O Banco Central do Brasil voltou a esclarecer nesta semana que o Drex, a nova moeda digital oficial em desenvolvimento, não substituirá o dinheiro em espécie e não será utilizado para monitorar transações pessoais. Em meio à disseminação de fake news nas redes sociais, o órgão reforça que a introdução do Drex faz parte de um movimento de inovação no sistema financeiro nacional, e que o papel-moeda continuará a circular normalmente.
DREX: saiba por que não substituirá o dinheiro físico nem servirá para controlar a população
BC esclarece que Drex, moeda digital brasileira, não substituirá o dinheiro em espécie nem será usado para monitorar transações.
A versão digital do real será uma opção adicional para transações financeiras, voltada especialmente ao meio online e à integração com contratos inteligentes e ativos digitais. A iniciativa está sendo desenvolvida desde 2020 e segue princípios da Lei do Sigilo Bancário, da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e de outras normas brasileiras que garantem a privacidade e a liberdade financeira da população.
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O que é o Drex?
Moeda digital de banco central (CBDC)
O Drex é o nome do Real Digital, uma moeda digital de banco central (ou CBDC, na sigla em inglês para Central Bank Digital Currency), emitida e regulada pelo Banco Central do Brasil. Diferentemente das criptomoedas como o Bitcoin, o Drex será lastreado no real e equivalente ao dinheiro que já utilizamos, porém em formato digital.
Como o Drex será utilizado?
O Drex funcionará em duas frentes distintas:
- Transações de atacado: feitas diretamente entre instituições financeiras autorizadas, como bancos e cooperativas;
- Transações de varejo: realizadas pelos cidadãos e empresas, por meio de intermediários autorizados, como o próprio banco do usuário.
Por que o Drex está sendo criado?
Democratizar o acesso à economia digital
O Banco Central destaca que o Drex não tem como objetivo acabar com o papel-moeda, mas sim ampliar as possibilidades de transações seguras e inteligentes, de forma eficiente e acessível.
Entre os principais objetivos da moeda digital estão:
- Modernizar os serviços financeiros por meio de tecnologias como os contratos inteligentes;
- Reduzir custos e burocracia em transações que exigem intermediação;
- Ampliar a inclusão financeira, permitindo que mais pessoas tenham acesso a soluções digitais seguras;
- Oferecer segurança jurídica e operacional em transações com ativos digitais.
É verdade que o Drex vai acabar com o dinheiro em papel?
Não. Moeda digital é apenas mais uma opção
Uma das principais desinformações sobre o Drex é a ideia de que ele substituirá completamente o dinheiro físico, acabando com o uso de cédulas e moedas. Essa afirmação é falsa.
Segundo o próprio Banco Central, a emissão de papel-moeda continuará ocorrendo normalmente, pois atende a:
- Diversos hábitos de consumo da população;
- Regiões com menor acesso à internet ou serviços bancários digitais;
- Pessoas que optam por não usar meios eletrônicos em suas finanças.
A adoção do Drex será gradual e opcional, funcionando em paralelo ao sistema atual. O objetivo é oferecer mais possibilidades, e não retirar direitos ou limitar a liberdade de escolha dos cidadãos.
O Drex será usado para monitorar transações das pessoas?

Não. O sigilo bancário e a LGPD continuam válidos
Outra alegação infundada disseminada em redes sociais é a de que o Drex permitiria ao governo “vigiar” as transações financeiras dos cidadãos. O Banco Central desmente categoricamente essa informação.
O projeto do Drex segue rigorosamente os princípios da:
- Lei Complementar nº 105/2001 (Sigilo Bancário);
- Lei nº 13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD);
- Diretrizes estabelecidas para proteger a privacidade e segurança dos dados financeiros dos brasileiros.
Além disso, as instituições intermediárias autorizadas — como bancos — continuarão sendo responsáveis pelas operações dos usuários, inclusive pela proteção e gerenciamento dos dados.
Como funciona a tecnologia por trás do Drex?
Plataforma Drex e contratos inteligentes
O Drex utilizará uma tecnologia chamada Distributed Ledger Technology (DLT), ou tecnologia de registro distribuído, semelhante à usada em blockchains. Com isso, será possível realizar:
- Transações seguras e rastreáveis entre usuários e instituições;
- Negociações com ativos digitais, como títulos, imóveis ou automóveis;
- Execução automática de contratos inteligentes, que só são concluídos quando todas as condições forem cumpridas.
Exemplo prático: compra de carro com Drex
Em uma transação de compra e venda de veículo, por exemplo, o Drex pode ser usado em um contrato inteligente para garantir que:
- O pagamento só ocorra se a transferência da propriedade for registrada;
- Caso uma das partes não cumpra sua obrigação, o contrato não será executado e nenhum valor será movimentado.
Esse tipo de operação traz mais segurança para consumidores e vendedores, reduzindo a chance de fraudes ou disputas judiciais.
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Como os cidadãos poderão usar o Drex?
Por meio de bancos e instituições financeiras autorizadas
Para utilizar o Drex, os cidadãos precisarão de um intermediário autorizado pelo Banco Central, como:
- Bancos;
- Cooperativas de crédito;
- Instituições de pagamento.
Essas instituições serão responsáveis por converter o saldo tradicional em Drex, transferindo o valor da conta corrente para uma carteira digital específica, dentro da Plataforma Drex.
A partir daí, será possível:
- Realizar pagamentos digitais com maior rapidez;
- Adquirir ou negociar ativos tokenizados;
- Participar de contratos inteligentes com segurança e garantia de liquidação.
O Drex é o mesmo que o Pix?
Não. São tecnologias diferentes, mas complementares
Embora ambos os sistemas tenham sido desenvolvidos pelo Banco Central e estejam voltados para pagamentos digitais, o Drex e o Pix são ferramentas distintas:
| Pix | Drex |
|---|---|
| Sistema de pagamentos instantâneos | Moeda digital lastreada no real |
| Lançado em 2020 | Previsto para lançamento em 2025 |
| Transfere valores entre contas bancárias | Permite transações com ativos digitais e contratos inteligentes |
| Não utiliza DLT | Baseado em tecnologia de registro distribuído |
Enquanto o Pix facilita a transferência de valores, o Drex expande as possibilidades da economia digital, permitindo que pessoas físicas e empresas interajam com serviços financeiros mais complexos, com total segurança.
Quando o Drex estará disponível?

Lançamento oficial previsto para 2025
Após mais de quatro anos em desenvolvimento, o Drex passou por etapas de testes em ambientes simulados com participação de instituições financeiras selecionadas. A fase atual envolve:
- Testes de infraestrutura tecnológica;
- Avaliações de segurança cibernética;
- Análises de viabilidade jurídica e operacional.
O lançamento oficial da moeda digital está previsto para o segundo semestre de 2025, com ampliação gradual do acesso à população e empresas.
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital
