Desde 2021, a cidade de São Paulo tem experimentado uma nova forma de financiamento para sua vasta rede de transporte público: o programa de “naming rights” do Metrô. Com essa iniciativa, empresas podem “batizar” estações de metrô e trens, criando uma fonte adicional de receita para a companhia.
📌 DESTAQUES:
Descubra como as estações de metrô de São Paulo estão sendo renomeadas com nomes de empresas, os critérios envolvidos e a lista completa de estações afetadas
Naming rights referem-se ao direito de uma empresa de associar seu nome a um espaço público ou privado, geralmente em troca de uma quantia monetária. Essa prática é comum em estádios, arenas e, agora, também em estações de metrô e trens.
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Objetivos do Programa
A principal motivação por trás dessa iniciativa é a busca por receitas não-tarifárias, que ajudam a desonerar o caixa do Metrô de São Paulo. Segundo a companhia, essa estratégia visa ampliar a arrecadação e oferecer visibilidade às marcas envolvidas, que se tornam parte do cotidiano dos passageiros.
A Evolução do Naming Rights no Metrô de São Paulo
Primeiras Concessões
A primeira estação a adotar o nome de uma empresa foi a Carrão, que passou a se chamar Carrão – Assaí Atacadista em novembro de 2021. Essa mudança foi motivada pela história da empresa, que foi fundada no bairro em 1974.
A seguir, a Saúde ganhou o sobrenome de Saúde – Ultrafarma em março de 2022, e a Penha se tornou Penha – Lojas Besni. Ambas as concessões foram realizadas após a análise dos critérios estabelecidos pelo Metrô.
Lista de Estações que Ganharam Nomes de Empresas
Atualmente, as seguintes estações de São Paulo possuem sobrenomes de empresas:
- Carrão – Assaí Atacadista (Linha 3-Vermelha);
- Saúde – Ultrafarma (Linha 1-Azul);
- Penha – Lojas Besni (Linha 3-Vermelha);
- Paulista – Pernambucanas (Linha 4-Amarela);
- Jurubatuba – Senac (Linha 9-Esmeralda);
- Morumbi – Claro (Linha 9-Esmeralda).
Estações em Processo de Batismo
Além das estações já renomeadas, outras estão em processo de concessão. As estações Anhangabaú, Brigadeiro e Vergueiro estão em fase de análise para a atribuição de novos nomes.
Como Funciona o Processo de Concessão
Critérios para Nomeação
A proposta de naming rights no Metrô de São Paulo segue rigorosos critérios estabelecidos pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU). Entre as principais restrições estão:
- Proibição de nomes de bebidas alcoólicas e produtos relacionados a tabaco;
- Exclusão de entidades religiosas, instituições político-partidárias e personalidades;
- Nomes que não sejam geograficamente ou urbanisticamente relacionados à localização da estação.
Recentemente, empresas de apostas online também foram incluídas na lista de proibições.
Valor e Implementação
O valor de cada concessão é previamente estabelecido pelo Metrô SP com base em estudos de viabilidade. A empresa que vencer o leilão é responsável pela implementação da nova sinalização da estação.
No caso da estação Vergueiro, a concessão foi vencida pelo Sebrae em um leilão que arrecadou R$ 200 mil por mês.
Naming Rights nas Linhas Privatizadas
Linha 4-Amarela
Operada pela ViaQuatro, a Linha 4-Amarela também aderiu ao programa de naming rights. A estação Paulista foi renomeada para Paulista – Pernambucanas, estabelecendo um contrato de cinco anos.
Linha 9-Esmeralda
A ViaMobilidade, responsável por parte da malha metroviária, também implementou naming rights. As estações Morumbi e Jurubatuba receberam os sobrenomes de Claro e Senac, respectivamente.
Como Participar do Programa de Naming Rights
Metrô de São Paulo
Para participar do programa público, as empresas devem se inscrever em editais publicados no site do Metrô SP. O processo é feito através de leilão, onde a maior oferta vence.
CPTM e Linhas Privatizadas
Na CPTM, atualmente não existem estações com naming rights, mas a companhia está aberta a parcerias. Já nas linhas privatizadas, as tratativas são feitas diretamente com as concessionárias.
Duração da Concessão
A concessão de naming rights no Metrô de São Paulo tem duração de 10 anos, podendo ser renovada por mais 10 anos. Já nas estações sob gestão privada, o contrato é de cinco anos.
Onde o Nome Aparece
Após a concessão, o novo nome da estação é exibido em toda a comunicação visual, incluindo placas, avisos sonoros, mapas e aplicativos da companhia.
O que é Naming Rights?
Naming Rights refere-se ao direito de uma empresa ou marca de associar seu nome a um espaço público ou privado, como estádios, arenas e, mais recentemente, estações de metrô e trens. Essa prática envolve um contrato em que a empresa paga uma quantia para que seu nome seja utilizado, geralmente em troca de visibilidade e publicidade.
Os naming rights têm se tornado uma estratégia popular para gerar receitas não-tarifárias, especialmente em serviços públicos, permitindo que as organizações aumentem sua arrecadação sem onerar os usuários. As regras para essa prática variam, incluindo restrições sobre os tipos de marcas que podem ser associadas, visando manter a identidade e a imagem do local.
Considerações Finais
A prática de naming rights nas estações de metrô e trens de São Paulo representa uma nova abordagem para a arrecadação de receitas e a interação entre empresas e o transporte público.
Apesar das críticas e discussões sobre a comercialização de espaços públicos, o programa tem se mostrado uma alternativa viável para melhorar a infraestrutura e os serviços oferecidos aos passageiros.
Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil
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