Vai investir em um imóvel na planta? Descubra os 7 erros que podem acabar com seu negócio
Comprar um imóvel na planta pode parecer vantajoso, especialmente por preços mais acessíveis, condições facilitadas de pagamento e a valorização do bem até a entrega.
Destaques:
Vai comprar imóvel na planta? Veja 7 erros comuns que podem gerar prejuízo. Evite ciladas e proteja seu investimento!
No entanto, esse tipo de investimento exige atenção redobrada para não cair em armadilhas que podem gerar prejuízos irreversíveis. A seguir, mostramos os principais erros cometidos por quem compra imóvel na planta e como se prevenir para garantir uma compra segura e tranquila.
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Por que comprar imóvel na planta pode ser arriscado?
A venda de imóveis ainda em construção é uma prática consolidada no Brasil. O modelo permite que as construtoras financiem a própria obra com os recursos pagos pelos compradores ao longo do tempo.
Contudo, isso transfere parte dos riscos da construção para o consumidor — e, sem os cuidados adequados, o sonho da casa própria pode virar dor de cabeça.
Erro 1: Não pesquisar a reputação da construtora
Avaliar o histórico da empresa é essencial
Antes de qualquer negociação, pesquise a fundo a construtora. Busque por:
- Entregas anteriores e se houve atrasos;
- Reclamações em sites como o Reclame Aqui;
- Processos judiciais contra a empresa;
- Cumprimento de especificações prometidas.
Dica: Acesse o CNPJ da construtora na Receita Federal e verifique se há certidões negativas de débito. Transparência é essencial.
Erro 2: Assinar contrato no plantão de vendas
Cuidado com a empolgação
Plantões de venda são ambientes preparados para criar senso de urgência. É comum que vendedores ofereçam “descontos de última hora” para forçar uma decisão imediata.
Orientação: Nunca assine nada sem ler com atenção. Leve o contrato para casa, analise com calma e, se possível, com a ajuda de um advogado especializado em Direito Imobiliário.
Erro 3: Ignorar análise jurídica da documentação
Documentos obrigatórios e essenciais
Segundo a Lei nº 4.591/1964 e a Lei nº 13.786/2018, a construtora deve apresentar:
- Registro de Incorporação (no Cartório de Registro de Imóveis);
- Projeto aprovado pela prefeitura;
- Alvará de construção;
- Memorial descritivo;
- Certidões negativas da empresa;
- Quadro-resumo do contrato.
A análise detalhada desses documentos garante que o empreendimento está legalizado e evita fraudes.
Erro 4: Não revisar o contrato com um advogado
Cláusulas abusivas são comuns
Contratos de adesão — como os utilizados por construtoras — costumam conter cláusulas que protegem apenas a empresa. Alguns exemplos:
- Multas desproporcionais;
- Cláusulas de “irrevogabilidade e irretratabilidade”;
- Cobranças antecipadas abusivas;
- Ausência de previsão de indenização em caso de atraso.
Recomendação: Um advogado poderá identificar esses pontos críticos e orientar possíveis mudanças ou até mesmo alertar sobre riscos jurídicos.
Erro 5: Não prever atrasos na entrega
Como se proteger legalmente
Atrasos são um dos principais problemas na compra de imóveis na planta. A legislação permite uma tolerância de até 180 dias, mas o contrato precisa:
- Definir claramente o prazo de entrega;
- Prever multa ou indenização em caso de descumprimento;
- Estabelecer o que pode ser considerado “força maior”.
Importante: Se o atraso exceder o prazo legal, o comprador pode exigir devolução dos valores pagos com correção monetária e até danos morais.
Erro 6: Confiar cegamente em cláusulas “irrevogáveis”
Você pode desistir — desde que saiba seus direitos
Muitas construtoras usam cláusulas que afirmam que o contrato é “irrevogável e irretratável”, o que pode passar a impressão de que o comprador não pode desistir da compra.
Fato: A Lei do Distrato (13.786/2018) regula os direitos do consumidor e permite, sim, a desistência da compra, com devolução de parte do valor pago, conforme condições legais.
Erro 7: Não questionar reajustes e cobranças extras
Como funcionam os reajustes?
Durante a obra, os valores são corrigidos periodicamente, geralmente com base no INCC (Índice Nacional da Construção Civil). No entanto, é comum que surjam cobranças adicionais que o comprador desconhecia.
Dica: Verifique no contrato:
- Quais índices serão aplicados;
- Como será feita a cobrança das parcelas após a entrega;
- Quais taxas adicionais podem surgir (como corretagem, escritura e ITBI).
Quais documentos o comprador deve exigir?
Abaixo, veja uma lista dos principais documentos que o comprador deve exigir e verificar:
| Documento | Função |
|---|---|
| Registro de Incorporação | Garante legalidade da venda do imóvel na planta |
| Projeto aprovado e alvará | Comprova autorização da construção |
| Memorial descritivo | Detalha o padrão de acabamento, materiais e infraestrutura |
| Quadro-resumo | Resume os dados financeiros e principais cláusulas do contrato |
| Certidões negativas | Mostram se a empresa responde a processos ou tem dívidas |
| Habite-se (após a conclusão) | Comprova que o imóvel está apto para moradia |
| Patrimônio de afetação | Garante que o dinheiro pago será usado exclusivamente na obra |
Como acompanhar a obra?
O comprador tem direito de acompanhar o andamento da construção. A construtora deve oferecer:
- Acesso ao cronograma físico-financeiro;
- Atualizações periódicas com fotos e informações;
- Canal de atendimento para dúvidas e reclamações.
O que fazer se houver problemas?
Caso enfrente atrasos, cobranças abusivas ou descumprimentos contratuais:
- Registre as reclamações por escrito (e-mail ou carta);
- Junte todos os documentos e provas;
- Procure um advogado especializado;
- Caso não haja acordo, acione o Procon (ex: https://www.procon.sp.gov.br) ou entre com ação judicial.
Considerações finais
Comprar um imóvel na planta exige mais do que entusiasmo. É preciso planejamento, análise e atenção aos detalhes. Os erros mais comuns, quando evitados, podem transformar o que seria um pesadelo em uma conquista segura e satisfatória.
Sempre consulte profissionais de confiança, leia tudo com atenção e exija seus direitos. Lembre-se: um imóvel é um dos maiores investimentos da sua vida — e deve ser tratado com o devido cuidado.
Imagem: Canva