O dólar abriu em queda na manhã desta terça-feira (12), acompanhando os recentes dados inflacionários divulgados no Brasil e nos Estados Unidos, que ficaram abaixo das expectativas do mercado.
Dólar cai nesta terça-feira acompanhando dados de inflação no Brasil e EUA
Dólar cai após dados de inflação abaixo do esperado no Brasil e EUA. Ibovespa sobe e mercado reage a sinais nas taxas de juros em agosto.
Por volta das 10h53, a moeda americana caía 0,53%, cotada a R$ 5,415, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subia 1,42%, atingindo 137.546 pontos.
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Dados inflacionários no Brasil: IPCA de julho surpreende positivamente

Nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da inflação no Brasil.
IPCA registra alta de 0,26% em julho e desacelera em 12 meses
No mês de julho, o IPCA registrou alta de 0,26%, ligeiramente acima da taxa de 0,24% observada em junho, mas ainda assim abaixo das projeções de mercado, que apontavam para uma alta de 0,37%.
No acumulado dos últimos 12 meses, o índice avançou 5,23%, abaixo dos 5,35% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.
Essa desaceleração indica um controle gradual da inflação no país, contribuindo para a confiança dos investidores e ajudando a pressionar o dólar para baixo.
Impactos do IPCA no mercado financeiro
O dado do IPCA reforça a expectativa de que o Banco Central do Brasil pode manter a taxa básica de juros (Selic) estável ou realizar ajustes mais brandos nas próximas reuniões, reduzindo a pressão sobre a moeda americana e favorecendo a valorização do real.
Inflação nos Estados Unidos: CPI surpreende com leve desaceleração
Além do Brasil, o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos também foi divulgado nesta terça, apresentando alta de 2,7% em 12 meses, abaixo da previsão de 2,8% apontada pelos economistas.
Reação do mercado americano
A inflação menor do que o esperado nos EUA aumentou as expectativas de que o Federal Reserve (Fed) possa reduzir as taxas de juros na reunião de setembro.
Atualmente, as projeções indicam que a taxa básica de juros americana poderá ficar entre 4,00% e 4,25% ao ano, um movimento que favorece a queda do dólar frente a outras moedas.
Influência do Federal Reserve e declarações de Donald Trump
O presidente Donald Trump voltou a pressionar publicamente o Fed para reduzir os juros imediatamente, inclusive mencionando uma possível ação judicial contra o chair do banco central americano, Jerome Powell.
Embora as declarações tenham gerado repercussão, o mercado tem acompanhado principalmente os dados econômicos para definir suas expectativas.
Contexto político e econômico: tarifas e relações internacionais
Tarifaço dos EUA ao Brasil e resposta do governo brasileiro
Em meio a um impasse comercial, os Estados Unidos aumentaram as tarifas sobre produtos brasileiros para 50%, o que levou o Planalto a classificar a medida como unilateral e prejudicial ao comércio bilateral.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente chinês Xi Jinping na última segunda-feira (11), discutindo o papel do G20 e do BRICS na defesa do multilateralismo e reforçando alianças estratégicas em um momento de tensão comercial.
Expectativas para o plano de contingência do governo brasileiro
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou de audiência pública sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e destacou a necessidade de medidas para conter os impactos das sobretaxas impostas pelos EUA, que afetam diretamente exportadores brasileiros.
Reação dos mercados globais e tendências para os próximos meses
Bolsas internacionais e desempenho de Wall Street
As bolsas de Wall Street abriram em alta nesta terça-feira, refletindo a confiança dos investidores em dados de inflação mais moderados e na possibilidade de um afrouxamento monetário pelo Fed.
Na Ásia, as bolsas também fecharam em alta após o anúncio da prorrogação por mais 90 dias da suspensão das tarifas sobre importações chinesas, indicando avanços nas negociações comerciais entre Pequim e Washington.
Ibovespa e perspectivas para o mercado brasileiro
No Brasil, o Ibovespa apresentou alta expressiva de 1,42%, impulsionado pelo cenário mais favorável da inflação e expectativas positivas sobre a política econômica. O índice acumula alta de 12,75% no ano, refletindo a melhora na percepção dos investidores sobre o país.
Tendências para o dólar e câmbio até o final do ano
Com os dados de inflação controlados e sinais de que tanto o Banco Central brasileiro quanto o Fed possam adotar políticas monetárias mais brandas, a expectativa é que o dólar mantenha trajetória de queda ou estabilização frente ao real até o final de 2025.
No entanto, fatores geopolíticos, decisões políticas e volatilidades internacionais ainda podem influenciar os movimentos cambiais no curto prazo.
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Entenda o que influencia a cotação do dólar
Fatores domésticos
- Inflação e indicadores econômicos locais;
- Política monetária do Banco Central (taxa Selic);
- Cenário político e fiscal do país;
- Fluxo de investimentos estrangeiros e saldo comercial.
Fatores internacionais
- Política monetária do Federal Reserve;
- Relações comerciais e tarifas entre países;
- Condições econômicas globais;
- Eventos geopolíticos e crises internacionais.
O que esperar para o mercado financeiro após os dados de inflação

Possíveis ajustes na taxa Selic
O Banco Central brasileiro deve avaliar os dados do IPCA de julho e as projeções para os próximos meses antes de decidir sobre a manutenção ou corte da taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano.
Impacto nas decisões de investidores
Com a inflação controlada e sinais de queda no dólar, os investidores tendem a aumentar a exposição a ativos em reais, como ações brasileiras, favorecendo a recuperação do mercado acionário.
Influência nas exportações e tarifas
A tensão comercial com os Estados Unidos e a imposição de tarifas elevadas podem pressionar determinados setores exportadores, o que deverá ser monitorado para evitar impactos negativos mais profundos na economia brasileira.
Conclusão
A queda do dólar nesta terça-feira (12) foi motivada pelos dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, ambos abaixo das expectativas do mercado, sinalizando um possível alívio na política monetária dos dois países.
O IPCA de julho mostrou desaceleração da inflação brasileira, enquanto o CPI dos EUA indicou uma alta menor que a prevista.
Esses indicadores influenciam diretamente o câmbio e o mercado financeiro, refletindo nas altas do Ibovespa e na valorização do real frente ao dólar. Ainda assim, o cenário político e comercial, marcado pelas sobretaxas dos EUA e conversas multilaterais, exige atenção dos investidores e autoridades.
Nos próximos meses, os mercados globais devem acompanhar de perto as decisões do Banco Central brasileiro e do Federal Reserve, bem como o desenrolar das negociações comerciais, para definir a direção dos preços do dólar e dos ativos financeiros.
