Em 17 de junho de 2025, o Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Lula publicou edital para a contratação de um software destinado a localizar, rastrear e analisar transações de bitcoin e outras criptomoedas, com vigência prevista de 36 meses.
Governo Lula abre edital para rastrear bitcoin e criptomoedas por 36 meses
O Ministério da Justiça lançou edital para contratar software de rastreamento de bitcoin e outras criptomoedas por 36 meses. Veja quais capitais serão contempladas.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, com propostas abertas a partir de 4 de julho de 2025, mediante cadastro no sistema de Compras do Governo Federal.
O escopo do edital inclui a contratação de um software completo de blockchain analytics, voltado para apoiar investigações de ilícitos como lavagem de dinheiro, tráfico e crimes financeiros relacionados a criptoativos.
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Abrangência geográfica: 15 capitais serão contempladas
Municípios selecionados
A solução deverá ser instalada em 15 das 27 capitais brasileiras, com diversas licenças regionais:
- Aracaju/SE: 4 unidades
- Belo Horizonte/MG: 1
- Boa Vista/RR: 2
- Brasília/DF: 19 (maior concentração)
- Cuiabá/MT: 1
- Curitiba/PR: 8
- Florianópolis/SC: 1
- Goiânia/GO: 2
- João Pessoa/PB: 2
- Maceió/AL: 2
- Manaus/AM: 2
- Natal/RN: 1
- Palmas/TO: 1
- Porto Alegre/RS: 1
- Teresina/PI: 4.
São Paulo e Rio de Janeiro ficaram de fora, segundo o edital , o que pode sugerir que outros órgãos federais sejam contemplados eletronicamente nessas regiões.
Tecnologias exigidas e funções esperadas

Criptomoedas incluídas
O edital especifica necessidade de rastrear, além de Bitcoin, vários outros ativos, como:
- Ethereum (ETH)
- Ethereum Classic (ETC)
- Tron (TRX)
- BNB (BNB)
- Dash (DASH)
- Dogecoin (DOGE)
- XRP (XRP)
- Polygon (MATIC)
- Avalanche (AVAX)
Futuras atualizações deverão contemplar ainda mais blockchains.
Funcionalidades técnicas esperadas
Entre as funcionalidades previstas estão:
- Consulta de endereço IP, cidade e país,
- Mapeamento completo de endereços de criptomoedas a partir de buscas com parâmetros específicos.
Também são exigidos treinamento de pessoal, bem como suporte e atualizações durante toda a vigência do contrato.
Critérios de seleção e valorização de empresas brasileiras
Benefícios para fornecedores nacionais
O edital favorece empresas brasileiras que atendam aos requisitos:
- Estar regularmente inscritas e sem impedimentos legais.
- Prover capacitação técnica por meio de treinamentos.
- Garantir atualizações contínuas do software durante os três anos de contrato.
Avaliação internacional: referência da Europol
O documento menciona que a Europol avaliou quatro ferramentas, destacando o desempenho:
- Chainalysis – melhor avaliação
- TRM Labs – segundo lugar
- Elliptic – em seguida
- CipherTrace – quarto lugar
Esses referenciamentos servem como critério técnico para homologação de plataformas.
Motivações do governo: reforçar combate à criminalidade
Alterações recentes no Judiciário
Nos últimos anos, o Brasil aprimorou o uso de tecnologia para investigar criptoativos:
- STJ autorizou a apreensão de criptoativos em dívidas.
- CNJ/ABCRIPTO firmaram acordo para integrar corretoras ao sistema judicial.
- Receita Federal implementa IA para monitoramento de transações.
Precedentes como o MPF
Em 2023, o Ministério Público Federal contratou ferramenta para rastrear criptomoedas, com investimento em torno de R$ 6,4 milhões e prazo também de três anos.
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Combate à lavagem, fraudes e evasão
O uso de plataformas de análise on‑chain permite apurar fluxos ilícitos, bloquear ativos, rastrear carteiras suspeitas e resguardar vítimas — como no caso de recuperação de mais de 80% de R$ 8 milhões em criptos da Tether após roubo de celular.
Impactos regionais e limitações da licitação
Interligar 15 capitais fortalece a atuação da segurança pública em diferentes regiões, mas a ausência de São Paulo e Rio sugere integração central ou responsabilidade de outros órgãos.
Empresas nacionais podem alcançar destaque, mas precisam atender critérios de certificação, interoperabilidade com sistemas federais, e competência técnica para analisar múltiplas blockchains.
Futuro da investigação criminal com criptoativos
Expansão de competências
Espera-se que o sistema:
- Amplie blockchains rastreáveis.
- Potencialize cooperação com órgãos como Receita, Polícia Federal e MPF.
- Aperfeiçoe rastreamento geolocalizado via IP.
Convergência com iniciativas de regulamentação
A licitação aparece em um momento de:
- Medidas provisórias (MP 1.303/2025) para tributar ganhos com criptomoedas em 17,5%.
- Debate sobre reserva de bitcoin nos cofres nacionais.
- Autorizações ao Judiciário para apreensão de criptoativos.
Considerações finais

O novo edital do Ministério da Justiça e Segurança Pública representa um passo decisivo na consolidação tecnológica do Estado brasileiro para rastrear criptoativos, equiparado a investimentos já realizados pelo MPF. A previsão de cobertura ampla, suporte a múltiplos blockchains, e foco em investigação e conformidade, indicam uma virada no combate a crimes digitais.
Em um ambiente global onde criptomoedas ganham presença nas reservas e na tributação, o Brasil atua com visão moderna: aprimorar a transparência e segurança do ecossistema cripto enquanto promove regulação responsável — mesmo que ainda precise acelerar a inclusão das maiores capitais federais.
