A 36ª edição da Pesquisa Anual do FGVcia sobre o mercado de TI revelou um retrato interessante do uso da Inteligência Artificial (IA) generativa no Brasil: embora 80% das empresas afirmem já utilizar a tecnologia no dia a dia, 75% ainda o fazem de forma limitada. O estudo, divulgado nesta quinta-feira (27), mostra um cenário em transição, onde o entusiasmo convive com a cautela.
Panorama do uso da IA generativa no Brasil

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Segundo os dados, a maioria das organizações brasileiras já reconhece o potencial das ferramentas de IA generativa. O levantamento identificou que os recursos mais utilizados estão associados a tarefas automatizadas e suporte ao atendimento, com foco em:
- Chatbots
- Machine Learning
- Reconhecimento biométrico
Entre as ferramentas de IA mais adotadas pelas empresas estão:
| Ferramenta de IA | Participação nas empresas (%) |
|---|---|
| Microsoft Copilot | 40% |
| ChatGPT (OpenAI) | 32% |
| Google Gemini | 20% |
Apesar dessa adesão, o uso prático ainda é restrito em boa parte dos setores, indicando que a tecnologia ainda está em fase de maturação operacional no ambiente corporativo brasileiro.
Microsoft Copilot lidera a corrida pela IA corporativa
O destaque da pesquisa foi o Microsoft Copilot, que lidera a preferência entre as empresas brasileiras, sendo utilizado por 40% das organizações que já adotam IA generativa.
A presença consolidada do ecossistema Microsoft nas corporações torna o Copilot uma escolha natural, especialmente por facilitar o uso de IA em tarefas administrativas e operacionais cotidianas.
ChatGPT e Google Gemini ganham espaço
Ferramentas como o ChatGPT, da OpenAI, e o Google Gemini também ganham terreno no ambiente empresarial. O ChatGPT aparece com 32% de utilização, enquanto o Gemini, mais recente, registra 20%.
Essas plataformas são mais exploradas em áreas como:
- Suporte ao cliente via chat automatizado
- Geração de conteúdo para marketing
- Processamento de linguagem natural para análise de dados
O impacto da IA
A pesquisa do FGVcia também explorou o impacto da IA sobre diferentes ocupações. Entre mil profissões analisadas, a de professor universitário está entre as 25 com maior superposição de tarefas com a Inteligência Artificial.
Segundo o professor Ethan Mollick, da Wharton School, nos Estados Unidos, isso não significa que os docentes serão substituídos. “Representa uma mudança e uma ruptura profunda. A IA transforma a forma como o ensino é estruturado e conduzido”, afirma.
Tarefas impactadas na docência superior:
- Elaboração de planos de aula automatizados
- Correção de provas com auxílio de IA
- Geração de conteúdo acadêmico
- Suporte a estudantes via tutores virtuais
A transformação no ensino superior tende a aumentar com o uso de IA para personalizar a experiência do aluno e otimizar a atuação docente.
Distribuição de dispositivos digitais no Brasil:
| Tipo de dispositivo | Total em uso (milhões) | Proporção por habitante |
|---|---|---|
| Smartphones | 272 | 1,3 |
| Computadores | 105 | 0,5 |
| TVs Digitais | 60 | 0,3 |
| Tablets e outros | 65 | 0,3 |
| Total | 502 | 2,4 |
Além disso, a pesquisa revela um dado de mercado expressivo: para cada TV vendida, são comercializados 2,2 celulares no Brasil. O dado ilustra a consolidação dos dispositivos móveis como principal canal de acesso digital, tanto no consumo pessoal quanto no ambiente corporativo.
Por que o uso da IA ainda é limitado nas empresas?
Apesar da adesão declarada à IA, muitos obstáculos ainda impedem sua utilização plena:
Barreiras para a adoção efetiva da IA
- Falta de mão de obra qualificada: empresas carecem de profissionais especializados em ciência de dados e machine learning.
- Custo de implementação: soluções avançadas exigem investimentos significativos.
- Resistência cultural: áreas tradicionais são mais relutantes em mudar processos.
- Desconhecimento técnico: gestores nem sempre compreendem o funcionamento da IA.
Esses fatores explicam por que 75% das empresas brasileiras ainda exploram apenas parte do potencial dessas tecnologias.
Perspectivas para o futuro da IA no Brasil

A tendência é de expansão. Com a maturação das plataformas e a democratização do acesso à informação, espera-se que a IA ganhe espaço em áreas como:
- Finanças: análise de crédito e risco com IA
- Saúde: diagnóstico assistido por algoritmos
- Agronegócio: previsão de safras e clima
- Logística: roteirização inteligente
A chegada de regulamentações específicas também deve oferecer maior segurança jurídica e encorajar empresas a investir com mais confiança.
FAQ – Perguntas frequentes
O que diz a pesquisa da FGVcia sobre o uso da IA nas empresas?
A pesquisa aponta que 80% das empresas brasileiras já utilizam IA generativa, embora 75% a utilizem de forma limitada.
Quais são os usos mais comuns da IA nas empresas?
Os principais usos são em chatbots, machine learning e reconhecimento biométrico.
Considerações finais
A maioria das empresas já adotou essas ferramentas em alguma medida, mas o uso efetivo ainda é restrito. Os dados mostram um cenário promissor, com oportunidades significativas para aqueles que souberem integrar tecnologia e estratégia.
O avanço da IA depende de fatores como capacitação técnica, investimento e mudança cultural. Nesse contexto, iniciativas públicas e privadas voltadas à formação de profissionais em tecnologia serão decisivas para acelerar essa transformação.

