Nesta quinta-feira (28), o dólar à vista opera em leve baixa frente ao real, influenciado por um mercado global que mantém firme a expectativa de cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos.
Os investidores também acompanham atentamente as movimentações e declarações das autoridades brasileiras, além da divulgação de dados econômicos que impactam a confiança no câmbio.
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Cotação do dólar hoje

Às 10h04, o dólar à vista apresentava queda de 0,07%, cotado a R$ 5,413 na venda. No mercado futuro da B3, o contrato de dólar com vencimento mais próximo caía 0,18%, para R$ 5,414. Ontem, a moeda americana encerrou o pregão com baixa de 0,29%, fechando em R$ 5,41821.
Valores atuais do dólar
- Dólar comercial:
Compra: R$ 5,412
Venda: R$ 5,413 - Dólar turismo:
Compra: R$ 5,441
Venda: R$ 5,621
Por que o dólar recua hoje?
O movimento do dólar reflete a fraqueza generalizada da moeda norte-americana nos mercados globais. A divisa americana tem acumulado perdas frente à maioria dos seus pares, incluindo moedas emergentes como o peso mexicano e o rand sul-africano.
Expectativa firme de corte de juros pelo Fed
A principal força por trás desse cenário é a consolidação das apostas de que o Fed iniciará a redução dos juros a partir de setembro.
Isso segue o tom “dovish” (mais acomodatício) adotado pelo presidente do Fed, Jerome Powell, em discurso recente, e as pressões públicas do presidente Donald Trump por cortes imediatos.
Apesar dos números recentes mostrarem que a economia americana teve uma expansão mais forte do que o esperado no segundo trimestre, com o PIB crescendo 3,3% contra 3,0% projetado anteriormente, o mercado mantém a confiança na política monetária expansionista.
Dados e probabilidades para os cortes de juros
Segundo dados da LSEG, o mercado precifica hoje uma chance de 84% para uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros em setembro, além de um segundo corte semelhante já antecipado até o fim do ano.
O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas, caiu 0,26%, para 97,863 pontos.
Panorama doméstico: falas e dados no radar do mercado
Além do contexto internacional, o cenário brasileiro também exerce influência sobre o comportamento do câmbio hoje.
Agenda de falas de autoridades brasileiras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concederá entrevista ao programa Balanço Geral MG, da RecordTV Minas, com transmissão prevista para as 11h30. Seu posicionamento pode impactar a percepção do mercado sobre as políticas econômicas e as relações internacionais do país.
Às 14h, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, participará com uma fala em vídeo no evento Open Finance 5 anos, acompanhado dos diretores Gilneu Vivan (Regulação) e Ailton de Aquino (Fiscalização). As declarações podem trazer pistas sobre a estratégia monetária e regulatória do BC.
Divulgação do resultado primário das contas públicas
Às 14h30, o Tesouro Nacional publicará o resultado primário das contas do governo central referente a julho. Esse dado é fundamental para avaliar a sustentabilidade fiscal do Brasil, que influencia diretamente o humor dos investidores em relação ao real.
Impasse comercial Brasil-EUA em observação
Outro ponto de atenção do mercado é o conflito comercial entre Brasil e Estados Unidos. Washington impôs uma tarifa de 50% sobre determinados bens brasileiros, e o governo brasileiro segue negociando para tentar reverter ou suavizar essas medidas.
Novidades nesse impasse podem afetar tanto a balança comercial quanto a valorização do real frente ao dólar.
O que influencia o dólar no curto prazo?
Política monetária do Fed
A taxa básica de juros americana, conhecida como Federal Funds Rate, é o principal instrumento do Fed para controlar a inflação e estimular a economia. Quando há indicações de corte dos juros, o dólar tende a enfraquecer, já que investimentos em dólares ficam menos atrativos para investidores globais.
Dados econômicos dos EUA
Números sobre o PIB, emprego, inflação e consumo são observados minuciosamente. Resultados fortes podem frear cortes de juros; números fracos aceleram expectativas de afrouxamento monetário.
Cenário político e fiscal no Brasil
Declarações do presidente, decisões do Banco Central e dados fiscais (como o resultado primário) afetam a confiança no real. Um ambiente estável tende a valorizar a moeda local, enquanto incertezas pressionam o dólar para cima.
Comércio exterior e tarifas
Impasses comerciais, sobretaxas e barreiras afetam exportações e importações, alterando o fluxo de dólares no país. A disputa comercial Brasil-EUA está entre os fatores que o mercado monitora de perto.
Expectativas para o dólar nas próximas semanas
Continuidade dos cortes de juros pelo Fed
Especialistas projetam que o Fed fará pelo menos dois cortes na taxa básica ainda em 2025. Isso pode manter o dólar pressionado, favorecendo moedas emergentes, inclusive o real.
Impacto do cenário político brasileiro
A condução das políticas econômicas e a resolução do impasse comercial serão decisivos para a trajetória do câmbio. Cenários mais estáveis e alinhados com o mercado tendem a atrair investimentos e fortalecer o real.
Riscos globais e volatilidade
Ainda existem riscos como tensões geopolíticas, crises financeiras em outros países e eventos inesperados que podem provocar oscilações bruscas na cotação do dólar.
Análise técnica do dólar hoje

Nos gráficos, o dólar tem apresentado suporte próximo a R$ 5,40, com resistência na faixa dos R$ 5,45. O movimento de baixa atual sinaliza que investidores estão reduzindo posições compradas, apostando na continuidade da queda.
Entretanto, qualquer notícia inesperada, seja econômica ou política, pode alterar rapidamente essa dinâmica.
Conclusão
O dólar opera em leve queda nesta quinta-feira, reflexo do mercado global que se mantém firme na expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve, mesmo diante de números robustos da economia americana.
No Brasil, as falas de autoridades, a divulgação de dados fiscais e o desenrolar do impasse comercial com os EUA são elementos que mantêm os investidores atentos.
O cenário indica uma tendência de enfraquecimento do dólar frente ao real no curto prazo, porém com volatilidade devido às múltiplas variáveis envolvidas.
Investidores e interessados no mercado de câmbio devem acompanhar de perto os próximos passos do Fed e as movimentações políticas e econômicas domésticas para tomar decisões informadas.

