Seu Crédito Digital
O Seu Crédito Digital é um portal de conteúdo em finanças, com atualizações sobre crédito, cartões de crédito, bancos e fintechs.

Dívida pública dispara e governo agora deve quase R$ 8 trilhões

A dívida pública federal (DPF) registrou um crescimento de R$ 212,2 bilhões em junho de 2025, alcançando um total de R$ 7,883 trilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira (28). O aumento representa uma variação de 2,77% em relação ao mês de maio, quando o estoque da dívida era de R$ 7,670 trilhões.

A principal responsável por essa alta foi a Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), que teve um incremento significativo em seu estoque. Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou recuo no mesmo período.

Leia mais:

Governo publica regras do Meu INSS Vale+

Brasil dívida pública
Imagem: Shutterstock

Composição da dívida: participação da DPMFi cresce

Aumento da dívida interna e redução da externa

Em termos de composição, houve um leve aumento da participação da DPMFi na estrutura total da dívida pública. Em maio, a dívida interna correspondia a 95,97% do total; em junho, passou a representar 96,17%. Em contrapartida, a dívida externa caiu de 4,03% para 3,83%.

Essa mudança reflete a estratégia do Tesouro Nacional de priorizar o financiamento doméstico da dívida pública, reduzindo a exposição ao câmbio e à volatilidade externa.

Detalhamento da DPMFi

A DPMFi cresceu 2,99% no mês, saindo de R$ 7,361 trilhões para R$ 7,581 trilhões. O crescimento foi puxado principalmente por:

  • Emissão líquida positiva de R$ 154,62 bilhões;
  • Apropriação de juros no valor de R$ 65,13 bilhões.

Esses dois fatores somados explicam a maior parte do acréscimo observado na dívida interna, que continua sendo o principal componente da DPF.

Queda na dívida pública externa

Recuo de mais de 2% em junho

Enquanto a dívida interna cresceu, a dívida pública federal externa (DPFe) caiu 2,28% no mês. O estoque total da DPFe ficou em R$ 302,12 bilhões (equivalente a US$ 55,36 bilhões).

Desse montante:

  • R$ 250,84 bilhões (US$ 45,97 bilhões) correspondem à dívida mobiliária externa;
  • R$ 51,28 bilhões (US$ 9,40 bilhões) referem-se à dívida contratual.

A valorização do real frente ao dólar e o menor volume de emissões externas justificam o recuo na dívida externa.

Custo da dívida apresenta leve queda

Redução do custo médio da dívida

Outro dado relevante do relatório é a redução no custo médio acumulado da DPF nos últimos 12 meses. Em maio, esse custo era de 11,73% ao ano. Em junho, caiu para 11,41% ao ano.

Essa queda é um reflexo da tendência de desaceleração da inflação, da expectativa de manutenção da taxa Selic em patamares mais baixos e da gestão ativa da dívida por parte do Tesouro Nacional.

Emissões e resgates da dívida em junho

Saldo líquido positivo favorece aumento do estoque

As emissões da Dívida Pública Federal em junho somaram R$ 177,09 bilhões, enquanto os resgates totalizaram R$ 17,91 bilhões. Isso resultou em uma emissão líquida de R$ 159,19 bilhões, sendo:

  • R$ 154,62 bilhões provenientes da DPMFi;
  • R$ 4,57 bilhões oriundos da DPFe.

Esse saldo líquido explica boa parte do crescimento da dívida em junho, ao lado dos juros incorporados ao estoque.

Tesouro Direto mantém participação

tesouro direto
Imagem: Number1411 / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

No caso específico do Tesouro Direto — plataforma de venda de títulos ao investidor pessoa física — foram registradas emissões de R$ 5,766 bilhões e resgates de R$ 2,922 bilhões. O resultado foi uma emissão líquida de R$ 2,844 bilhões.

O título mais procurado pelos investidores foi o Tesouro Selic, que respondeu por 55,88% do volume de vendas. O produto é considerado o mais seguro em tempos de instabilidade por estar atrelado à taxa básica de juros.

Crescimento da reserva de liquidez

Colchão da dívida ultrapassa R$ 1 trilhão

Outro ponto de destaque do relatório é o aumento da reserva de liquidez, conhecida como colchão da dívida. Esse colchão compreende o volume de caixa reservado exclusivamente para o pagamento da dívida pública, funcionando como uma espécie de amortecedor em caso de dificuldades no mercado.

Em maio, o valor do colchão era de R$ 861,30 bilhões. Em junho, subiu 19,64% e fechou o mês em R$ 1,03 trilhão. Apesar do crescimento mensal, em comparação com o mesmo mês do ano anterior houve queda nominal de 6,72%.

Esse movimento fortalece a posição fiscal do governo, conferindo maior margem de segurança para enfrentar oscilações no mercado ou períodos de incerteza política e econômica.

Estratégia de financiamento da dívida

Preferência por títulos pós-fixados e prefixados

O Tesouro Nacional continua dando preferência aos títulos pós-fixados, como os atrelados à Selic, e aos títulos prefixados. Essa estratégia visa mitigar os riscos associados à volatilidade dos índices de preços e facilitar o planejamento da gestão da dívida.

Além disso, a emissão de títulos de longo prazo, como os indexados ao IPCA, segue como ferramenta de alongamento do perfil da dívida — outro objetivo declarado da política fiscal do governo federal.

Alongamento do prazo médio

O Tesouro também busca manter e, quando possível, alongar o prazo médio da dívida. Isso reduz o risco de refinanciamento e dá mais previsibilidade à trajetória fiscal do país.

No entanto, esse movimento depende do apetite dos investidores e do cenário econômico. Em ambientes de incerteza, como em anos eleitorais ou com tensões internacionais, o custo para alongar os prazos tende a ser mais alto.

Importância do monitoramento da DPF

Indicador-chave da sustentabilidade fiscal

A evolução da dívida pública federal é um dos principais indicadores da sustentabilidade fiscal do país. O aumento do endividamento, quando associado a gastos correntes não sustentáveis, pode comprometer a confiança dos investidores e aumentar os custos de financiamento do Estado.

Por isso, o Tesouro Nacional publica mensalmente o Relatório da Dívida Pública, com dados detalhados sobre composição, prazos, emissões, resgates, custo médio e estratégia de financiamento.

Sinalizações para o mercado

O comportamento da dívida influencia diretamente a percepção de risco do país, os juros futuros e o apetite dos investidores por títulos do governo. Quando o crescimento da dívida é compensado por boa gestão e reservas de liquidez robustas, como foi o caso em junho, o impacto no mercado tende a ser menor.

Entretanto, a trajetória de longo prazo da dívida continua sendo acompanhada com atenção por analistas, agências de rating e instituições financeiras.

Perspectivas para os próximos meses

Crédito
Imagem: Rafastockbr/Shutterstock.com

Expectativas de manutenção do patamar elevado

Com o avanço da reforma tributária e a necessidade de financiar programas sociais e investimentos em infraestrutura, a tendência é que a dívida pública continue crescendo nos próximos meses — ainda que em ritmo controlado.

O desafio será manter a confiança dos agentes econômicos e evitar deterioração das expectativas fiscais, sobretudo em um cenário global ainda instável.

Impacto da política monetária

A trajetória da Selic também influenciará diretamente o custo da dívida. A expectativa de manutenção da taxa básica em níveis elevados contribui para encarecer o serviço da dívida no curto prazo, apesar da leve redução observada em junho.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital