O mercado cambial brasileiro viveu uma segunda-feira (22) marcada por cautela dos investidores e alta do dólar à vista, em meio a tensões políticas e diplomáticas.
Enquanto no exterior a moeda americana operava em queda frente à maioria das divisas, no Brasil o cenário foi diferente: o dólar subiu 0,32%, cotado a R$ 5,3381, no quarto pregão consecutivo de valorização.
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O movimento refletiu a reação às sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos a autoridades brasileiras, entre elas Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
A decisão ocorreu na véspera do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o que elevou o tom de cautela dos investidores.
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O impacto das sanções dos EUA

Adoção da Lei Magnitsky
O anúncio do governo norte-americano envolveu a aplicação da Lei Magnitsky, que permite sanções contra pessoas acusadas de corrupção ou violações de direitos humanos. Com isso, bens nos EUA de Viviane Barci de Moraes ficam bloqueados, enquanto os vistos de Jorge Messias e de outras autoridades foram revogados.
Reação imediata do mercado
A notícia ampliou a volatilidade no mercado cambial. No momento de maior estresse, o dólar superou R$ 5,35, atingindo a máxima de R$ 5,3660. Posteriormente, com avaliação de que as sanções tinham alcance limitado, a moeda reduziu ganhos, mas manteve a tendência positiva até o fechamento.
Contexto político e o discurso de Lula na ONU
Expectativas para a Assembleia Geral
O discurso de Lula na ONU ocorre em um ambiente de tensões diplomáticas renovadas entre Brasil e EUA. Investidores adotaram postura defensiva, receosos de declarações que pudessem intensificar conflitos bilaterais.
Repercussões
Analistas destacam que a combinação de geopolítica e mercado financeiro cria instabilidade no curto prazo, elevando o dólar no Brasil mesmo em um cenário global de enfraquecimento da moeda americana.
Comportamento do dólar no Brasil
Quarto pregão consecutivo de alta
Após fechar abaixo de R$ 5,30 em 16 de setembro, o dólar engatou uma sequência de quatro altas consecutivas. No acumulado do mês, contudo, a divisa ainda apresenta queda de 1,55% frente ao real, e no ano o recuo é de 13,63%.
Cotações do dia
- Máxima: R$ 5,3660
- Mínima: R$ 5,3020
- Fechamento: R$ 5,3381 (+0,32%)
O cenário internacional
Índice DXY em baixa
No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a seis moedas fortes, caiu ao redor de 97,330 pontos, perto da mínima da sessão (97,309). A moeda americana recuou contra a maioria das divisas emergentes, mas subiu frente ao peso mexicano e ao peso chileno, considerados pares do real.
Declarações do Federal Reserve
Dirigentes do Federal Reserve (Fed) adotaram discursos divergentes após o primeiro corte de juros em 2025:
- Alberto Musalem (St. Louis): pediu cautela e disse ver espaço limitado para cortes adicionais.
- Stephen Miran (diretor indicado por Trump): defendeu cortes mais agressivos, sugerindo taxa entre 2% e 2,5%.
As falas reforçaram a percepção de incerteza na política monetária americana, o que contribuiu para a queda global do dólar.
O peso da política monetária
O corte do Fed
Na “superquarta” de 17 de setembro, o Fed reduziu a taxa básica em 25 pontos-base, o primeiro corte de juros de 2025. A medida fortaleceu expectativas de novos ajustes, com o mercado precificando até três cortes adicionais neste ano.
Perspectivas
Um dólar mais fraco globalmente tende a favorecer moedas emergentes. Porém, no caso do Brasil, questões políticas internas e a reação a sanções dos EUA ofuscaram esse movimento.
Projeções para o câmbio
Revisões do BTG Pactual
O banco BTG Pactual revisou suas projeções de câmbio diante da expectativa de um dólar globalmente mais fraco:
- Fim de 2025: de R$ 5,40 para R$ 5,20.
- Fim de 2026: de R$ 5,60 para R$ 5,50.
A revisão considera que os cortes de juros do Fed devem reduzir a atratividade do dólar no médio prazo, favorecendo moedas emergentes como o real.
Outros fatores
- Fluxo de capitais: pode ser impactado pelo apetite de investidores estrangeiros.
- Política fiscal no Brasil: continua sendo fator de risco para a moeda.
- Cenário externo: tensões geopolíticas ainda podem trazer volatilidade.
Comparação com moedas emergentes
Real em destaque
Enquanto pares como peso mexicano e peso chileno registraram leve depreciação frente ao dólar, o real apresentou um movimento mais contido, refletindo a resiliência da moeda diante do cenário externo.
Importância da diversificação
A performance do real mostra que, apesar da volatilidade, investidores ainda enxergam oportunidades no mercado brasileiro, especialmente em um contexto de juros elevados.
Análise de especialistas

Avaliação de curto prazo
Economistas consultados apontam que o câmbio deve continuar oscilando entre R$ 5,30 e R$ 5,40 nos próximos dias, até que haja maior clareza sobre o tom do discurso de Lula e possíveis reações dos EUA.
Visão estrutural
No médio prazo, a tendência é de fortalecimento do real, acompanhando o enfraquecimento do dólar global e a expectativa de corte de juros nos EUA. Contudo, a política interna brasileira permanece como risco latente.
Considerações finais
A alta moderada do dólar nesta segunda-feira (22) mostrou como eventos políticos e diplomáticos podem se sobrepor ao cenário internacional.
Enquanto a moeda americana caía globalmente, no Brasil ela subiu, impulsionada pela cautela diante das sanções dos EUA a autoridades brasileiras e pela expectativa em torno do discurso do presidente Lula na ONU.
Apesar da pressão pontual, analistas reforçam que a tendência de médio prazo continua favorável ao real, especialmente diante de um Fed mais inclinado a cortar juros. Ainda assim, o episódio serve como lembrete de que o câmbio brasileiro seguirá vulnerável a choques políticos e externos nos próximos meses.

