Os ETFs à vista de Bitcoin viveram um momento de forte retração em 6 de maio de 2025, registrando saídas líquidas de US$ 85,64 milhões, de acordo com dados consolidados de mercado. O movimento marca uma pausa importante após uma sequência intensa de entradas que ultrapassaram US$ 1 bilhão em apenas três dias.
Investidores recuam dos ETFs de Bitcoin antes do Fed, mas IBIT da BlackRock lidera com entrada bilionária
ETFs de Bitcoin registram saídas antes da decisão do Fed, mas o fundo IBIT da BlackRock mantém forte liderança com entradas bilionárias e segue superando até mesmo o SPDR Gold Trust em 2025.
O recuo ocorre em meio a expectativas elevadas sobre a próxima decisão do Federal Reserve (Fed), sinalizando uma mudança de postura por parte dos investidores institucionais.
A queda nos fluxos para os ETFs acontece paralelamente a uma movimentação no mercado spot de Bitcoin, que recebeu entradas líquidas de US$ 9,72 milhões no mesmo dia. O dado sugere que parte do capital institucional pode estar migrando momentaneamente para operações fora dos fundos regulamentados.
Mesmo diante do cenário de incerteza macroeconômica, o preço do Bitcoin avançou 2% no dia, cotado a US$ 96.679. Um indicador técnico relevante, o Balanço de Poder (Balance of Power – BOP), também chamou atenção, registrando leitura positiva de 0,10 — o que geralmente indica o domínio dos compradores.
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IBIT mantém protagonismo mesmo com retração nos ETFs
Apesar das saídas generalizadas nos ETFs de Bitcoin, o fundo iShares Bitcoin Trust (IBIT), da gestora BlackRock, manteve uma trajetória ascendente. Só no dia 6 de maio, o fundo adicionou 280 BTC ao seu portfólio, totalizando aproximadamente US$ 36 milhões em novas entradas líquidas.
Em 2025, o IBIT acumula US$ 6,96 bilhões em captações — valor que já supera os US$ 6,5 bilhões registrados pelo tradicional fundo de ouro SPDR Gold Trust (GLD), da State Street.
O desempenho chama a atenção, considerando que os ETFs de Bitcoin tiveram alta de apenas 3,8% no ano, enquanto o ouro valorizou 29% até o momento.
Crescimento consistente contrasta com queda do GBTC
Enquanto o IBIT avança, outros fundos enfrentam dificuldades. O Grayscale Bitcoin Trust (GBTC), um dos mais antigos produtos de investimento em BTC dos EUA, registrou fluxos nulos ou até mesmo negativos no mesmo período.
A preferência crescente pelo IBIT sugere uma mudança significativa no comportamento dos investidores institucionais, que agora priorizam fundos com estrutura de menor custo e maior transparência.
Desde 9 de abril, o IBIT já captou US$ 4,7 bilhões, reforçando sua posição como principal veículo institucional para exposição ao Bitcoin nos EUA.
Cautela antes do FOMC pressiona ETFs, mas mantém BTC em alta
A próxima decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), agendada para esta semana, gera tensão nos mercados globais. A possibilidade de manutenção da taxa de juros ou mesmo um ajuste inesperado tem elevado a volatilidade nas bolsas e no mercado de criptomoedas. Em resposta, muitos gestores optaram por realizar lucros ou realocar recursos temporariamente.
Essa cautela tem reflexos claros no comportamento dos ETFs. A saída de capital pode representar não apenas temor diante de um cenário macroeconômico adverso, mas também uma estratégia tática de curto prazo, como sugerem os dados da Coinglass, que apontaram entradas no mercado spot no mesmo dia.
Indicador BOP sugere domínio dos compradores
Mesmo com o esfriamento nos ETFs, o Bitcoin apresentou reação positiva no dia, sustentado por um BOP (Balance of Power) de 0,10. O indicador, muito utilizado por traders institucionais, mede a força relativa entre compradores e vendedores. Leituras positivas costumam apontar para um mercado com maior propensão à valorização.
Dessa forma, a leitura técnica contrasta com o sentimento macroeconômico de incerteza, criando uma atmosfera de expectativa no setor cripto.
Bitcoin como alternativa estratégica: cenário regulatório e geopolítico

Além da dinâmica de mercado, o bom desempenho dos ETFs e, especialmente, do IBIT, também tem sido impulsionado por avanços regulatórios nos EUA. Um exemplo recente vem do estado de New Hampshire, que aprovou legislação pró-Bitcoin, facilitando a adoção institucional e a integração com o sistema financeiro tradicional.
Essas mudanças legais estão abrindo espaço para que fundos de pensão, seguradoras e outros players institucionais adicionem BTC às suas carteiras com mais segurança jurídica.
Alívio nas tensões entre EUA e China favorece ativos de risco
Outro fator que tem contribuído para o otimismo no mercado de criptoativos é a trégua comercial entre Estados Unidos e China. Após meses de tarifas e retaliações bilaterais, os dois países demonstraram interesse em reduzir as tensões comerciais, o que traz alívio para os mercados financeiros e aumenta o apetite por risco.
Esse novo clima favorece ativos como o Bitcoin, especialmente em um contexto de inflação persistente e dúvidas sobre a estabilidade de moedas fiduciárias.
Comparativo entre Bitcoin e ouro: desempenho e captação em 2025

Mesmo com o Bitcoin apresentando menor valorização anual (3,8%) em comparação ao ouro (29%), os ETFs de BTC — especialmente o IBIT — têm conseguido captar mais recursos do que os principais fundos atrelados ao metal precioso.
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Essa discrepância sugere que o mercado está em transição. O Bitcoin, mesmo sendo mais volátil, oferece liquidez digital, transparência via blockchain, e escassez programada — características que o diferenciam e atraem um perfil mais moderno de investidor.
Fundos de ouro sofrem concorrência dos criptoativos
Tradicionalmente visto como reserva de valor, o ouro enfrenta hoje a concorrência direta do Bitcoin nesse papel. A facilidade de negociação e o apelo tecnológico do BTC têm seduzido novas gerações de investidores — dos varejistas aos gestores institucionais.
A captação do IBIT é um reflexo direto dessa mudança de paradigma.
Perspectivas futuras: o que esperar dos ETFs e do mercado de BTC
A decisão do Federal Reserve pode funcionar como um divisor de águas para os ETFs de Bitcoin. Caso a autoridade monetária adote um discurso dovish (favorável à manutenção ou queda dos juros), é possível que os fundos voltem a registrar entradas expressivas, acompanhando uma valorização mais robusta do BTC.
Por outro lado, um tom mais hawkish pode pressionar os mercados de risco e manter o fluxo de saída nos ETFs.
Continuidade da liderança do IBIT é provável
Mesmo em cenários adversos, a estrutura do IBIT, sua transparência e o respaldo da BlackRock devem garantir sua posição de liderança no segmento.
A tendência é que, mesmo com momentos pontuais de saída, o fundo continue crescendo em relevância e participação de mercado.
Conclusão: ETF IBIT resiste à turbulência e antecipa futuro do investimento institucional em Bitcoin
Os ETFs de Bitcoin vivem um momento de transição. A retração nas entradas, motivada por incertezas em torno do Federal Reserve, revela a sensibilidade do mercado cripto ao cenário macroeconômico.
No entanto, mesmo nesse contexto, o IBIT da BlackRock tem se consolidado como o principal veículo institucional para exposição ao BTC, superando até mesmo o SPDR Gold Trust em entradas no ano.
A resiliência do IBIT, somada ao interesse crescente de grandes investidores, mostra que o Bitcoin está se firmando como uma alternativa viável, escalável e moderna aos ativos tradicionais. A próxima decisão do Fed pode reacender o apetite por risco — e, com ele, inaugurar um novo ciclo de valorização para o mercado cripto.
