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Dólar em alta hoje diante de Jackson Hole e negociações Brasil-EUA

Dólar sobe frente ao real em meio a tensões entre Brasil e EUA e expectativa com discurso de Powell no simpósio de Jackson Hole.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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O dólar comercial voltou a subir nesta quinta-feira (21), refletindo o clima de instabilidade no noticiário político brasileiro e a expectativa global em torno do simpósio econômico de Jackson Hole, nos Estados Unidos. O evento, promovido pelo Federal Reserve (Fed), pode trazer indicativos decisivos sobre os rumos da política monetária norte-americana.

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Imagem: jcomp – freepik

Cotação do dólar hoje

Até as 12h36, o dólar à vista subia 0,26%, cotado a R$ 5,488 na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro com vencimento mais próximo registrava alta de 0,17%, sendo negociado a R$ 5,500.

Dólar comercial

  • Compra: R$ 5,487
  • Venda: R$ 5,488

Dólar turismo

  • Compra: R$ 5,501
  • Venda: R$ 5,681

Na sessão anterior, o dólar à vista havia encerrado o dia em queda de 0,49%, cotado a R$ 5,4728.

Fatores que pressionam o real

Escalada de tensão entre Brasil e EUA

A principal influência para a nova alta do dólar nesta sessão é o crescente desconforto dos investidores com o impasse diplomático entre Brasil e Estados Unidos. O foco é a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que determinou que leis estrangeiras não podem ser aplicadas a cidadãos brasileiros em território nacional. Essa medida tem como alvo direto as sanções impostas pelos EUA com base na Lei Magnitsky, que mira autoridades acusadas de violações de direitos humanos.

O ministro Alexandre de Moraes, potencial alvo dessas sanções, reforçou em entrevista à Reuters que bancos brasileiros poderiam ser punidos judicialmente no Brasil caso cumpram ordens de bloqueio ou confisco de ativos impostas por autoridades norte-americanas.

A interpretação do mercado é de que essa decisão eleva a percepção de risco institucional e prejudica os esforços do governo brasileiro de negociar com os EUA a revogação da tarifa de 50% sobre produtos de exportação.

“O noticiário local está pautando o mercado, isso me parece claro, apesar de termos uma agenda importante lá fora. O driver é político majoritariamente. Embora essas questões geralmente tenham impacto pontual e agudo, e não crônico”, avaliou Fernando Bergallo, diretor da FB Capital.

Reflexos das declarações de Trump

A situação ganha contornos ainda mais tensos com as recentes declarações do ex-presidente Donald Trump, que classificou o julgamento de Bolsonaro pelo STF como “caça às bruxas”. O ex-presidente está em campanha e vem criticando abertamente Moraes e suas decisões. A escalada retórica pode ampliar o desgaste diplomático entre os dois países.

Banco Central atua no mercado

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Na tentativa de amenizar a volatilidade, o Banco Central anunciou um leilão de até 35 mil contratos de swap cambial tradicional, visando a rolagem de vencimentos do dia 1º de setembro de 2025. Essa é uma estratégia clássica de contenção da pressão sobre a moeda brasileira.

Cenário internacional: olhos voltados para Jackson Hole

Paralelamente à crise interna, os investidores acompanham com atenção o simpósio anual de Jackson Hole, que começa nesta quinta-feira e segue até o fim de semana. O evento é tradicionalmente utilizado por dirigentes do Federal Reserve para sinalizar mudanças na política monetária dos EUA.

O destaque é o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, marcado para sexta-feira (22). Analistas esperam que ele traga pistas sobre os próximos passos do banco central norte-americano em relação à taxa de juros, atualmente entre 5,25% e 5,50% ao ano.

Expectativas sobre os juros nos EUA

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Segundo dados da LSEG, os investidores já precificam uma alta probabilidade de corte de juros em setembro, com outra redução prevista até dezembro. No entanto, caso Powell adote um tom mais agressivo contra a inflação, esse cenário pode ser revertido.

A postura do Fed é vital para os mercados emergentes, como o Brasil, uma vez que juros mais altos nos EUA tornam os ativos de risco menos atrativos, fortalecendo o dólar globalmente.

Pressões de Trump sobre economia norte-americana

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Imagem: Evan El-Amin / shutterstock.com

Outra fonte de preocupação nos Estados Unidos é o impacto das tarifas protecionistas impostas por Donald Trump durante seu governo e reafirmadas em sua campanha de reeleição.

Nas últimas semanas, dados mistos da economia indicaram que:

  • O mercado de trabalho começa a mostrar sinais de desaquecimento;
  • Os preços de alguns bens importados subiram;
  • A inflação continua acima da meta de 2%.

Esses fatores colocam em cheque o duplo mandato do Fed de garantir pleno emprego e estabilidade de preços, tornando a decisão sobre juros ainda mais delicada.

Perspectivas para o real

O real deve continuar sob pressão enquanto persistirem os ruídos políticos e diplomáticos. A postura do STF, somada às sinalizações vindas do Federal Reserve, deve manter a volatilidade elevada no curto prazo.

Por outro lado, caso Powell confirme o início de um ciclo de queda dos juros nos EUA, o dólar pode perder força global, o que abriria espaço para uma recuperação parcial do real.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

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Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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