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Drex: integração com os BRICS e o futuro das transações internacionais

Drex, o real digital, avança no Brasil com foco em privacidade, tokenização e integração internacional com os BRICS.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
Drex: integração com os BRICS e o futuro das transações internacionais

O real digital, conhecido como Drex, continua sendo desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, contrariando rumores de abandono do projeto. A confirmação foi feita por Fábio Araújo, diretor da instituição e coordenador do projeto, durante evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC) nesta sexta-feira (29).

Segundo Araújo, embora o formato inicial tenha sido modificado, o projeto segue com prazo definido para lançamento. A principal mudança está relacionada à tecnologia utilizada, que deixou de lado o blockchain tradicional.

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Mudança de tecnologia e foco em privacidade

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Limites do blockchain para o real digital

O Drex começou utilizando a tecnologia blockchain, que registra transações de forma descentralizada e transparente. No entanto, essa abordagem apresentou desafios, principalmente no que diz respeito à privacidade dos usuários.

“O blockchain funciona como uma ‘caixa de vidro’: garante segurança, mas expõe informações de maneira visível”, explicou Araújo. Esse modelo não se encaixa na legislação brasileira, que já possui normas de proteção de dados robustas.

Privacidade e regulação como diferenciais

O Brasil conta com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e regras consolidadas de sigilo bancário, garantindo proteção elevada para os cidadãos. Por isso, o Banco Central optou por desenvolver uma arquitetura própria para o Drex, preservando essas garantias legais e evitando a necessidade de criar novos mecanismos de privacidade a partir do blockchain.

“Não cabe ao Banco Central questionar esse paradigma já estabelecido”, disse Araújo, destacando que a fase atual visa construir uma infraestrutura prática e segura para o uso da moeda digital.


Fases do projeto Drex

Da concepção à tokenização

O projeto Drex começou a ser discutido em 2020, inicialmente chamado de real digital. Nos primeiros testes, o foco era entender como uma CBDC (moeda digital emitida por bancos centrais) poderia facilitar transações e aumentar a competitividade do sistema financeiro nacional.

Na segunda fase, iniciada em 2022, ocorreram experimentos com contratos inteligentes e operações tokenizadas em ambiente controlado. Essa etapa evidenciou questões de privacidade e escalabilidade, motivando a mudança tecnológica do projeto.

Fase atual: infraestrutura definitiva

Hoje, na terceira fase, o Banco Central busca consolidar uma infraestrutura robusta para o Drex. O objetivo é permitir que a moeda digital seja utilizada de forma prática, escalável e segura, oferecendo benefícios diretos à população e ao setor financeiro.


Impactos do Drex para o cidadão

Tarifas otan brics
Imagem: Oleg Elkov / Shutterstock

O Drex promete ir além de simples transferências monetárias. Ele poderá ser utilizado em:

  • Operações automatizadas
  • Liquidação de compra e venda de imóveis
  • Crédito rural com contratos inteligentes
  • Pagamentos em tempo real
  • Integração com programas sociais

A tokenização de ativos, conceito central do projeto, permite transformar bens financeiros e direitos em representações digitais. Por exemplo, um agricultor poderia acessar crédito rural pré-programado com liberação automática de recursos mediante cumprimento de condições específicas.

Da mesma forma, a compra de imóveis poderia ser concluída de forma mais rápida, com contratos digitais registrados no Drex, reduzindo a burocracia tradicional.


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Integração com Pix e perspectivas internacionais

Continuidade do sucesso do Pix

O Banco Central enxerga o Drex como uma evolução natural após o sucesso do Pix, lançado em 2020 e atualmente usado por mais de 150 milhões de brasileiros. Assim como o Pix, o Drex visa ampliar a inclusão financeira e reduzir custos de transações.

Conexão com os BRICS

Além do impacto interno, o Drex tem uma dimensão geopolítica estratégica. O Brasil busca maior integração com os países do BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — e estuda maneiras de reduzir a dependência global do dólar nas transações internacionais.

Um real digital interoperável poderia se tornar peça-chave nesse movimento, permitindo que o país participe de um sistema de pagamentos digitais internacional mais ágil, seguro e eficiente.


O futuro das transações digitais

Com a consolidação da tecnologia, o Drex pode redefinir a forma como brasileiros realizam pagamentos e investem em ativos, ao mesmo tempo em que posiciona o país em um cenário global competitivo. A tokenização de ativos, aliada à integração internacional, projeta o Brasil como protagonista na adoção de moedas digitais de bancos centrais.

O sucesso do Drex dependerá da capacidade do Banco Central de equilibrar segurança, privacidade e inovação, garantindo que a nova moeda seja útil, segura e alinhada às necessidades do cidadão e do mercado.

Imagem: Freepik e Canva

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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