O cenário corporativo brasileiro está cada vez mais aberto aos criptoativos. Empresas de diferentes setores estão destinando valores milionários ao Bitcoin, acompanhando um movimento global que vem transformando a forma como companhias lidam com reservas de valor e estratégias de investimento.
Mesmo com a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre ativos digitais, instituída pelo governo federal no mês passado, o apetite das corporações nacionais não parece ter diminuído. Pelo contrário: a presença do Bitcoin nas tesourarias empresariais ganha força e começa a influenciar até mesmo a imagem institucional dessas companhias.
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Um exemplo emblemático desse movimento vem da Méliuz, fintech que, até junho de 2025, acumulou 595 Bitcoins, o equivalente a mais de R$ 240 milhões. Essa aquisição fez com que a empresa se tornasse a maior detentora de Bitcoin entre companhias de capital aberto na América Latina.
O impacto dessa estratégia foi imediato: as ações da Méliuz registraram valorização próxima a 200% no ano, e a empresa passou a ser vista como uma “Bitcoin Treasury Company”, conceito usado para descrever empresas que mantêm grandes reservas da criptomoeda como parte de sua estratégia de negócios.
Orange BTC: planos bilionários fora da Bolsa
Outro nome que chama atenção é a Orange BTC, instituição financeira que, mesmo não sendo listada em Bolsa, já anunciou um projeto ambicioso: investir US$ 210 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão) em Bitcoin. A proposta é consolidar a criptomoeda como reserva de valor estratégica, fortalecendo seu posicionamento no mercado antes de uma possível oferta pública inicial (IPO).
Essa postura remete à estratégia de empresas internacionais como a norte-americana MicroStrategy, que se tornou referência mundial ao incorporar grandes volumes de Bitcoin ao seu patrimônio e oferecer exposição indireta ao ativo por meio de suas ações.
Adoção do Bitcoin chega a setores tradicionais
Não são apenas empresas de tecnologia e fintechs que estão aderindo ao Bitcoin. Bancos varejistas tradicionais já disponibilizam tokens de criptomoedas em seus aplicativos, abrindo espaço para que correntistas experimentem o universo dos ativos digitais sem sair de suas plataformas bancárias.
O pioneirismo na América Latina coube ao Mercado Livre, que foi a primeira empresa da região a incorporar Bitcoin em sua tesouraria. Desde então, a prática vem se espalhando e ganhando corpo no Brasil, com empresas de diferentes segmentos testando e adotando o modelo.
Brasil entre os gigantes do mercado global
O Brasil já ocupa lugar de destaque no cenário internacional, figurando entre os dez maiores mercados de Bitcoin do mundo. Segundo dados do Banco Central, o país movimentou mais de US$ 10 bilhões em 2024 no ativo.
Entretanto, o desempenho do primeiro semestre de 2025 foi mais tímido: a criptomoeda registrou valorização de apenas 2,2% no período, influenciada pelo fortalecimento do real frente ao dólar. Mesmo assim, a movimentação corporativa não arrefeceu, indicando que o foco das empresas é de longo prazo.
Ethereum também entra no radar corporativo
Embora o Bitcoin ainda seja o principal protagonista, outras criptomoedas começam a ganhar atenção. Para Axel Blikstad, sócio fundador da B2V Crypto, o momento também é promissor para o Ethereum.
Segundo ele, a aprovação do Genius Act nos Estados Unidos, regulamentando o mercado de stablecoins — atualmente avaliado em US$ 260 bilhões — pode impulsionar o Ethereum a níveis históricos:
“Muitos acreditam que vai ultrapassar os US$ 2 trilhões nos próximos dois a cinco anos”, afirma Blikstad.
Regulação e segurança jurídica no horizonte
O Banco Central do Brasil vem avançando na regulamentação do setor de criptoativos, com a promessa de concluir ainda em 2025 um conjunto de normas voltadas para dar segurança jurídica, coibir fraudes e fomentar o crescimento sustentável do mercado.
Para especialistas, o movimento regulatório será crucial para consolidar a presença dos criptoativos no ambiente corporativo, reduzindo riscos e atraindo ainda mais empresas para essa nova classe de ativos.
Conclusão: um caminho sem volta para os criptoativos no Brasil
Imagem: svetlichniy_igor / Shutterstock.com
A combinação de grandes aportes corporativos, crescente adesão de setores tradicionais e avanços na regulação coloca o Brasil em rota acelerada para se tornar uma potência no ecossistema global de criptoativos.
Seja pela busca de valorização, pela diversificação de portfólio ou pela proteção contra cenários econômicos instáveis, o fato é que o Bitcoin e outras criptomoedas já fazem parte da estratégia empresarial no país. Para muitos analistas, a tendência é clara: o Brasil entrou de vez no jogo dos criptoativos — e não há volta.
Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.