Energia eólica no Brasil é mais barata que em grande parte do mundo
Segundo relatório da Irena, o Brasil se destaca entre os países com menor custo de geração de energia eólica onshore, reforçando sua liderança.
Um novo relatório da Irena, divulgado nesta terça (22), revela que o Brasil é um dos líderes mundiais em geração de energia renovável a baixo custo, especialmente no setor eólico. O estudo confirma a tendência de queda global no custo da energia limpa e aponta o país como um dos mais competitivos em termos de custo-benefício.
A queda nos custos da energia renovável no mundo
A seguir, os custos médios globais por tipo de fonte de energia:
Leia mais: Conta de luz mais barata: energia solar por assinatura ganha espaço no país
| Fonte de energia | Custo médio global em 2024 (US$/kWh) | Redução em relação à fonte fóssil mais barata |
|---|---|---|
| Energia eólica onshore | US$ 0,034 | 53% mais barata |
| Energia solar fotovoltaica | US$ 0,043 | 41% mais barata |
| Energia hidrelétrica | US$ 0,057 | — |
As fontes fósseis mais baratas, como o gás natural e o carvão, não conseguiram competir com os preços em queda das renováveis, que também oferecem benefícios em sustentabilidade e segurança energética.
Energia eólica no Brasil: custo competitivo e expansão contínua
Custo da energia eólica brasileira
De acordo com o relatório, o Brasil conseguiu alcançar custos médios inferiores à média global, especialmente na energia eólica onshore, graças à combinação de recursos naturais favoráveis, políticas de incentivo e infraestrutura consolidada.
Os principais fatores são:
- Alta incidência de ventos constantes em regiões como o Nordeste;
- Investimentos públicos e privados em tecnologia e linhas de transmissão;
- Ambiente regulatório estável, com leilões de energia que estimulam a competição entre produtores;
- Produção nacional de componentes, como turbinas eólicas, que reduz dependência do mercado externo.
Crescimento da capacidade instalada
O Brasil fechou o ano de 2024 com mais de 30 GW de capacidade instalada em energia eólica, distribuídos principalmente entre os estados do Rio Grande do Norte, Bahia, Piauí e Ceará. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), a previsão é de que esse número ultrapasse 40 GW até 2030.
Fontes renováveis
Redução da dependência de combustíveis fósseis
O relatório da Irena reforça que o investimento em energia renovável não é apenas uma questão ambiental, mas também geopolítica e econômica. Países que investem em fontes como a solar e a eólica reduzem sua exposição a choques internacionais de preços e conflitos geopolíticos que afetam o fornecimento de petróleo e gás.
Comparativo de custo: energia eólica no Brasil e no mundo
| País / Região | Custo médio da energia eólica onshore (US$/kWh) |
|---|---|
| Brasil | US$ 0,029 |
| China | US$ 0,032 |
| Estados Unidos | US$ 0,036 |
| União Europeia | US$ 0,038 |
| Média global | US$ 0,034 |
O papel da política energética no avanço das renováveis
Leilões de energia e incentivos fiscais
Desde 2009, leilões específicos e incentivos fiscais, como a isenção de ICMS, têm garantido investimentos e mantido os custos baixos na energia eólica no Brasil.
Integração com outras fontes renováveis
Outro diferencial do país é a complementaridade entre as fontes solar, eólica e hídrica. Durante os períodos de seca, os ventos costumam ser mais intensos, o que permite equilíbrio na geração elétrica.
FAQ — Perguntas frequentes
O Brasil exporta tecnologia eólica para outros países?
Sim, algumas empresas brasileiras de tecnologia e fabricação de componentes atuam no mercado internacional, mas ainda há espaço para expansão.
Quais são as vantagens ambientais da energia eólica?
Ela é uma fonte limpa, que não emite gases poluentes nem contribui para o efeito estufa, ajudando a reduzir os impactos ambientais do setor energético.
Considerações finais
O novo relatório da Irena confirma o que já vinha sendo observado nos últimos anos: o Brasil é referência mundial em energia renovável de baixo custo. A energia eólica, em especial, consolida-se como uma alternativa eficiente, competitiva e sustentável para atender à crescente demanda energética do país.
Com políticas públicas bem estruturadas e um ambiente natural favorável, o Brasil tem todas as condições de continuar expandindo sua participação global no setor energético, ao mesmo tempo em que promove desenvolvimento econômico e segurança ambiental.