bens digitais e acessos;
- Revisar periodicamente a pasta de documentos.
Conclusão
Recuperar dinheiro e direitos após a morte de um familiar exige informação, organização e ação rápida. O desconhecimento pode custar caro — não apenas financeiramente, mas também emocionalmente.
Organizar documentos em vida e saber onde buscar os recursos é uma medida preventiva que garante segurança para quem fica.
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

