Em uma declaração que pode redefinir o papel das criptomoedas na economia global, a cofundadora da Tezos, Kathleen Breitman, afirmou durante o Web Summit Rio 2025 que os Estados Unidos estão considerando oficialmente estocar Bitcoin (BTC) como fazem com o petróleo.
EUA podem estocar Bitcoin como reserva estratégica, alega cofundadora da Tezos
Durante o Web Summit Rio 2025, Kathleen Breitman sugeriu que os EUA avaliam estocar Bitcoin como fazem com o petróleo. Medida pode transformar o BTC em ativo estratégico nacional.
A medida, segundo ela, já está sob avaliação após uma ordem executiva emitida pelo presidente Donald Trump.
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Uma reserva estratégica de ativos digitais
A ideia, de acordo com Breitman, é que os EUA construam uma reserva estratégica não apenas de Bitcoin, mas também de outros ativos digitais considerados críticos para o futuro econômico e tecnológico do país.
“A ordem executiva propõe a análise da viabilidade de uma reserva nacional de criptomoedas, algo estrategicamente importante, assim como foi com o petróleo”, disse Kathleen.
Essa reserva permitiria ao governo controlar parcialmente a oferta e a demanda desses ativos, influenciando diretamente seu preço nos mercados internacionais.
O papel do governo dos EUA na adoção do Bitcoin
Breitman comparou diretamente o BTC ao petróleo, destacando a função da reserva como uma forma de estabilização de mercado:
“Nos EUA, a reserva de petróleo existe para evitar que flutuações nos preços afetem a economia nacional. Com o Bitcoin, seria o mesmo princípio aplicado a um novo tipo de recurso estratégico.”
A declaração provocou imediata reação positiva entre os participantes do evento, sinalizando uma possível virada de chave no relacionamento dos EUA com as criptomoedas.
Donald Trump e a virada institucional
A recente eleição de Donald Trump tem impulsionado pautas voltadas para soberania econômica, desdolarização global e adoção de ativos digitais como estratégia de proteção financeira.
A ordem executiva mencionada reforça essa tendência, elevando o Bitcoin à categoria de recurso geoestratégico.
Adoção institucional do Bitcoin: uma espiral de transformação
Daniel Vogel, cofundador e presidente da corretora Bitso, ressaltou durante o painel que a adesão institucional ao Bitcoin vem crescendo de forma orgânica e irreversível.
“Começou com pequenas empresas, passou para grandes corporações privadas, depois para governos como o de El Salvador, e agora os Estados Unidos cogitam manter estoques próprios de criptomoedas. Isso é histórico.”
A ideia de uma “reserva cripto” nos EUA representa um novo estágio da institucionalização do Bitcoin, consolidando-o como um pilar da economia moderna.
ETFs e a democratização do acesso
Kathleen Breitman também destacou o papel dos ETFs de Bitcoin no amadurecimento do setor. Segundo ela, os fundos negociados em bolsa facilitaram o acesso ao ativo, reduzindo as barreiras técnicas que antes afastavam investidores.
“Não podemos esperar que todos saibam como guardar suas próprias chaves privadas. Os ETFs trazem segurança e familiaridade ao mundo cripto.”
Da exclusão tecnológica à participação ativa
O modelo de acesso via ETFs representa um divisor de águas para a massificação do uso do Bitcoin. Investidores tradicionais, que antes ignoravam ou temiam o mercado, agora se expõem ao BTC com facilidade.
Divergências sobre o futuro do Bitcoin

Apesar do entusiasmo, parte da comunidade cripto observa com ceticismo a participação governamental na custódia de Bitcoin. O receio é de que a essência descentralizada do ativo seja comprometida.
“Há quem veja isso como corrupção do ideal original do Bitcoin”, comentou Vogel. “Mas eu discordo. Penso que quanto mais pessoas e entidades segurarem Bitcoin, melhor.”
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A tensão entre descentralização e institucionalização permanece como um dos principais debates do ecossistema.
Intervenção de mercado x liberdade financeira
Outro ponto crítico é o papel do governo ao influenciar o preço do Bitcoin através de reservas. Críticos apontam que isso pode se tornar um mecanismo de controle, contrariando a natureza do ativo como reserva de valor autônoma.
Potenciais impactos da medida
Caso os EUA avancem com a ideia de estocar Bitcoin, os reflexos seriam imediatos:
- Aumento da demanda institucional;
- Redução da oferta circulante;
- Pressão altista sobre o preço do BTC;
- Validação simbólica do Bitcoin como ativo estratégico.
Implicações geopolíticas
Outras potências poderiam seguir o exemplo dos EUA. China, União Europeia, Rússia e países do Golfo Pérsico já possuem histórico de interesse em reservas digitais.
“Veremos no dia 5 de maio se o Secretário do Tesouro vai confirmar essa mudança histórica”, antecipou Kathleen.
Se confirmada, a estratégia pode iniciar uma nova corrida global por ativos digitais.
Considerações finais
O debate sobre uma reserva estratégica de Bitcoin pelos EUA está longe de ser apenas um experimento. Trata-se de uma possível transformação radical no entendimento do papel das criptomoedas na política econômica e nas relações internacionais.
A comparação com o petróleo não é meramente retórica: o Bitcoin pode, sim, se tornar o novo recurso a ser protegido, controlado e estocado por nações que almejam segurança financeira no século XXI.
