Na última semana, Elon Musk, CEO da Tesla, SpaceX e X, surpreendeu ao anunciar a criação de um novo partido político nos Estados Unidos, o American Party.
Elon Musk desafia Trump e propõe novo partido com Bitcoin como bandeira
Elon Musk anuncia criação do “American Party”, anuncia adoção do Bitcoin e inicia guerra verbal com Donald Trump. Entenda os desdobramentos políticos, econômicos e mais.
Com um manifesto populista e postura crítica às atuais estruturas federais, Musk prometeu cortar gastos, reduzir a dívida pública e, chamativamente, adotar o Bitcoin como instrumento financeiro oficial, em substituição ao dólar — “que não tem mais esperança”, segundo ele.
A declaração reacende discussões sobre a relação entre criptomoedas e política, e marca um duro confronto entre Musk e o presidente Donald Trump.
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Criação do American Party: objetivos e estratégia
O American Party, conforme anunciado por Musk, nasce com a missão de “cortar gastos, manter a dívida sob controle e modernizar o sistema político americano”.
Seguindo uma linha ideológica alinhada ao liberalismo econômico, Musk tem repetido que “o Estado não é a solução, o Estado é o problema”, ecoando o discurso de líderes como Javier Milei, o presidente da Argentina, citado por ele com aprovação.
Estrutura inicial e planos eleitorais
Embora Musk não possa concorrer, por não ser naturalizado norte-americano, ele pretende lançar candidatos próprios ao Congresso e ao Senado para as eleições de 2026, e já abre espaço para pensar em apoio a um nome presidencial em 2028.
Ele deixa claro, no entanto, que o foco imediato recai sobre a capacitação do partido para ocupar cadeiras legislativas.
Bitcoin como moeda do novo partido: crise de confiança no dólar

Apoiador do Bitcoin desde pelo menos 2021, quando a Tesla comprou US$ 1,5 bilhões em BTC (mantendo hoje cerca de 11.509 BTC, avaliados em US$ 1,2 bilhão), Musk defendeu o uso da criptomoeda de forma mais ampla no sistema econômico e político americanos.
Ao ser questionado sobre a adoção do Bitcoin no contexto do American Party, Musk sentenciou: “As moedas fiduciárias são um caso perdido, então sim”, referindo-se ao dólar.
A proposta inclui permitir pagamentos de impostos e serviços governamentais em BTC, além de considerar o lastreamento do dólar em Bitcoin e outros ativos escassos, mencionados pelo partido de Robert F. Kennedy Jr., outro nome que ganha força na cena cripto.
Influência ideológica e político de direita populista
Musk expressou admiração por Javier Milei, presidente argentino e figura de direita liberal com discurso antiliberal. A ideia é replicar o populismo liberal nos EUA, com foco em redução do Estado e blindagem contra deserções políticas.
A estratégia ainda mira preencher uma lacuna no espectro político, atraindo indivíduos que buscam reforma disruptiva sem adotar o tradicionalismo conservador ou político-partidário clássico.
Conflito com Trump: briga que se estende por plataformas públicas
De parceiras a inimigos políticos
Musk chegou a colaborar com o governo Trump por meses no chamado “DOGE” (Departamento de Eficiência Governamental), voltado à otimização de gastos federais. No entanto, um pacote de gastos aprovado no Congresso inflamou sua desconfiança.
“Esse projeto de lei de gastos do Congresso, gigantesco, ultrajante e cheio de privilégios, é uma abominação repugnante”, afirmou Musk no Twitter.
A declaração deixou Trump irritado, que respondeu chamando Musk de ingrato, considerando cortar subsídios à Tesla e impondo como retaliação. O tom ficou ainda mais hostil quando Musk insinuou que Trump estaria ligado ao escândalo de Jeffrey Epstein, provocando ameaças de deportação por parte do ex-presidente.
Troca de acusações públicas
Musk acusou Trump, de forma enigmática, mencionando que ele estaria “na lista de Epstein”. Trump, por sua vez, publicou no Truth Social:
“Musk agora quer até fundar um Terceiro Partido… Fico triste ao ver Musk sair completamente ‘dos trilhos’… Ele provavelmente estava sempre nos Democratas.”
A acirrada dialética política agora alimenta duas frentes: o plano de Musk de fundar um partido disruptivo, e a tentativa de Trump de desacreditá-lo e puni-lo com sanções econômicas.
Quem são os possíveis candidatos do American Party?

Eleições legislativas primeiro, depois presidencial
Para viabilizar o projeto político, Musk enfatizou que os esforços iniciais estarão concentrados em Nomeações para 2026, com prioridade em Câmara e Senado. O apoio a uma candidatura presidencial em 2028 não está descartado, mas será avaliado conforme o desempenho legislativo do partido.
Nomes em evidência na criptoesfera
Robert F. Kennedy Jr.
Um dos candidatos presidenciais que defende lastreamento do dólar em Bitcoin, Kennedy Jr. tem recebido elogios de Musk por essa proposta. Se a ideia prosperar, poderia ganhar força política e financeira.
Vivek Ramaswamy, Ron DeSantis e Francis Suarez
Outros nomes que já manifestaram apoio ao Bitcoin e, em certa medida, se alinham à visão cripto-liberal de Musk.
Implicações para o mercado e a agenda do Bitcoin
Se o partido norte-americano que incorporasse o Bitcoin aos seus programas e discurso institucional continuasse a ganhar força, o ramo jurídico, regulatório e econômico da criptomoeda poderia passar por mudanças profundas. Entre os possíveis efeitos:
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- Adoção do Bitcoin como moeda legal alternativa ou complementar;
- Criação de incentivos fiscais para incorporarem BTC no sistema financeiro;
- Posição mais rígida contra iniciativas anti-cripto, principalmente legisladores proibicionistas.
Volatilidade e atratividade
Enquanto o cenário político se define, o mercado deverá reage com volatilidade — preços podem flutuar conforme surjam notícias sobre a viabilidade legislativa do American Party. Por outro lado, a iniciativa também chama atenção institucional, podendo gerar fluxo de capital e maior legitimidade para o BTC.
Cronologia dos acontecimentos
- Abril de 2021: Tesla compra US$ 1,5 bilhão em BTC;
- Últimas semanas: Musk critica pacote de gastos do Congresso;
- 1 jul 2025: Elon anuncia criação do American Party;
- 6 jul 2025: Musk confirma que partido adotará o Bitcoin;
- Em paralelo: intensifica-se troca de farpas com Trump.
Cenários futuros e riscos
Cenário otimista
O American Party cresce, e candidatos pró-Bitcoin são eleitos ao Congresso. Partidos maiores são forçados a negociar políticas favoráveis à cripto. A adoção do BTC como instrumento fiscal ganha força.
Cenário equilibrado
O partido consegue cadeiras limitadas e torna-se voz de dissentimento, mas sem poder decisório. A luta por regulamentação pró-Bitcoin continua, mas sem manifestações concretas no curto prazo.
Cenário pessimista
Sob pressão interna e ataque de Trump, o partido trava, não se estabelece como relevante. A iniciativa vira um episódio isolado e pode enfraquecer a narrativa cripto no espectro político.
Depoimentos do ecossistema
- Elon Musk: “Moedas fiduciárias são um caso perdido.”
- Donald Trump: “Musk está completamente fora dos trilhos.”
- Nick Ruck (LVRG): “A politização do Bitcoin pode criar catalisadores inesperados.”
- Analista cripto sênior: “A entrada de Musk na política com discurso cripto é inédita — e preocupante para economistas tradicionais.”
Considerações finais

A iniciativa de Elon Musk de fundar o American Party com plataforma pró-Bitcoin representa uma nova fase no entrelaçamento entre tecnologia, finanças e política. Ao buscar institucionalizar o uso do Bitcoin enquanto questiona o dólar, Musk inova — mas também provoca forte reação, sobretudo de figuras tradicionais como Donald Trump.
Como resultado, emergem três caminhos possíveis:
- O partido cresce e assume protagonismo em mesas legislativas;
- Ganha força limitada, mas amplia tema da agenda política;
- É sufocado por pressões políticas e perde relevância rapidamente.
Enquanto isso, para o mercado cripto, vale acompanhar: essa movimentação pode oferecer novos debate dinâmicos, regulamentações mais inclusivas ou, em caso adverso, calafrios institucionais. A criação do American Party com apoio ao Bitcoin inaugura um capítulo instigante — e imprevisível — na história das criptomoedas nos Estados Unidos.
