Dólar fecha abaixo de R$5,60 após conversa entre Trump e Xi
Dólar cai abaixo de R$5,60 após sinal do BCE e conversa entre Trump e Xi Jinping. Entenda o cenário.
Em um dia marcado por eventos internacionais decisivos, o dólar recuou fortemente frente ao real, fechando abaixo de R$5,60 pela primeira vez em 2025. O movimento foi impulsionado por dois fatores centrais: a sinalização do Banco Central Europeu (BCE) de uma pausa no ciclo de cortes de juros e o avanço nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China. A combinação desses elementos gerou uma onda de otimismo nos mercados e valorizou moedas de países emergentes, como o Brasil.
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Recuo expressivo marca nova mínima do ano
O dólar à vista registrou queda de 1,03%, encerrando o dia cotado a R$5,5871, o menor patamar do ano e o mais baixo desde 14 de outubro de 2024. Desde o início de 2025, a moeda americana já acumula desvalorização de 9,58%, refletindo a instabilidade no cenário externo e o apetite por risco dos investidores.
Já o contrato futuro de dólar com vencimento em julho, considerado o mais líquido na B3, também apresentou retração de 0,82%, cotado a R$5,6165 às 17h45.
BCE reduz juros, mas adota tom cauteloso
No início do dia, o Banco Central Europeu anunciou a esperada redução em suas taxas de juros. No entanto, o destaque ficou por conta do posicionamento mais conservador da autoridade monetária, que indicou uma possível pausa nos cortes futuros.
“No nível atual, acreditamos que estamos em uma boa posição para navegar pelas circunstâncias incertas que virão”, afirmou a presidente do BCE, Christine Lagarde, durante entrevista coletiva. Ela reforçou que não há compromisso prévio quanto à continuidade dos cortes, o que reduziu as apostas do mercado em novas reduções no curto prazo.
Essa postura fortaleceu o euro frente ao dólar, levando o índice da moeda americana, que mede sua força diante de uma cesta de seis divisas, a recuar 0,04%, ficando em 98,758 no fim da tarde.
Diálogo entre EUA e China anima investidores
Outro fator que contribuiu para o enfraquecimento do dólar foi a sinalização de melhora nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China. Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping conversaram por telefone nesta quinta-feira (5), focando nas disputas tarifárias que vinham elevando o risco global.
Pelas redes sociais, Trump afirmou que o diálogo teve uma “conclusão muito positiva” e que novas rodadas de negociação seriam agendadas. A reação dos mercados foi imediata: os investidores interpretaram o gesto como um sinal de distensão entre as duas potências, abrindo espaço para maior confiança no comércio internacional.
“O movimento geral do mercado é de tomada de risco em meio ao avanço das negociações entre Trump e Xi Jinping. Moedas de países emergentes e ligados a commodities são especialmente beneficiadas, pela forte exposição à economia chinesa”, avaliou Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
Real lidera entre emergentes com apoio externo
Com a combinação entre a pausa do BCE e a reaproximação diplomática entre EUA e China, os mercados emergentes foram diretamente beneficiados. O real se destacou entre as moedas de maior valorização, acompanhando o entusiasmo global em relação a ativos de maior risco.
Esse ambiente favorável contrastou com a ausência de notícias relevantes no plano doméstico. O mercado segue à espera de desdobramentos sobre o novo pacote fiscal que está sendo discutido entre o governo federal e o Congresso. A proposta pode substituir as elevações no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) anunciadas recentemente pela equipe econômica, mas ainda carece de definições.
Oscilações marcaram a jornada do dólar
Apesar do fechamento em queda expressiva, o dólar iniciou o dia com leve alta, chegando à cotação máxima de R$5,6382 às 9h10. A moeda, no entanto, passou a perder força no decorrer da manhã, atingindo a mínima de R$5,5779 por volta das 14h17, em um movimento que refletiu o avanço das negociações sino-americanas e o impacto das declarações do BCE.
Com a aproximação do fim do pregão, o dólar se acomodou, embora tenha mantido o viés de baixa frente à maioria das moedas globais.