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Brasileiros largam a carteira assinada para trabalhar como entregadores e faturam até R$ 12 mil por mês

Expansão das entregas por marketplaces em Belo Horizonte impulsiona renda informal, muda a rotina urbana e permite faturamentos mensais de até R$ 12 mil.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa8 min de leitura
Marketplace

A expansão acelerada das entregas realizadas por marketplaces vem redesenhando a dinâmica urbana de Belo Horizonte e criando uma nova frente de geração de renda para trabalhadores autônomos. A atividade, antes quase exclusiva dos Correios e de transportadoras tradicionais, passou a ocupar ruas, condomínios e centros comerciais da capital mineira com entregadores sem identificação padronizada, mas com presença constante e crescente.

Reportagem publicada pelo jornal O Tempo revela que esse movimento não apenas modificou a logística urbana, como também impactou diretamente os indicadores de rendimento informal divulgados em 2024. Em alguns casos, os ganhos mensais chegam a R$ 12 mil, valor que supera com folga a remuneração média de muitos empregos formais no país.

A transformação ocorre em meio a um cenário de flexibilização do trabalho, avanço do comércio eletrônico e aumento da procura por fontes alternativas de renda, tanto como ocupação principal quanto complementar.

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A nova paisagem urbana das entregas rápidas

Entregadores se tornam presença cotidiana em bairros e condomínios

Em praticamente todos os bairros de Belo Horizonte, tornou-se comum a chegada de veículos particulares realizando entregas rápidas. Diferentemente do passado, quando uniformes e veículos identificados facilitavam o reconhecimento, os novos entregadores circulam de forma discreta, muitas vezes utilizando carros próprios, sem logotipo ou padronização.

Essa mudança reflete a descentralização da logística promovida por plataformas como Amazon, Mercado Livre e Shopee, que passaram a operar com redes extensas de parceiros autônomos.

Do serviço público à lógica das plataformas digitais

Durante décadas, os Correios concentraram grande parte das entregas de encomendas no país. Com a popularização dos marketplaces, essa lógica foi substituída por modelos baseados em tecnologia, algoritmos de roteirização e contratação flexível de motoristas.

O resultado é um sistema mais ágil, porém marcado pela informalidade e pela transferência de custos operacionais para o trabalhador.

Mudança de carreira impulsionada pela autonomia financeira

A trajetória de quem deixou o emprego formal

Um dos exemplos mais emblemáticos dessa transição é o de Jaderson Barbosa dos Santos, de 43 anos. Após duas décadas atuando como motorista com carteira assinada, ele decidiu abandonar o regime CLT para se tornar entregador autônomo vinculado à Amazon.

Há cerca de um ano, Jaderson adquiriu um veículo próprio e passou a atuar exclusivamente com entregas. A decisão, que inicialmente estava planejada para ocorrer apenas aos 45 anos, foi antecipada diante das oportunidades oferecidas pelo novo modelo de trabalho.

Faturamento elevado e comparação com o regime CLT

Nos meses mais favoráveis, Jaderson afirma alcançar faturamento bruto de até R$ 12 mil. O valor representa aproximadamente três vezes o que recebia anteriormente como trabalhador formal.

Atualmente, ele realiza entre 30 e 60 entregas por dia, mantendo essa atividade como única fonte de renda. Mesmo com despesas mensais em torno de R$ 2.500, principalmente com combustível, o rendimento líquido permanece superior ao obtido no emprego anterior.

Flexibilidade e ausência de chefia direta

Além da questão financeira, Jaderson destaca fatores como a flexibilidade de horários e a ausência de supervisão direta. Segundo ele, a possibilidade de interromper ou retomar o trabalho sem penalidades pesou de forma decisiva na escolha pela autonomia.

Dados oficiais confirmam avanço da renda informal masculina

Crescimento registrado pelo IBGE em 2024

Os relatos individuais de entregadores encontram respaldo nos dados oficiais. A Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dezembro de 2024, aponta que o único subgrupo com crescimento no rendimento médio ao longo do ano foi o de homens em ocupações informais.

A alta registrada foi de 2,2%, contrastando com o desempenho de outros segmentos do mercado de trabalho.

Diferenças entre homens e mulheres na informalidade

Entre as mulheres em ocupações informais em Minas Gerais, o rendimento médio apresentou queda de 1,2%. No mercado formal, a retração também foi mais acentuada entre elas, com redução de 5,3% no rendimento médio habitual, enquanto os homens tiveram recuo de 0,5%.

O que o IBGE considera ocupação informal

Segundo a metodologia do IBGE, são classificados como trabalhadores informais empregados e domésticos sem carteira assinada, trabalhadores por conta própria e empregadores sem contribuição previdenciária, além de trabalhadores familiares auxiliares.

Esse conjunto de atividades vem ganhando peso crescente na composição da renda nacional.

O outro lado da expansão: concorrência e queda na média individual

A avaliação de quem já sente os efeitos do excesso de cadastros

Nem todos os entregadores avaliam o cenário de forma otimista. Augusto Cruz, de 34 anos, atua como entregador da Shopee desde 2023 e afirma que as condições já foram mais vantajosas.

Atualmente, ele realiza entre 100 e 120 entregas por dia, trabalhando três dias por semana, com média diária de R$ 335 recebidos.

Concorrência crescente reduz oportunidades

Segundo Augusto, o aumento do número de motoristas cadastrados nas plataformas reduziu a quantidade de corridas disponíveis por trabalhador. A abertura contínua de novos cadastros gerou um sistema de rodízio informal, impactando diretamente o rendimento médio individual.

Complemento de renda para equilibrar custos

Para manter a atividade financeiramente viável, Augusto complementa sua renda com corridas por aplicativo, obtendo cerca de R$ 150 adicionais por dia. Esse valor é utilizado principalmente para cobrir os custos com combustível, permitindo que as entregas continuem sem prejuízo imediato.

Plataformas concentram a maior parte da renda dos parceiros

Dependência financeira das empresas de marketplace

De acordo com dados divulgados pela Shopee, a empresa mantém atualmente cerca de 45 mil motoristas parceiros em todo o Brasil. Embora não haja recorte específico para Minas Gerais, a concentração da renda chama atenção.

Segundo Tiago Freddi, head de logística da companhia, pesquisas internas indicam que aproximadamente 80% da renda mensal dos parceiros é originada na própria plataforma.

Relatos de melhoria na qualidade de vida

Ainda segundo a Shopee, muitos motoristas relatam conquistas como a aquisição de veículos, compra de imóveis, contratação de planos de saúde, quitação de dívidas e maior acesso a bens e serviços.

Mais da metade dos parceiros também afirma ter investido em educação própria ou de familiares, utilizando os rendimentos obtidos com as entregas.

Entregas como renda extra e estratégia temporária

Casais e famílias também aderem ao modelo

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As entregas por marketplaces não se restringem a quem busca renda principal. Casais como Flora Fonseca, de 27 anos, e João Paulo Marsicano, de 28, utilizam a atividade como complemento financeiro.

Atuando juntos no Mercado Livre há cerca de três meses, eles obtêm aproximadamente R$ 2 mil mensais.

Escolha por rotas curtas e menor desgaste

Após testar diferentes formatos, o casal optou por rotas mais curtas, com jornadas médias de quatro horas. Os pagamentos variam entre R$ 120 e R$ 280 por período trabalhado.

Segundo eles, rotas mais longas não compensavam os gastos operacionais nem o desgaste físico. A atividade é encarada como temporária e estratégica.

Requisitos para atuar como entregador de marketplaces

Documentação e exigências básicas

Para se tornar entregador, as plataformas exigem alguns requisitos mínimos. Entre eles estão a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) categoria B válida e veículo em bom estado de conservação.

Emissão de nota fiscal e formalização mínima

Também é necessário emitir nota fiscal, o que pode ser feito por meio de CNPJ ou cadastro como Microempreendedor Individual (MEI). As regras variam conforme a plataforma e a região de atuação.

Diferenças entre Amazon, Mercado Livre e Shopee

Cada empresa adota critérios próprios de cadastro, remuneração e roteirização. As informações detalhadas estão disponíveis nos canais oficiais das plataformas, com exigências que podem sofrer ajustes conforme a localidade.

Impactos econômicos e sociais da nova logística urbana

Redefinição do conceito de emprego

A expansão das entregas por marketplaces reforça uma tendência de redefinição do conceito tradicional de emprego. O modelo baseado em autonomia, flexibilidade e remuneração variável desafia a lógica da estabilidade associada ao regime CLT.

Reflexos nos indicadores econômicos

O crescimento da renda informal masculina registrado em 2024 demonstra que esse segmento passou a desempenhar papel relevante na economia urbana, especialmente em grandes centros como Belo Horizonte.

Desafios regulatórios e previdenciários

Ao mesmo tempo, a expansão da informalidade levanta debates sobre proteção social, contribuição previdenciária e sustentabilidade do modelo no longo prazo, temas que seguem em discussão no âmbito político e econômico.

Conclusão

A expansão das entregas por marketplaces em Belo Horizonte evidencia uma profunda transformação no mercado de trabalho urbano. Ao mesmo tempo em que oferece oportunidades de ganhos elevados, autonomia e flexibilidade, o modelo também impõe desafios relacionados à concorrência, à informalidade e à ausência de garantias trabalhistas.

Os casos de faturamento mensal de até R$ 12 mil mostram o potencial econômico da atividade, enquanto os dados do IBGE confirmam seu impacto direto nos indicadores de renda informal. Entre oportunidades e riscos, o setor se consolida como uma das principais alternativas de geração de renda na capital mineira, refletindo mudanças estruturais no mundo do trabalho brasileiro.

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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