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Empréstimo liberado para negativados: veja as condições

Anunciado oficialmente em março de 2025, o Programa Crédito do Trabalhador vem ganhando destaque por oferecer empréstimos consignados com juros baixos para trab

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
averbação de empréstimo

Anunciado oficialmente em março de 2025, o Programa Crédito do Trabalhador vem ganhando destaque por oferecer empréstimos consignados com juros baixos para trabalhadores com carteira assinada (CLT). A grande novidade é que, de acordo com o Ministério do Trabalho, mesmo quem está com o nome sujo pode solicitar o crédito.

Em entrevista recente ao programa de rádio A Voz do Brasil, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que a inadimplência não será impeditivo para a aprovação do crédito, já que a garantia principal da operação é o desconto direto em folha de pagamento.

A medida promete ser um alívio para os milhões de brasileiros negativados que enfrentam dificuldades em conseguir acesso ao crédito tradicional. Mas apesar da promessa de inclusão, o programa ainda enfrenta barreiras operacionais e resistência por parte de bancos privados.

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Imagem: Freepik e Canva

Uma nova alternativa de crédito para celetistas

O Crédito do Trabalhador é uma modalidade de empréstimo consignado voltado a trabalhadores formais, com parcelas descontadas diretamente da folha de pagamento. O objetivo do programa é facilitar o acesso ao crédito para quem está empregado com carteira assinada e precisa de dinheiro com juros mais baixos.

Características principais do programa:

  • Exclusivo para trabalhadores com carteira assinada (CLT);
  • Parcelas descontadas em folha de pagamento;
  • Juros entre 1,46% e 3,17% ao mês, bem abaixo das taxas do crédito pessoal;
  • Possibilidade de usar até 10% do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia;
  • Disponível via Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital);
  • Permite contratação mesmo com restrição no CPF.

Inadimplentes também podem contratar

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Imagem: SB Arts Media / shutterstock.com

Nome sujo não é impeditivo, diz ministro

Durante entrevista à Voz do Brasil, o ministro Luiz Marinho confirmou:

“A garantia é o salário e a folha de pagamento, já que [o empréstimo] será descontado em folha de pagamento. Então não será necessário os bancos observarem se o trabalhador tem dívida extraordinária, se está com o nome sujo.”

Essa declaração tranquiliza muitos trabalhadores que, apesar de estarem empregados, não conseguem acesso a crédito no mercado tradicional por estarem com o CPF negativado. A nova política, portanto, representa um avanço em termos de inclusão financeira.

Dados do programa: mais de R$ 340 milhões já contratados

Segundo balanço divulgado pelo governo federal e publicado pela IstoÉ Dinheiro, mais de 55 mil contratos já foram firmados desde o lançamento do programa, totalizando aproximadamente R$ 340 milhões em empréstimos.

A expectativa é de que esse número cresça significativamente nos próximos meses, principalmente com a entrada gradual de novos bancos e fintechs no programa.

Nem todos os bancos aderiram ao programa

Resistência do mercado financeiro

Uma reportagem da CNN Brasil mostrou que grandes bancos e fintechs ainda demonstram resistência em aderir ao programa, devido a divergências no cálculo da margem consignável.

Enquanto a Dataprev, responsável pelos cálculos do programa, considera o salário bruto para definir a margem de até 35% que pode ser comprometida, o mercado de crédito tradicional utiliza o salário líquido, o que impacta a análise de risco.

Essa diferença gera insegurança entre as instituições financeiras, principalmente as que operam com altos volumes de crédito, pois aumenta a chance de inadimplência em situações de demissão ou perda de renda.

Bancos que já operam com o crédito do trabalhador

Crédito do Trabalhador - Freepik e Canva

Atualmente, três grandes instituições financeiras já confirmaram participação no programa:

  • Caixa Econômica Federal
    • Taxa média: 1,60% a 3,17% ao mês
    • Oferece contratação via app CAIXA Tem e CTPS Digital.
  • Banco do Brasil
    • Taxa média: 1,46% a 3,00% ao mês
    • Aceita uso do FGTS como garantia e já disponibiliza propostas pela Carteira de Trabalho Digital.
  • Banco Itaú
    • Adesão recente. Detalhes das taxas e critérios de aprovação ainda estão sendo definidos.

Fintechs como Nubank, Banco Inter e C6 Bank ainda não aderiram ao programa, mas podem entrar à medida que os sistemas de integração com a Dataprev e a CTPS Digital forem aprimorados.

Como solicitar o crédito do trabalhador

Passo a passo para solicitar

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  1. Baixe ou atualize o app Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital);
  2. Acesse a seção de crédito consignado e autorize a consulta ao seu vínculo empregatício e dados do FGTS;
  3. Aguarde até 24 horas para receber propostas dos bancos que participam do programa;
  4. Compare as taxas de juros e condições e selecione a proposta desejada;
  5. O valor será depositado na sua conta e as parcelas descontadas diretamente da folha.

A partir de 25 de abril, será possível contratar também pelos aplicativos bancários dos parceiros do programa.

Riscos e cuidados ao contratar o empréstimo

Mesmo com nome sujo, é preciso cautela

Embora a possibilidade de contratar mesmo estando negativado seja vista como positiva, especialistas alertam para os riscos do endividamento descontrolado.

Pontos de atenção:

  • Comprometimento da renda: até 35% do salário pode ser comprometido com o crédito, o que pode pesar no orçamento mensal;
  • Demissão: se o trabalhador for demitido, a multa rescisória pode ser usada para abater o saldo da dívida, reduzindo a indenização recebida;
  • Crédito não é renda extra: é importante ter uma finalidade clara para o empréstimo — como quitar dívidas mais caras ou investir em algo essencial.

“Crédito é uma ferramenta, não uma solução mágica. Quando mal utilizado, vira armadilha”, alerta o educador financeiro Bruno Diniz.

Quem pode contratar o crédito do trabalhador?

Requisitos básicos

  • Ter vínculo ativo sob regime da CLT (carteira assinada);
  • Possuir salário registrado e folha de pagamento regular;
  • Não é necessário ter nome limpo ou bom score de crédito;
  • Ter acesso ao app Carteira de Trabalho Digital ou conta nos bancos parceiros.

Considerações finais

O Crédito do Trabalhador surge como uma alternativa viável e inclusiva para milhões de brasileiros empregados que, até então, estavam fora do sistema bancário formal por conta da inadimplência.

Ao permitir que trabalhadores com nome sujo possam contratar o empréstimo com base em garantias reais — como o salário e o FGTS — o programa dá um passo importante na direção da inclusão financeira.

No entanto, a contratação exige planejamento, responsabilidade e análise cuidadosa das condições oferecidas. É fundamental entender que, apesar das taxas mais baixas, o empréstimo é uma obrigação de longo prazo que impacta diretamente o orçamento do trabalhador.

Se usado com consciência, o Crédito do Trabalhador pode ser um aliado poderoso. Mas, sem controle, pode se transformar em mais uma armadilha do crédito fácil.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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