A Ásia se consolida como prioridade estratégica do setor de carne bovina brasileiro. Com crescimento populacional e aumento da renda, a região representa oportunidades únicas, não apenas para cortes tradicionais, mas especialmente para miúdos, produtos de alto valor agregado com forte aceitação cultural e religiosa.
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Mercado asiático valoriza cortes especiais do Brasil

Segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a diferença de preço entre o mercado interno e externo evidencia o potencial de agregação de valor. Enquanto a língua bovina chega a custar US$ 10 a US$ 12 por quilo no Japão, o mesmo produto é exportado pelo Brasil a cerca de US$ 2.
“Quem já foi no Japão sabe: numa churrascaria, em vez de servir a picanha fatiada como aqui, servem a língua fatiada, considerada um churrasco gourmet. É costume. Se servir a língua aqui, poucas pessoas vão comer, mas lá é valorizado”, explicou Perosa.
Para ele, essa demanda asiática gera preocupação nos Estados Unidos, que enxergam no Brasil um concorrente difícil de superar em escala de produção.
Estratégias brasileiras ampliam presença na Ásia
O avanço das exportações brasileiras começou a ganhar impulso em março de 2025, após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão, evento que marcou o primeiro convite de Estado feito pelo país em seis anos. Durante a visita, foram assinados tratados de cooperação em diversas áreas, incluindo agropecuária.
Em seguida, uma comitiva japonesa visitou frigoríficos brasileiros, avaliando padrões sanitários rigorosos exigidos pelo país. Para Perosa, essas negociações demonstram avanços concretos na abertura de mercado:
“O momento diplomático está dado, e acredito que a COP30, com a visita do primeiro-ministro japonês, será o momento ideal para avançarmos”, disse o presidente da Abiec.
Indonésia amplia importações e portfólio brasileiro
Além do Japão, a Indonésia também intensificou suas importações. No início de setembro, o país habilitou 17 novas plantas brasileiras, totalizando 38 frigoríficos aptos a exportar carne bovina. Além disso, autorizou a entrada de carne com osso, miúdos e produtos preparados.
Em 2025, as exportações brasileiras para a Indonésia somam 15,4 mil toneladas, gerando US$ 71,6 milhões — um crescimento de 258,9% em valor e 253% em volume em comparação ao mesmo período de 2024.
Crescimento sólido das exportações brasileiras

O Brasil exportou 2 milhões de toneladas de carne bovina entre janeiro e agosto de 2025, aumento de 20% em relação ao ano anterior. O faturamento alcançou US$ 10,7 bilhões, crescimento de 33%. A China permanece como principal destino, com 1 milhão de toneladas (US$ 5,4 bilhões), reforçando a liderança asiática no consumo da proteína brasileira.
O presidente da Abiec destacou que negociações com a China estão em andamento, visando ampliar ainda mais o diálogo e consolidar novos acordos comerciais.
Diversificação geográfica sustenta o setor
Apesar do impacto do tarifaço dos Estados Unidos, a diversificação de destinos tem permitido à indústria manter equilíbrio nos embarques. Conforme Perosa, o resultado parcial de 2025 superou expectativas calculadas no final do ano passado:
- Crescimento de 12% no volume de exportações, acima das projeções iniciais de 12%.
- Aumento de 16% no faturamento, acima da previsão de 14%.
“No conjunto das exportações, estamos mantendo equilíbrio. Alguns países compram menos, outros mais, mas o crescimento global se mantém consistente”, acrescentou.
Perspectivas e desafios futuros
A demanda asiática por carne bovina brasileira, especialmente de cortes e miúdos, representa um caminho estratégico para o setor, consolidando o Brasil como protagonista global na produção de proteínas de alto valor agregado. A combinação de acordos diplomáticos recentes, habilitação de frigoríficos e diversificação de mercados garante que a indústria brasileira continue crescendo, mesmo diante de barreiras comerciais internacionais.
Para os Estados Unidos e outros concorrentes, a expansão brasileira é vista como um desafio competitivo de longo prazo, sobretudo pelo potencial de atender grandes volumes de consumo em países com elevado poder aquisitivo e forte tradição cultural no consumo de cortes especiais.
Imagem: Freepik/Reprodução

