Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Dólar fecha em R$ 5,50 após dados dos EUA; Bolsa reage em alta com tarifaço

Dólar fecha em R$ 5,50 com dados fracos dos EUA e expectativa de corte de juros; Bolsa sobe com foco em tarifaço e tensão Brasil-EUA.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Ibovespa

O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana em tom otimista, com o dólar recuando a R$ 5,50 e o Ibovespa operando em alta.

A reação dos investidores é puxada por dados fracos da economia dos Estados Unidos, que reforçam a expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed), além do avanço nas negociações comerciais entre Brasil e EUA sobre o recente tarifaço anunciado por Washington.

O alívio nos mercados ocorre após dias de tensões com a política comercial norte-americana e a pressão sobre os ativos emergentes.

Agora, o foco recai sobre a reaproximação diplomática entre os dois países, o impacto da política monetária dos EUA e os dados internos que indicam resiliência do mercado de trabalho brasileiro.

Leia mais:

Internet grátis da starlink vai ser liberada no Brasil

Descubra os benefícios ‘escondidos’ do Bolsa Família que poucos conhecem!

Dólar recua com pressão externa e expectativa de corte de juros

Dólar - bolsa de valores
Imagem: Freepik

Queda global do dólar reforça tendência de valorização do real

O dólar à vista iniciou a segunda-feira em queda de 0,83%, cotado a R$ 5,500 por volta das 10h34, acompanhando o movimento global de desvalorização da moeda americana. O dólar turismo também recuava, sendo vendido a R$ 5,735.

No exterior, o índice DXY, que compara o dólar com outras seis moedas desenvolvidas, caía 0,45%, a 98,69 pontos. O enfraquecimento ocorre após os dados divulgados na sexta-feira (1º), que mostraram que a economia dos EUA criou apenas 73 mil empregos em julho, bem abaixo da expectativa de 101 mil.

Esse desempenho fraco aumenta as chances de que o Fed inicie cortes na taxa de juros já em setembro, aliviando a pressão sobre moedas emergentes como o real.

Como os dados de emprego influenciam o dólar

A criação de empregos é um dos principais indicadores do ritmo da economia americana. Quando os números decepcionam, os mercados tendem a apostar em políticas monetárias mais acomodatícias, o que desvaloriza o dólar frente a outras moedas.

Além disso, a redução dos juros nos EUA diminui a atratividade dos ativos em dólar, estimulando a migração de capital para economias emergentes, como o Brasil, que oferecem retornos mais altos.

Bolsa sobe com corte de juros no radar e alívio comercial

Ibovespa inicia semana em alta puxado por ações globais

O Ibovespa abriu o pregão desta segunda-feira em alta de 0,64%, alcançando 133.287 pontos, impulsionado pela expectativa de corte de juros nos EUA e pelo clima de trégua na disputa comercial entre Brasília e Washington.

A valorização segue o tom positivo dos mercados globais:

  • Kospi (Coreia do Sul): +0,91%
  • Hang Seng (Hong Kong): +0,92%
  • Xangai Composto (China continental): +0,66%
  • DAX (Alemanha): +1,30%
  • CAC 40 (França): +0,97%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,46%

Somente o Nikkei 225 (Japão) contrariou a tendência e caiu 1,25%, impactado pela valorização do iene e pelas incertezas domésticas.

Tarifaço de Trump e tentativa de trégua com Lula

No cenário doméstico, os mercados reagiram também à movimentação diplomática entre Brasil e Estados Unidos, após o presidente Donald Trump surpreender ao mencionar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sugerindo uma possível reaproximação.

Lula pode me ligar quando quiser“, disse Trump a jornalistas na Casa Branca. Apesar do tom informal e de declarações como “I love Brazil”, o governo brasileiro trata a fala com cautela.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já abriu diálogo com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, em busca de exceções ao tarifaço de 50% sobre exportações brasileiras. Os produtos prioritários para retirada da lista são café, cacau e manga. A carne bovina, no entanto, deve continuar sujeita à sobretaxa.

Mercado de trabalho no foco: Caged e Copom no radar

Caged deve confirmar geração sólida de empregos

Às 14h30 desta segunda-feira, o Ministério do Trabalho divulga os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) referentes a junho. A expectativa é de um saldo positivo de 175 mil vagas com carteira assinada, superando as 148.992 registradas em maio.

O resultado, se confirmado, consolida o bom desempenho do mercado de trabalho brasileiro no primeiro semestre de 2025 e reforça a visão do Copom de que há resiliência no emprego, apesar da moderação no ritmo de crescimento.

Ata do Copom trará mais clareza sobre os próximos passos

Amanhã (5), o Banco Central divulga a Ata do Copom, após manter a Selic em 15% ao ano na última reunião. O documento será crucial para entender o balanço de riscos avaliado pelo Comitê, principalmente diante de:

  • Inflação resistente
  • Incertezas fiscais
  • Pressões externas
  • Dinâmica da dívida pública

Segundo Diego Costa, head de câmbio da B&T XP, a expectativa é de que a Ata traga uma mensagem firme, mas flexível.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

“O comunicado já demonstrou preocupação com a inflação e a trajetória fiscal. A Ata pode indicar se ainda há espaço para manter juros altos por mais tempo ou se o ciclo pode ser revertido em 2026”, afirma Costa.

A temporada de balanços empresariais entra em foco

Quatro empresas divulgam resultados nesta segunda-feira

A agenda corporativa também promete movimentar o mercado. Hoje, os investidores estarão atentos aos balanços trimestrais de:

  • Copasa (CSMG3) – setor de saneamento
  • BB Seguridade (BBSE3) – setor de seguros e previdência
  • Pague Menos (PGMN3) – varejo farmacêutico
  • Tegma (TGMA3) – logística e transporte

Os resultados vão indicar o impacto dos juros altos, da inflação e das mudanças no consumo sobre diferentes setores da economia brasileira.

Perspectivas para o mercado financeiro nos próximos dias

Dólar
Imagem: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Dólar pode seguir recuando com corte de juros nos EUA

Se os próximos dados dos EUA continuarem decepcionando, o mercado deve reforçar a precificação de cortes de juros pelo Fed, o que pode empurrar o dólar para patamares ainda mais baixos, segundo analistas da XP, BTG e Citi.

Bolsa pode ganhar tração com alívio político e comercial

A valorização do Ibovespa pode se consolidar se:

  • O diálogo comercial entre Brasil e EUA avançar
  • A Ata do Copom sinalizar estabilidade
  • Os balanços empresariais vierem positivos

Por outro lado, qualquer ruído na política interna ou externa pode gerar volatilidade nos ativos locais.

Conclusão

A semana começa com alívio nos mercados e sinais de otimismo para o Brasil. A queda do dólar a R$ 5,50 é reflexo da perspectiva de corte de juros nos EUA, enquanto a Bolsa sobe com apoio dos mercados globais e da expectativa por avanços diplomáticos na questão do tarifaço.

Ainda assim, o ambiente permanece instável. A divulgação dos dados do Caged, a Ata do Copom e os resultados das empresas vão ajudar a calibrar o humor dos investidores e definir os rumos do mercado nos próximos dias.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

Topicos relacionados