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Dólar em queda no exterior com atenção a Jackson Hole e à Ucrânia

Dólar recua após cúpula EUA-Ucrânia, com foco em Powell e expectativa de corte de juros nos EUA.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
dolar

O mercado cambial iniciou esta terça-feira (19) em clima de leve alívio, com o dólar operando em baixa frente às principais moedas globais. A retração ocorre após a conclusão da cúpula da Casa Branca sobre a Ucrânia, na qual o presidente norte-americano Donald Trump reafirmou apoio à segurança ucraniana, sinalizando abertura para negociações de paz com a Rússia. A moeda americana devolve parte dos ganhos recentes em um cenário ainda marcado pela incerteza geopolítica e pelas expectativas em torno do simpósio de Jackson Hole, onde o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, discursará sobre a economia dos Estados Unidos na sexta-feira (22).

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Imagem: jcomp – freepik

Índice do Dólar recua com menor aversão ao risco

Dados do mercado nesta manhã

Às 7h40 (horário de Brasília), o Índice do Dólar (DXY) — que mede o desempenho da moeda dos EUA frente a uma cesta de seis divisas principais — recuava 0,19%, para 97,835, após uma leve alta durante a noite. A retração reflete o ajuste de posições dos investidores, após o avanço da véspera.

Apoio de Trump a Zelenskiy repercute positivamente

Na segunda-feira, Trump afirmou ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, que Washington apoiará qualquer acordo que assegure a integridade territorial da Ucrânia. Embora o posicionamento tenha sido considerado um avanço diplomático, a ausência de um cessar-fogo concreto e os contínuos ataques da Rússia mantêm o mercado em estado de alerta.

Durante a madrugada, a força aérea ucraniana relatou um dos maiores bombardeios do mês, com 270 drones e 10 mísseis lançados por Moscou.

“Apesar de a trajetória para a paz parecer um pouco mais definida após as cúpulas de sexta e segunda-feira, os mercados seguem cautelosos. Isso é compreensível, já que as questões territoriais representam o maior desafio pela frente”, comentaram analistas do ING.

Fed no radar: Powell discursa em Jackson Hole

Foco volta para política monetária

Além das tensões no Leste Europeu, os mercados monitoram de perto a agenda do Federal Reserve, especialmente após recentes declarações de dirigentes que indicam abertura para cortes de juros nos próximos meses.

Hoje, a governadora do Fed, Michelle Bowman, conhecida por sua posição mais favorável à redução da taxa, também fará um discurso.

Expectativa por corte em setembro

Atualmente, o mercado precifica com 83% de probabilidade um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros dos EUA já em setembro. As atenções se voltam para as atas do FOMC, que serão divulgadas nesta quarta-feira (20), e o simpósio de Jackson Hole, que pode trazer sinais mais claros sobre o rumo da política monetária norte-americana.

“Esperamos que o dólar perca algum suporte conforme se aproximam as atas do FOMC de amanhã – há o risco de mais de dois dirigentes se mostrarem favoráveis a cortes – e o simpósio de Jackson Hole”, pontuou o ING.

Euro avança com conversas de paz

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Imagem: jcomp/Freepik

EUR/USD rompe resistência técnica

Na zona do euro, o par EUR/USD avançava 0,1%, para 1,1677, com a moeda europeia se valorizando após a reunião de líderes do bloco em Washington, que também discutiu o conflito entre Ucrânia e Rússia.

Analistas veem potencial de alta para o euro no curto prazo, caso a diplomacia avance de forma mais firme:

“Identificamos riscos de alta no EUR/USD para o restante da semana. Uma volta acima de 1,1700 permanece bastante plausível antes do final da semana”, destacou o ING.

Riscos fiscais podem limitar ganhos

Apesar do otimismo momentâneo, os analistas alertam que a possibilidade de maior envolvimento financeiro dos países europeus em um eventual acordo de paz pode pressionar o euro futuramente. O mesmo raciocínio se aplica à libra esterlina.

Libra sobe à espera de dados de inflação

Mercado reprecifica apostas do Banco da Inglaterra

O par GBP/USD subia 0,1%, para 1,3520, em antecipação aos dados de inflação do Reino Unido, que serão divulgados nesta quarta-feira (20). As projeções apontam para aceleração nos preços, com impacto direto sobre a política monetária britânica.

As estimativas do ING são de:

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  • Inflação geral em 3,7%;
  • Inflação de serviços em 4,8%.

Esse cenário deve reforçar a expectativa de que o Banco da Inglaterra (BoE) mantenha uma postura mais hawkish, adiando cortes na taxa básica.

“As apostas em novo corte até o fim do ano chegaram a cair abaixo de 50% ontem – agora giram em torno de 14 pontos-base”, indicou o relatório.

Sessão calma na Ásia com olhos voltados para Jackson Hole

Pouca movimentação, mas atenção aos desdobramentos

Na Ásia, o volume de negociações foi mais reduzido, mas os pares cambiais mostraram movimentos discretos de ajuste:

  • USD/JPY recuava 0,1%, para 147,67;
  • USD/CNY tinha leve queda, a 7,18283;
  • AUD/USD caía 0,1%, a 0,6485.

Os operadores asiáticos seguem monitorando tanto as negociações diplomáticas entre Rússia e Ucrânia quanto os sinais de política monetária dos EUA que podem vir de Jackson Hole.

Cenário geral ainda é de cautela

Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Risco geopolítico e incerteza monetária dominam

Apesar do movimento de ajuste para baixo do dólar nesta terça-feira, o sentimento nos mercados globais continua dominado pela incerteza:

  • Geopolítica instável com ataques contínuos no Leste Europeu;
  • Expectativas voláteis sobre juros nos EUA;
  • Inflação persistente em mercados desenvolvidos, como Reino Unido e zona do euro.

Tudo isso leva os investidores a manterem estratégias mais defensivas, à espera de eventos-chave como a divulgação das atas do Fed e o simpósio de Jackson Hole.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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