A Eletrobras (ELET3, ELET6), maior empresa de energia elétrica da América Latina em capacidade de geração, divulgou nesta quarta-feira (6) seus resultados financeiros referentes ao segundo trimestre de 2025. A companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,47 bilhão, número 43,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, o conselho de administração aprovou a distribuição de R$ 4 bilhões em dividendos intermediários aos acionistas.
Eletrobras distribuirá R$ 4 bi em dividendos após lucro de R$ 1,5 bi no 2º tri
Eletrobras reporta lucro ajustado de R$ 1,47 bi no 2º trimestre e aprova R$ 4 bi em dividendos. Resultado contábil aponta prejuízo de R$ 1,33 bi.
Apesar do avanço no lucro ajustado, os números contábeis sem ajustes mostram um cenário diferente: a Eletrobras registrou prejuízo líquido de R$ 1,33 bilhão entre abril e junho, revertendo o lucro de R$ 1,74 bilhão registrado no segundo trimestre de 2024. A discrepância entre os dados ajustados e contábeis tem origem principalmente em itens não recorrentes e impactos regulatórios temporários, conforme explicou a companhia em seu relatório de desempenho.
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Desempenho operacional e financeiro: o que explica o resultado
Lucro ajustado impulsionado por ganhos operacionais e financeiros
O lucro líquido ajustado da Eletrobras considera a exclusão de efeitos extraordinários, como provisões, reavaliações contábeis e itens não recorrentes. Com esse ajuste, a companhia mostrou melhora na eficiência operacional e no desempenho financeiro, mesmo diante de pressões sobre margens e receita líquida.
O resultado foi considerado positivo por analistas, principalmente diante do cenário de estabilidade na receita líquida e queda no Ebitda regulatório ajustado, que totalizou R$ 5,5 bilhões, queda de 8,6% em relação ao mesmo trimestre de 2024.
“A Eletrobras demonstrou resiliência operacional e controle de custos em meio a um ambiente regulatório desafiador. O lucro ajustado reflete uma gestão financeira mais eficiente”, avaliou um analista do BTG Pactual.
Receita líquida e Ebitda em estabilidade
Receita operacional líquida praticamente estável
A receita operacional líquida regulatória da Eletrobras ficou praticamente estável, com leve retração de 0,3%, totalizando R$ 9,59 bilhões no segundo trimestre. O desempenho é reflexo de reduções nos repasses tarifários e de fatores climáticos que afetaram a geração de energia, especialmente nas usinas hidrelétricas.
Ebitda ajustado tem leve retração
O Ebitda ajustado regulatório (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 8,6% na comparação anual, para R$ 5,5 bilhões. O recuo foi atribuído a:
- Menor despacho térmico e geração hídrica;
- Redução de receitas com contratos bilaterais;
- Impactos de reajustes tarifários abaixo da inflação em algumas distribuidoras.
Ainda assim, o Ebitda manteve margem operacional elevada, o que reforça o caráter estruturalmente sólido da companhia no segmento de geração e transmissão.
Prejuízo contábil de R$ 1,33 bilhão: entenda os motivos
Apesar do lucro ajustado robusto, a Eletrobras contabilizou prejuízo líquido de R$ 1,33 bilhão no trimestre, revertendo o desempenho positivo do mesmo período de 2024. Entre os principais fatores para o resultado negativo, estão:
1. Marcação a mercado de ativos financeiros
A companhia enfrentou efeitos contábeis adversos relacionados à marcação a mercado de instrumentos financeiros, especialmente nos ativos vinculados à Reserva Global de Reversão (RGR) e à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
2. Provisões e contingências regulatórias
Houve também provisões ligadas a ações judiciais e revisões tarifárias, que impactaram o resultado contábil, embora não representem saída imediata de caixa.
3. Reversão de receitas não recorrentes
Parte do prejuízo é atribuída à ausência de receitas extraordinárias que haviam beneficiado os resultados de 2024, como compensações por ativos não amortizados e renegociação de contratos.
Distribuição de R$ 4 bilhões em dividendos: alívio ao mercado

Conselho aprova dividendos intermediários
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Mesmo com o resultado contábil negativo, o conselho de administração da Eletrobras aprovou a distribuição de R$ 4 bilhões em dividendos intermediários aos acionistas, com base nos lucros ajustados. A iniciativa foi considerada um sinal de confiança da administração na capacidade de geração de caixa da companhia.
A data de corte (data-com) e o cronograma de pagamento ainda serão divulgados em comunicado específico. A distribuição reforça a política da companhia de remunerar o acionista mesmo em períodos de reestruturação contábil e ajustes regulatórios.
Impacto nas ações
As ações da Eletrobras reagiram positivamente ao anúncio dos dividendos e à divulgação do lucro ajustado, com os papéis ELET3 subindo mais de 3% no pregão matinal da B3. Analistas destacam que a notícia contribui para restaurar a confiança do mercado, sobretudo após o desempenho mais fraco registrado no primeiro trimestre.
Perspectivas para o segundo semestre

Privatização completa e reestruturação interna
Desde sua desestatização em 2022, a Eletrobras vem passando por um processo contínuo de reestruturação organizacional, redução de custos e aumento da eficiência operacional. A gestão da empresa aposta em medidas como:
- Otimização do portfólio de ativos;
- Redução de passivos regulatórios;
- Expansão em energia renovável (solar e eólica).
Desempenho esperado para 2025
Analistas do setor energético estimam que a Eletrobras deva encerrar 2025 com geração de caixa consistente, apoiada em contratos longos de transmissão e recuperação gradual da receita de geração.
A expectativa é de que a companhia reverta o prejuízo contábil nos próximos trimestres, especialmente com a normalização dos efeitos climáticos e a estabilização do cenário regulatório.
Imagem: Salty View / Shutterstock.com
