O cenário internacional permanece instável, mas com sinais positivos para países emergentes como o Brasil. A combinação de dólar em tendência de baixa e preços de commodities em patamares elevados, com exceção do petróleo, cria um ambiente mais favorável à economia brasileira e contribui para reduzir pressões inflacionárias.
Além disso, cresce a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) retome os cortes de juros ainda no segundo semestre de 2025, o que deve aumentar o fluxo de capitais para mercados emergentes, ajudando a sustentar o real e reforçando o cenário de inflação mais controlada.
Quer ler o resto da materia?
Clique no botao abaixo para liberar o conteudo completo gratuitamente.
Governo recorre ao STF após derrota no Congresso sobre IOF
Imagem: Alejandro Zambrana / shutterstock.com
Derrubada do decreto do IOF gera reação
No plano interno, o governo enfrenta desafios para manter a sustentabilidade fiscal. Após o Congresso derrubar o decreto que previa aumento do IOF, a equipe econômica recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão e recuperar a majoração do tributo.
A medida visava aumentar a arrecadação e fortalecer o cumprimento da meta de resultado primário prevista para 2025, além de conter eventuais impactos sobre a inflação, já que ajustes fiscais bem-sucedidos também ajudam a manter os preços sob controle.
Metas fiscais sob pressão
Mesmo com a derrubada do decreto, a projeção atual indica que o governo deve atingir o limite inferior da meta fiscal de 2025. No entanto, os riscos aumentam consideravelmente para 2026, especialmente diante do teto de gastos e das restrições com despesas obrigatórias.
Projeções para o câmbio são revistas para baixo
Em meio ao novo contexto global e à expectativa de corte de juros nos EUA, o dólar tende a perder força. Com isso, as projeções para a taxa de câmbio brasileira foram revisadas:
R$ 5,50 por dólar ao fim de 2025 (anteriormente R$ 5,80)
R$ 5,70 por dólar ao fim de 2026 (anteriormente R$ 6,10)
Essa valorização do real colabora para a redução da inflação e alivia parte da pressão sobre os preços internos.
Contas externas e déficit em conta corrente
Apesar da melhora cambial, a estimativa para o déficit em conta corrente segue em 2,9% do PIB em 2025. Esse índice indica o nível de desequilíbrio nas transações do Brasil com o exterior, mas ainda é considerado administrável dentro do atual contexto.
Crescimento do PIB e aquecimento do mercado de trabalho
PIB segue com projeção positiva
As projeções de crescimento da economia foram mantidas:
2,5% em 2025
1,7% em 2026
Esse desempenho será sustentado, principalmente, pelo mercado de trabalho ainda aquecido, políticas de estímulo à atividade e pela força de setores menos expostos ao ciclo econômico, como o agronegócio e serviços básicos.
Estímulos devem suavizar a desaceleração
Medidas de incentivo adotadas pelo governo devem ajudar a suavizar a desaceleração esperada para 2026, que ocorrerá em um contexto de ajuste fiscal e menor expansão da renda.
Inflação em queda e efeitos sobre a política monetária
Imagem: Freepik
Revisão nas projeções do IPCA
Com a taxa de câmbio mais apreciada e a moderação dos preços no atacado, a inflação esperada para os próximos anos foi reduzida:
De 5,5% para 5,0% em 2025
De 4,7% para 4,5% em 2026
Essa queda também reflete a menor inércia inflacionária, ou seja, a redução da tendência de repasse automático de preços do ano anterior.
Banco Central pode antecipar corte de juros
Com esse alívio na inflação, o Banco Central do Brasil (BCB) deve ganhar confiança na efetividade da política monetária. A nova projeção é que o ciclo de corte da taxa Selic comece em janeiro de 2026, antecipando a previsão anterior, que indicava abril.
A expectativa atual é de que a Selic feche 2026 em 12,50%, podendo recuar ainda mais caso as reformas fiscais avancem após as eleições.
Expectativas para o pós-eleição
O cenário fiscal de 2026 também dependerá da força política do novo governo eleito, principalmente no que diz respeito à aprovação de reformas estruturais. Caso medidas de controle de gastos e revisão do arcabouço fiscal ganhem tração, há espaço para um ambiente mais favorável a novos cortes de juros.
A sinalização de responsabilidade fiscal será decisiva para manter a confiança dos investidores e sustentar o crescimento de médio prazo.
Luiza Niewinski é apaixonada por animais, fã de séries e entusiasta da informação. Está sempre atenta ao que acontece no Brasil e no mundo, com o objetivo de transformar notícias em conteúdo útil e acessível para o leitor. No portal Seu Crédito Digital, atua na produção de matérias sobre benefícios sociais, programas do governo, direitos do cidadão e temas do dia a dia que impactam diretamente a população.