Recentes estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam que o Brasil possui alguns dos custos mais baixos do mundo para geração de energia elétrica através de fontes renováveis, como hidrelétrica, eólica, solar e biomassa.
Entenda os altos custos de energia elétrica no Brasil: tarifas, moeda e renováveis
Entenda os custos de energia elétrica no Brasil e por que eles parecem tão altos. Descubra os fatores por trás das tarifas de energia.
Apesar disso, muitos brasileiros ainda sentem o peso das tarifas de energia elétrica no bolso. Por que, mesmo com a expansão das fontes renováveis e custos de geração relativamente baixos, as tarifas ainda parecem tão altas? Descubra a seguir.
Por que as tarifas de energia elétrica parecem altas no Brasil?

Um dos principais fatores que contribui para esta percepção é a diferença na moeda. Quando comparamos os preços brasileiros com valores internacionais, geralmente convertendo para dólar ou euro, as tarifas no Brasil podem parecer mais acessíveis. Contudo, se desconsiderarmos a taxa de câmbio e colocarmos a renda da população em perspectiva, a história muda significativamente.
Ao analisar a proporção das despesas com energia elétrica no orçamento das famílias brasileiras, descobre-se que ocupam o segundo lugar em termos de maior carga, com 6,8% do rendimento médio, ficando atrás apenas da Itália.
Esse percentual elevado é ainda mais significativo entre as famílias de menor renda, uma vez que as tarifas podem variar em mais de 40%, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)
Como são compostas as tarifas de energia elétrica no Brasil?
A composição da tarifa de energia elétrica pode ser dividida em quatro categorias principais: geração, transmissão, distribuição e encargos, além dos impostos inclusos.
Nos últimos anos, a transmissão representou aproximadamente 8% a 9% dos custos totais, enquanto a distribuição, que constituía 38% do total em 2010, caiu para cerca de 30% em 2024. Esses custos são rigorosamente auditados e regulamentados pela ANEEL.
Quais são os desafios na gestão tarifária de energia no Brasil?
Além dos custos associados diretamente às infraestruturas de geração, transmissão e distribuição, existem os chamados encargos – que incluem diversos subsídios e representaram incríveis 18% do valor final da tarifa.
A gerência desses encargos mostrou uma tendência de alta, sobrecarregando ainda mais o consumidor. Outra complicação é o pagamento adicional pela segurança do sistema e custos não operacionais de grandes contratos, como os da usina de Itaipu.
Disparidade entre custos e tarifas
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Embora o Brasil tenha contratado fontes renováveis, como eólicas e solares, a preços muito competitivos no último leilão de energia nova em 2022, esses custos continuam sendo repassados ao consumidor a valores aproximadamente 50% superiores ao inicial, o que inclui pagamento por segurança e ineficiências sistêmicas.
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Essas ineficiências incluem a contratação de fontes energéticas mais caras mesmo existindo alternativas menos onerosas e a geração termelétrica compulsória, que resulta na perda de recursos naturais como água e vento.
Imagem: KT Stock photos / Shutterstock.com
