Dólar opera em queda com liquidez limitada; confira o valor atualizado
Nesta quinta-feira (2), o dólar à vista opera em queda frente ao real, após uma abertura positiva, refletindo a divulgação de dados de emprego acima do esperado nos Estados Unidos.
O mercado também opera com liquidez reduzida devido ao encerramento antecipado das bolsas norte-americanas, que fecharão às 14h (horário de Brasília) por conta do feriado do Dia da Independência dos EUA, celebrado nesta sexta-feira (4).
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Dados de emprego nos EUA surpreendem e mexem com o câmbio
Payroll supera expectativas
O destaque do dia ficou por conta do relatório de empregos não agrícolas (payroll) dos Estados Unidos, que mostrou criação de 147 mil vagas no último mês, superando a projeção de 110 mil dos analistas consultados pela Reuters.
Impacto nas apostas de corte de juros
Com o dado mais forte do que o esperado, o mercado reduziu a precificação de cortes de juros pelo Federal Reserve. A chance de um corte já na próxima reunião, em julho, caiu de 24% para apenas 6%, enquanto a probabilidade de uma redução em setembro passou de 98% para 80%.
Esse movimento sinaliza que o Fed deverá manter os juros elevados por mais tempo, como vem defendendo seu presidente, Jerome Powell, que alerta para os efeitos inflacionários de medidas protecionistas e aguarda novos dados para tomar decisões.
Cotação do dólar hoje
Dólar à vista e dólar futuro
Às 11h desta quinta-feira (3), o dólar à vista recuava 0,16%, cotado a R$ 5,413 na venda. Na B3, o dólar futuro para agosto, o contrato mais líquido atualmente, subia 0,16%, a 5.470 pontos.
Na sessão anterior, o dólar havia fechado com baixa de 0,77%, a R$ 5,4191 — a menor cotação desde 19 de agosto de 2024.
Dólar comercial e dólar turismo
Banco Central atua no mercado de câmbio
Leilão de swap cambial
O Banco Central do Brasil anunciou a realização de um leilão de até 35 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem de vencimentos de 1º de agosto de 2025. A operação visa suavizar a volatilidade do câmbio e garantir maior previsibilidade ao mercado neste período de liquidez mais restrita.
Pressões adicionais sobre moedas emergentes
Dólar ganha força globalmente
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,62%, a 97,357 pontos nesta quinta. O resultado reflete a confiança do mercado na resiliência da economia norte-americana, mesmo com sinais de desaceleração anteriores.
Menor atratividade de países emergentes
Para moedas de países emergentes como o real, a perspectiva de manutenção de juros altos nos EUA representa uma pressão negativa, já que reduz o diferencial de juros que atrai capitais estrangeiros para esses mercados. Com menor incentivo para entrada de dólares, a moeda brasileira tende a perder força.
Cenário internacional também pesa
Negociações comerciais dos EUA
Além dos dados econômicos, os investidores monitoram o andamento das negociações comerciais dos Estados Unidos com seus principais parceiros, incluindo Japão, União Europeia e Índia. O prazo final para que acordos sejam firmados, evitando a imposição de tarifas mais elevadas, é 9 de julho.
Na quarta-feira (2), o ex-presidente norte-americano Donald Trump, que lidera a corrida republicana, anunciou um acordo comercial com o Vietnã, mas ainda busca entendimentos com outros blocos estratégicos.
Feriado nos EUA afeta liquidez global
Encerramento antecipado das bolsas
Nesta quinta-feira, os mercados dos EUA encerram as negociações às 14h (horário de Brasília), em preparação para o feriado de 4 de julho, data em que as bolsas permanecerão fechadas. O feriado reduz a liquidez global e limita a volatilidade dos ativos nos mercados internacionais.
Menor volume no Brasil
No Brasil, operadores já precificam uma sessão com menos volume, o que pode amplificar movimentos pontuais de compra e venda. Investidores também aguardam a divulgação de novos dados econômicos locais e decisões do Banco Central sobre os juros, o que pode influenciar o câmbio nos próximos dias.
Expectativas para os próximos dias
Volatilidade deve continuar
Com a proximidade da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil e da próxima reunião do Federal Reserve, os analistas projetam volatilidade nos mercados de câmbio ao longo de julho. Os investidores devem continuar atentos a:
- Dados de inflação nos EUA;
- Evolução das negociações comerciais internacionais;
- Sinalizações da política monetária brasileira.
Foco no diferencial de juros
A diferença entre os juros dos EUA e do Brasil continuará sendo fator central para a trajetória do dólar. Caso o Fed mantenha os juros altos por mais tempo e o Copom sinalize novos cortes, o real pode sofrer desvalorização adicional no segundo semestre de 2025.
Conclusão: cautela e dados fortes pautam o câmbio
O recuo do dólar à vista nesta quinta-feira, mesmo com os dados positivos de emprego nos Estados Unidos, reflete movimentos técnicos, atuação do Banco Central e expectativas moderadas para o curto prazo. Com o feriado do 4 de julho limitando as negociações internacionais, os olhos do mercado se voltam para a próxima semana, quando os dados econômicos e decisões de política monetária nos EUA e no Brasil devem voltar a influenciar fortemente o comportamento do câmbio.
Enquanto isso, o investidor deve seguir atento às mudanças no cenário global, ao papel do Fed na condução dos juros e às condições políticas e fiscais domésticas, que também impactam o real.