Nesta terça-feira (26), o mercado financeiro brasileiro e internacional mostrou-se instável com oscilações no dólar e na bolsa de valores, reflexo de acontecimentos relevantes tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
Dólar inicia dia em baixa com notícia sobre diretora do Fed
Dólar oscila após demissão no Fed e inflação baixa no Brasil; Ibovespa cai, impactando mercados financeiros nesta terça-feira.
O dólar comercial começou o dia em baixa, influenciado pela demissão inesperada de Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (Fed), pelo presidente Donald Trump, e pela divulgação da prévia da inflação brasileira, o IPCA-15. Ao mesmo tempo, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, registrou queda.
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Panorama do dólar e Ibovespa

O dólar comercial encerrou o dia anterior em queda de 0,19%, cotado a R$ 5,4153, após uma sequência de perdas acumuladas no mês.
Já o Ibovespa havia fechado em leve alta de 0,04%, aos 138.025 pontos. No entanto, durante a manhã de terça-feira, o dólar avançava 0,32%, atingindo R$ 5,4325, enquanto o Ibovespa recuava 0,51%, para 137.317 pontos, evidenciando a volatilidade e as incertezas nos mercados.
Demissão de Lisa Cook pelo presidente Donald Trump
Contexto e impacto da decisão
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de demitir Lisa Cook, diretora do Conselho de Governadores do Federal Reserve, gerou inquietação nos mercados internacionais.
Lisa Cook é a primeira mulher negra a ocupar essa posição e sua saída, anunciada nas redes sociais e oficializada por uma carta assinada por Trump, foi justificada por acusações envolvendo hipotecas e uma alegada falta de confiança na integridade da diretora.
Trump, que já havia ameaçado a demissão caso Cook não renunciasse voluntariamente, reforçou sua posição contra o que considera uma atuação inadequada do Fed, especialmente em relação à política de juros.
Consequências para a credibilidade do Fed
Especialistas apontam que essa medida representa um ataque à independência do banco central americano, que historicamente opera com autonomia para garantir a estabilidade econômica dos EUA.
A economista Andressa Durão, do ASA, destaca que nunca houve uma demissão por justa causa de um membro do Fed e que o caso pode desencadear uma disputa judicial longa, colocando em risco a credibilidade da instituição.
Apesar do cenário turbulento, Durão prevê que o mercado deve superar esse impacto no curto prazo. No entanto, caso a saída de Cook se confirme, a expectativa é que o Fed adote uma postura mais flexível (“dovish”), alinhada à preferência de Trump por juros mais baixos para estimular o crescimento.
Prévia da inflação brasileira: IPCA-15 de agosto
Resultado e comparação com expectativas
No Brasil, a atenção dos investidores também se voltou para a divulgação do IPCA-15, índice que mede a inflação prévia do mês. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou uma queda de 0,14% em agosto, a primeira deflação do índice em mais de dois anos.
Apesar do resultado positivo para o bolso do consumidor, a queda ficou aquém das expectativas do mercado, que previa uma retração entre 0,19% e 0,22%.
Essa desaceleração inflacionária acompanha a tendência de revisão para baixo das projeções, evidenciada pelo boletim Focus, que apontou a 13ª semana consecutiva de redução nas estimativas de inflação para o Brasil.
Principais influências na inflação
O fator principal para a queda do IPCA-15 foi a redução no preço da energia elétrica residencial (-4,93%), decorrente do Bônus de Itaipu aplicado nas contas de luz de agosto.
No entanto, o impacto foi parcialmente compensado pela vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que acrescenta custos às faturas de energia.
Na comparação anual, o índice acumulado em 12 meses alcançou 4,95%, sinalizando um controle moderado da inflação, ainda dentro da meta estipulada pelo Banco Central.
Reações do mercado à demissão no Fed e à inflação brasileira
Volatilidade no câmbio e na bolsa
A combinação da notícia da demissão no Fed e do resultado da inflação brasileira contribuiu para a oscilação no mercado cambial e acionário. Enquanto o dólar mostrou uma leve valorização durante a manhã, o Ibovespa sofreu uma queda moderada.
O dólar, que acumula recuo de 12,37% no ano e 3,31% no mês, reagiu à insegurança política nos EUA, enquanto o Ibovespa, que acumula alta de 14,75% no ano, mostrou sensibilidade às informações econômicas locais e internacionais.
Perspectivas para os próximos dias
Analistas financeiros ressaltam que o mercado seguirá atento às repercussões da demissão da diretora do Fed e aos próximos dados econômicos brasileiros, que poderão influenciar a trajetória dos juros, câmbio e ações.
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A política monetária dos EUA permanece um ponto crucial, especialmente diante da pressão do presidente Trump para reduzir taxas de juros.
Entenda o que influencia a cotação do dólar
Fatores externos
A cotação do dólar é influenciada por decisões políticas e econômicas nos Estados Unidos, especialmente aquelas relacionadas ao Fed, que determina as taxas de juros que impactam investimentos globais. A estabilidade e autonomia do banco central americano são cruciais para a confiança dos investidores.
Fatores internos
No Brasil, indicadores econômicos como inflação, PIB, desemprego e política fiscal afetam diretamente a valorização ou desvalorização do real frente ao dólar. A divulgação de índices como o IPCA-15 é fundamental para que o Banco Central ajuste sua política monetária, impactando o câmbio.
O que esperar do mercado financeiro brasileiro

Influência das notícias internacionais
As turbulências políticas nos EUA tendem a causar volatilidade no mercado brasileiro, principalmente no câmbio, dada a forte ligação econômica entre os dois países. A possível mudança no perfil do Fed pode alterar expectativas de juros, atraindo ou repelindo capital estrangeiro.
Cenário econômico nacional
Com a inflação mostrando sinais de desaceleração e a economia apresentando sinais mistos, o Banco Central do Brasil deverá manter cautela nas próximas decisões. O mercado aguarda dados sobre atividade econômica e política fiscal para definir a trajetória dos juros e do real.
Conclusão
A terça-feira, 26 de agosto de 2025, iniciou com os mercados globais em alerta. A demissão da diretora do Fed, Lisa Cook, por Donald Trump, simboliza uma fase de incertezas para a política monetária americana e reflete diretamente na oscilação do dólar e da bolsa brasileira.
Simultaneamente, a divulgação do IPCA-15, que indicou a primeira queda na inflação em mais de dois anos, traz um contraponto positivo para o cenário econômico brasileiro, apesar de ter ficado abaixo das expectativas.
Os investidores continuam acompanhando atentamente esses desdobramentos, que devem pautar as estratégias econômicas e financeiras nos próximos dias, tanto no Brasil quanto internacionalmente.
O equilíbrio entre fatores internos e externos será determinante para a estabilidade dos mercados e para o rumo da economia nos meses seguintes.
