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Drex muda de rota: lançamento em 2026, sem blockchain, voltado ao backstage financeiro

Drex, nova moeda digital do Brasil, será lançada em 2026 sem blockchain ou tokenização, atuando nos bastidores para facilitar crédito.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Drex

O Banco Central do Brasil anunciou uma mudança de rota no desenvolvimento do Drex, a futura moeda digital oficial do país. A nova fase, programada para 2026, abandona temporariamente o uso da tecnologia de registro distribuído (DLT), como blockchain, e da tokenização de ativos, apostando em soluções mais tradicionais e invisíveis ao cidadão comum.

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Imagem: Freepik e Canva

O que muda no projeto Drex

Da promessa de revolução à infraestrutura silenciosa

Lançado em 2023 como um projeto transformador para o sistema financeiro nacional, o Drex nasceu com a promessa de democratizar o acesso a serviços financeiros, permitir pagamentos públicos diretos e facilitar investimentos fracionados por meio de tokenização. No entanto, a fase inicial agora será bem mais pragmática.

A primeira entrega do Drex será uma plataforma de reconciliação de gravames — um tipo de sistema que possibilita verificar, de forma integrada e automatizada, se um mesmo ativo já está sendo utilizado como garantia de crédito em diferentes instituições, como bancos, corretoras ou cartórios.

Abandono da DLT e da tokenização

Essa fase inicial não utilizará blockchain nem qualquer tipo de tecnologia DLT. A rede Hyperledger Besu, compatível com contratos inteligentes do Ethereum e que estava sendo testada, foi considerada complexa demais para os objetivos atuais do BC.

Segundo técnicos envolvidos no projeto, o maior desafio era garantir a privacidade dos dados sem sacrificar a programabilidade, um equilíbrio difícil de alcançar com a tecnologia existente. A solução adotada será construída com arquitetura tradicional, priorizando estabilidade e segurança regulatória.

Por que essa mudança?

Limitações técnicas e risco regulatório

A Hyperledger Besu foi inicialmente selecionada por permitir a criação de contratos inteligentes em um ambiente permissionado, ou seja, com controle de acesso. No entanto, mesmo com essas características, a rede não conseguiu oferecer o nível de privacidade exigido para o sistema de garantias.

Além disso, as soluções de DLT ainda apresentam desafios de interoperabilidade e consumo energético, o que levantou preocupações quanto à escalabilidade do Drex em grande escala.

Visão do mercado: ajuste, não retrocesso

Para boa parte do mercado financeiro, a guinada não representa um retrocesso, mas um movimento realista diante da imaturidade das tecnologias disponíveis. Wagner Martin, vice-presidente de Relações Institucionais da Veritran no Brasil, afirma:

“Ao unificar os dados de gravames em uma única plataforma, a velocidade e o custo dos processos de crédito no país serão drasticamente melhorados.”

Segundo ele, o Drex deve ser encarado como uma iniciativa modular, com potencial de evolução no futuro para incorporar tokenização e contratos inteligentes, desde que haja maturidade técnica e respaldo regulatório.

Um Drex em duas fases

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Curto prazo: infraestrutura para o mercado

No curto prazo, o Drex será lançado como uma ferramenta de bastidor, usada por instituições financeiras para verificar e registrar gravames. O objetivo é melhorar a infraestrutura de garantias e reduzir fraudes, conflitos de registro e lentidão na concessão de crédito.

A plataforma terá pouca ou nenhuma interação direta com o cidadão comum. Para o consumidor final, isso significa que, por enquanto, não haverá carteiras digitais oficiais nem pagamentos com “real digital”.

Longo prazo: volta à tokenização e contratos inteligentes

O Banco Central não abandonou totalmente a ideia de uma moeda digital mais ambiciosa. Uma segunda fase do Drex, ainda sem prazo definido, poderá reintroduzir as tecnologias de blockchain e contratos inteligentes, aproximando o projeto de sua proposta original de disrupção digital.

Nessa etapa futura, estuda-se permitir transações peer-to-peer, fracionamento de ativos, registro digital de imóveis e até pagamento de benefícios sociais diretamente pela moeda digital.

O Brasil e o cenário internacional das moedas digitais

Poucos lançamentos efetivos no mundo

Apesar do entusiasmo global, apenas três países lançaram moedas digitais de varejo até agora: Bahamas (com o Sand Dollar), Jamaica (Jam-Dex) e Nigéria (eNaira). Outros 134 estão em fase de pesquisa ou piloto, incluindo o Brasil, a China, o Reino Unido e a União Europeia.

Nos Estados Unidos, o projeto de uma moeda digital estatal foi engavetado durante o governo Donald Trump, e continua sendo um tema sensível, especialmente entre conservadores que veem riscos à privacidade.

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América Latina: crescimento impulsionado por criptoativos

A América Latina é uma das regiões mais receptivas a soluções financeiras digitais. Segundo a consultoria Chainalysis, o uso de criptoativos na região cresceu 42,5% no último ano. O Brasil aparece na 9ª posição global em adoção de criptomoedas, puxado por usos práticos, como:

  • Proteção contra a inflação;
  • Recebimento de pagamentos internacionais;
  • Redução da burocracia bancária;
  • Inclusão de não-bancarizados via apps móveis.

Nesse cenário, o Drex pode encontrar uma base social propícia à inovação — mas só se conseguir resgatar, em fases futuras, a proposta original de maior inclusão e acessibilidade.

Críticas ao novo Drex: moeda digital “de bastidor”

Distante do cidadão comum

A nova versão do Drex gerou decepção entre defensores da digitalização direta do dinheiro público. O principal ponto de crítica é que a moeda digital brasileira, ao menos por enquanto, não chegará ao bolso do consumidor.

Na prática, ela servirá como um sistema de bastidor voltado a instituições financeiras, o que dificulta sua compreensão e engajamento por parte da sociedade.

Risco de perda de tração política

Há também o risco de o Drex perder espaço no debate público. Ao deixar de lado temporariamente os elementos mais disruptivos, como a tokenização e os contratos inteligentes, o projeto corre o risco de se tornar invisível para o cidadão comum e, por consequência, perder apoio político.

O que esperar para 2026?

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Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

O ano de 2026 marcará o início da operação do Drex como plataforma de verificação de gravames. Ainda que não seja uma revolução imediata, a iniciativa pode trazer importantes avanços:

  • Agilidade na concessão de crédito;
  • Redução do risco sistêmico;
  • Integração de cartórios e instituições financeiras;
  • Menor burocracia nos processos de garantia.

Contudo, o sucesso do Drex dependerá de sua capacidade de evoluir além dessa fase inicial e voltar a contemplar, no médio e longo prazo, uma moeda digital de uso público, segura, automatizada e inclusiva.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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