O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana em tom otimista, com o dólar recuando a R$ 5,50 e o Ibovespa operando em alta.
Dólar fecha em R$ 5,50 após dados dos EUA; Bolsa reage em alta com tarifaço
Dólar fecha em R$ 5,50 com dados fracos dos EUA e expectativa de corte de juros; Bolsa sobe com foco em tarifaço e tensão Brasil-EUA.
A reação dos investidores é puxada por dados fracos da economia dos Estados Unidos, que reforçam a expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed), além do avanço nas negociações comerciais entre Brasil e EUA sobre o recente tarifaço anunciado por Washington.
O alívio nos mercados ocorre após dias de tensões com a política comercial norte-americana e a pressão sobre os ativos emergentes.
Agora, o foco recai sobre a reaproximação diplomática entre os dois países, o impacto da política monetária dos EUA e os dados internos que indicam resiliência do mercado de trabalho brasileiro.
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Dólar recua com pressão externa e expectativa de corte de juros

Queda global do dólar reforça tendência de valorização do real
O dólar à vista iniciou a segunda-feira em queda de 0,83%, cotado a R$ 5,500 por volta das 10h34, acompanhando o movimento global de desvalorização da moeda americana. O dólar turismo também recuava, sendo vendido a R$ 5,735.
No exterior, o índice DXY, que compara o dólar com outras seis moedas desenvolvidas, caía 0,45%, a 98,69 pontos. O enfraquecimento ocorre após os dados divulgados na sexta-feira (1º), que mostraram que a economia dos EUA criou apenas 73 mil empregos em julho, bem abaixo da expectativa de 101 mil.
Esse desempenho fraco aumenta as chances de que o Fed inicie cortes na taxa de juros já em setembro, aliviando a pressão sobre moedas emergentes como o real.
Como os dados de emprego influenciam o dólar
A criação de empregos é um dos principais indicadores do ritmo da economia americana. Quando os números decepcionam, os mercados tendem a apostar em políticas monetárias mais acomodatícias, o que desvaloriza o dólar frente a outras moedas.
Além disso, a redução dos juros nos EUA diminui a atratividade dos ativos em dólar, estimulando a migração de capital para economias emergentes, como o Brasil, que oferecem retornos mais altos.
Bolsa sobe com corte de juros no radar e alívio comercial
Ibovespa inicia semana em alta puxado por ações globais
O Ibovespa abriu o pregão desta segunda-feira em alta de 0,64%, alcançando 133.287 pontos, impulsionado pela expectativa de corte de juros nos EUA e pelo clima de trégua na disputa comercial entre Brasília e Washington.
A valorização segue o tom positivo dos mercados globais:
- Kospi (Coreia do Sul): +0,91%
- Hang Seng (Hong Kong): +0,92%
- Xangai Composto (China continental): +0,66%
- DAX (Alemanha): +1,30%
- CAC 40 (França): +0,97%
- FTSE 100 (Reino Unido): +0,46%
Somente o Nikkei 225 (Japão) contrariou a tendência e caiu 1,25%, impactado pela valorização do iene e pelas incertezas domésticas.
Tarifaço de Trump e tentativa de trégua com Lula
No cenário doméstico, os mercados reagiram também à movimentação diplomática entre Brasil e Estados Unidos, após o presidente Donald Trump surpreender ao mencionar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sugerindo uma possível reaproximação.
“Lula pode me ligar quando quiser“, disse Trump a jornalistas na Casa Branca. Apesar do tom informal e de declarações como “I love Brazil”, o governo brasileiro trata a fala com cautela.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já abriu diálogo com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, em busca de exceções ao tarifaço de 50% sobre exportações brasileiras. Os produtos prioritários para retirada da lista são café, cacau e manga. A carne bovina, no entanto, deve continuar sujeita à sobretaxa.
Mercado de trabalho no foco: Caged e Copom no radar
Caged deve confirmar geração sólida de empregos
Às 14h30 desta segunda-feira, o Ministério do Trabalho divulga os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) referentes a junho. A expectativa é de um saldo positivo de 175 mil vagas com carteira assinada, superando as 148.992 registradas em maio.
O resultado, se confirmado, consolida o bom desempenho do mercado de trabalho brasileiro no primeiro semestre de 2025 e reforça a visão do Copom de que há resiliência no emprego, apesar da moderação no ritmo de crescimento.
Ata do Copom trará mais clareza sobre os próximos passos
Amanhã (5), o Banco Central divulga a Ata do Copom, após manter a Selic em 15% ao ano na última reunião. O documento será crucial para entender o balanço de riscos avaliado pelo Comitê, principalmente diante de:
- Inflação resistente
- Incertezas fiscais
- Pressões externas
- Dinâmica da dívida pública
Segundo Diego Costa, head de câmbio da B&T XP, a expectativa é de que a Ata traga uma mensagem firme, mas flexível.
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“O comunicado já demonstrou preocupação com a inflação e a trajetória fiscal. A Ata pode indicar se ainda há espaço para manter juros altos por mais tempo ou se o ciclo pode ser revertido em 2026”, afirma Costa.
A temporada de balanços empresariais entra em foco
Quatro empresas divulgam resultados nesta segunda-feira
A agenda corporativa também promete movimentar o mercado. Hoje, os investidores estarão atentos aos balanços trimestrais de:
- Copasa (CSMG3) – setor de saneamento
- BB Seguridade (BBSE3) – setor de seguros e previdência
- Pague Menos (PGMN3) – varejo farmacêutico
- Tegma (TGMA3) – logística e transporte
Os resultados vão indicar o impacto dos juros altos, da inflação e das mudanças no consumo sobre diferentes setores da economia brasileira.
Perspectivas para o mercado financeiro nos próximos dias

Dólar pode seguir recuando com corte de juros nos EUA
Se os próximos dados dos EUA continuarem decepcionando, o mercado deve reforçar a precificação de cortes de juros pelo Fed, o que pode empurrar o dólar para patamares ainda mais baixos, segundo analistas da XP, BTG e Citi.
Bolsa pode ganhar tração com alívio político e comercial
A valorização do Ibovespa pode se consolidar se:
- O diálogo comercial entre Brasil e EUA avançar
- A Ata do Copom sinalizar estabilidade
- Os balanços empresariais vierem positivos
Por outro lado, qualquer ruído na política interna ou externa pode gerar volatilidade nos ativos locais.
Conclusão
A semana começa com alívio nos mercados e sinais de otimismo para o Brasil. A queda do dólar a R$ 5,50 é reflexo da perspectiva de corte de juros nos EUA, enquanto a Bolsa sobe com apoio dos mercados globais e da expectativa por avanços diplomáticos na questão do tarifaço.
Ainda assim, o ambiente permanece instável. A divulgação dos dados do Caged, a Ata do Copom e os resultados das empresas vão ajudar a calibrar o humor dos investidores e definir os rumos do mercado nos próximos dias.
