A maior transformação da indústria automotiva não foi apenas a substituição do motor a combustão pelo elétrico, mas a entrada da informática na rotina dos carros. Hoje, praticamente todos os mecanismos são gerenciados por sistemas eletrônicos, do freio à conectividade via satélite.
Eletrônica automotiva: 7 casos de falhas que surpreendem motoristas
Descubra 7 casos de falhas da eletrônica automotiva que surpreenderam motoristas e mudaram a indústria.
Essa inovação trouxe avanços inegáveis em segurança, conforto e eficiência. No entanto, como toda tecnologia em fase de expansão, também gerou falhas que frustraram motoristas e obrigaram montadoras a rever projetos.
De freios eletrônicos a sistemas de suspensão futuristas, alguns dispositivos não passaram no teste da prática. A seguir, veja sete exemplos de inovações que não funcionaram como esperado e surpreenderam (negativamente) os condutores.
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A revolução eletrônica nos automóveis?

1. Freio eletrônico de estacionamento e frenagem total
O freio eletrônico de estacionamento veio para ficar, substituindo o freio de mão tradicional com praticidade. Porém, a tentativa de implementar um sistema totalmente eletrônico de frenagem foi um fracasso.
A Mercedes-Benz testou a solução em modelos como Classe E, CLS e SL entre 2003 e 2006. A ideia era promissora: substituir o sistema hidráulico — sujeito a vazamentos e corrosão — por impulsos elétricos que acionariam motores individuais em cada roda.
Na prática, falhas técnicas obrigaram a montadora a realizar recalls em cerca de 2 milhões de veículos. Embora houvesse um freio emergencial hidráulico como backup, a confiança dos motoristas caiu drasticamente devido ao aumento na distância de frenagem.
2. Câmbio automatizado: promessa que virou dor de cabeça
Nos anos 2000, o câmbio automatizado parecia ser a solução intermediária entre a caixa manual e os automáticos tradicionais. Com um microprocessador controlando a embreagem e as trocas de marcha, prometia conforto a preço acessível.
No Brasil, ganhou diferentes nomes: Dualogic (Fiat), Easytronic (Chevrolet) e i-Motion (Volkswagen). Porém, na prática, causava engasgos, trancos e travamentos. Resultado: caiu em desuso e deixou má reputação.
As versões de dupla embreagem, mais sofisticadas, conseguiram se consolidar em marcas como VW, Renault e Hyundai. Porém, o infame Powershift da Ford se tornou símbolo do fracasso, a ponto de motoristas apelidarem o sistema de “Power Shit”.
3. Joystick da Estrela: tecnologia além da conta
No protótipo Mercedes F-200, apresentado em 1996, a ideia era ousada: substituir volante, acelerador e freio por um joystick. O projeto não vingou, mas inspirou a marca a lançar uma pequena alavanca no console que concentrava mais de 600 funções eletrônicas.
O problema? A pesquisa da própria Mercedes revelou que motoristas usavam menos de 10% dos comandos. A complexidade excessiva fez a marca abandonar a inovação.
4. Retrovisores por radar: design versus usabilidade
Para criar carros mais aerodinâmicos, designers buscaram alternativas aos retrovisores externos. A Audi chegou a substituir espelhos por telas conectadas a radares.
Apesar de futurista, a solução não agradou motoristas, que estranhavam ter de olhar para as portas em vez de retrovisores tradicionais. A tecnologia foi rapidamente abandonada na maioria dos modelos.
5. Waze em áreas de risco
Os sistemas de navegação mudaram a forma de dirigir, mas nem sempre de forma positiva. O problema surge quando aplicativos como o Waze calculam apenas o caminho mais curto, sem considerar a segurança.
Há registros de turistas sendo conduzidos a regiões perigosas e sofrendo ataques por confiar cegamente nas rotas sugeridas pelo app.
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6. Cilindros variáveis: a falha do V8-6-4
Nos anos 1980, a General Motors tentou reduzir consumo no Cadillac com o motor V8-6-4, que desativava cilindros eletronicamente. Na prática, o sistema falhava ao reativar os cilindros, deixando carros pesados com apenas quatro em funcionamento.
O resultado era desastroso em subidas. Muitos proprietários pediam aos mecânicos que simplesmente desligassem a tecnologia para evitar dores de cabeça.
7. O “carro que pula”: suspensão futurista da Bose
A Bose, famosa por sistemas de som, investiu em uma suspensão capaz de anular buracos e manter o carro nivelado. A tecnologia realmente funcionava: o veículo parecia “pular” sobre crateras sem que os ocupantes percebessem.
O entrave foi o custo e o peso do sistema, que exigia motores em cada amortecedor. A Mercedes, Ford e BMW chegaram a testar protótipos, mas nenhum chegou à produção em massa.
Hoje, a chinesa NIO e a BYD tentam resgatar a ideia em SUVs e esportivos, como o Yangwang U9, conhecido como “carro que pula”.
A eletrônica e os “botõezinhos de volta”

Com tantas tentativas e erros, uma lição ficou clara: a inovação precisa ter propósito real. Muitas montadoras estão resgatando funções simples, como botões físicos para o rádio, diante da frustração dos motoristas com sistemas excessivamente digitais.
A eletrônica é, sem dúvida, essencial para o futuro dos carros autônomos e elétricos. Mas sua aplicação deve ser feita com equilíbrio entre praticidade, custo e segurança.
Fonte: CNN Brasil
