Desde este domingo (13), estacionar na Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, passou a ter custo para os motoristas em mais três bolsões de vagas no piso superior. A novidade faz parte da segunda etapa do novo sistema de cobrança, iniciada no começo de julho, e atinge os pátios localizados em frente ao Conic e ao Conjunto Nacional, com valores que variam entre R$ 7 e R$ 12 por hora.
Enquanto a Concessionária Catedral, responsável pela administração do terminal desde junho, promete que a arrecadação será revertida para modernizar o espaço, muitos usuários reagem com descontentamento à medida, criticando valores, infraestrutura e impacto econômico sobre trabalhadores que dependem do local diariamente.
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Como funciona a nova cobrança
A implantação do sistema começou em 7 de julho, com a instalação de cancelas nos pátios 8 (Conic) e de 1 a 4 (Conjunto Nacional). Desde então, o estacionamento nos três novos bolsões passou a ser tarifado. A tabela prevê que no Conic a hora custa R$ 7 e a diária, R$ 30. Já no Conjunto Nacional, os valores são mais altos: R$ 12 por hora e R$ 40 por diária.
Para quem utiliza o espaço com frequência, foram disponibilizados pacotes mensais que variam entre R$ 250 e R$ 350. Há também um prazo de tolerância de 10 minutos para embarque ou desembarque sem cobrança, e todos os veículos têm cobertura de seguro enquanto permanecem nos estacionamentos.
Os pagamentos podem ser feitos nos terminais de autoatendimento com opções de débito, crédito e Pix, localizados na plataforma superior da rodoviária.
A reação do público: críticas à cobrança
A mudança, entretanto, foi recebida com críticas por grande parte dos frequentadores. Rogelma de Lima, vendedora em uma loja próxima ao terminal, lamentou os impactos no comércio local: “Muitos clientes usavam o estacionamento público. Agora, com esses valores, ficou bem mais complicado”, disse.
Francisca Rafaela, motorista de aplicativo, considerou a cobrança justificada, mas criticou a falta de estrutura no local: “Estão cobrando R$ 7 por hora e os carros ficam no sol, sem cobertura. Qualquer um pode ter acesso ao carro, não tem segurança nenhuma”, apontou.
Para o autônomo Aurélio de Freitas, a cobrança é injusta: “Sempre tivemos o direito de estacionar de graça. Agora querem ganhar dinheiro fácil”, reclamou ele, surpreso ao ser cobrado pela primeira vez. Já Luciana Souza, dona de casa, destacou que o custo mensal é pesado para quem tem renda baixa: “O pouco que ganham vai em parte para o estacionamento. Falta equilíbrio”, disse, referindo-se ao marido, que usa o estacionamento quase todos os dias.
O que promete a Concessionária Catedral
Em nota oficial, a Concessionária Catedral afirmou que a cobrança integra um plano de modernização para reorganizar e melhorar os serviços para os mais de 700 mil usuários que passam pelo terminal diariamente.
Entre as melhorias já implementadas no primeiro mês de gestão estão:
- Instalação de um Centro de Controle Operacional (CCO) com 62 câmeras e sistema de reconhecimento facial.
- Fiscalização das plataformas com agentes identificados para orientar passageiros e ajudar pessoas com mobilidade reduzida.
- Manutenção de todas as 12 escadas rolantes e reforma de dois elevadores, com os demais em processo de modernização.
- Abertura da primeira sala multissensorial para acolhimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
- Intensificação da zeladoria com limpeza de pisos, tetos e banheiros.
Além disso, a concessionária informou que está trabalhando para padronizar lojas em parceria com os lojistas, ampliar o horário de funcionamento, e instalou telas informativas com dados em tempo real para os passageiros. Estudos para a criação de novos terminais do BRT também estão em andamento.
Modernização x custo: um debate necessário
A cobrança do estacionamento na rodoviária expôs um dilema recorrente em espaços públicos: como financiar melhorias sem penalizar quem mais depende do serviço. Para a administração, a taxa é um passo necessário para garantir infraestrutura e segurança adequadas. Para os usuários, especialmente os de menor renda, o custo se soma às já altas despesas do dia a dia.
Nos próximos meses, a reação popular e a transparência na aplicação dos recursos arrecadados dirão se a promessa de modernização se traduzirá em benefícios reais para os frequentadores do terminal.
Com informações de: Correio Braziliense