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Kevin O’Leary alerta: EUA devem aprender com mineradores de Bitcoin para vencer a corrida da Inteligência Artificial

Kevin O’Leary afirma que os EUA precisam aprender com mineradores de bitcoin para liderar a corrida da inteligência artificial, aproveitando infraestrutura energética.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Mineradoras de Bitcoin

O mundo está mergulhado em uma corrida geopolítica pela supremacia em inteligência artificial (IA). Para Kevin O’Leary — investidor, estrela do Shark Tank e defensor da inovação tecnológica —, a chave para vencer essa disputa pode estar em um lugar surpreendente: nas operações de mineração de Bitcoin.

Em entrevista recente, O’Leary afirmou que os Estados Unidos têm muito a aprender com os mineradores de BTC, especialmente no que diz respeito à infraestrutura energética e computacional em larga escala.

“Tudo se resume ao poder”, disse O’Leary. “Seja falando de centros de dados de IA ou mineração de bitcoin, estamos lidando com estruturas energéticas de altíssima demanda — e agora estamos vendo projetos que combinam os dois.”

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O elo invisível: consumo de energia massivo

Tanto a mineração de Bitcoin quanto o treinamento de modelos de IA, como o ChatGPT, exigem infraestruturas altamente especializadas com acesso a eletricidade em larga escala.

Enquanto uma simples busca no Google consome cerca de 0,3 watt-hora, uma única consulta a um modelo de linguagem como o ChatGPT pode exigir até 2,9 watt-horas, segundo a Agência Internacional de Energia.

Fontes de energia próximas e sustentáveis

Mineradores de BTC já estão familiarizados com essa necessidade e, por isso, suas operações geralmente estão situadas próximas a fontes de energia abundantes e baratas, como:

  • Hidrelétricas fora da rede (off-grid), como as de Niagara Falls;
  • Gás natural encalhado, como em Alberta, no Canadá;
  • Energia solar e eólica no Texas, Dakota do Norte e Mississippi.

O’Leary, que também é investidor da empresa Bitzero — especializada em mineração de bitcoin e centros de dados sustentáveis — destaca que esses pontos já contam com conectividade e logística energética consolidadas, permitindo rápida adaptação para hospedagem de data centers de IA.

Estados norte-americanos disputam liderança com base na energia

A retomada de Nova York

Embora Nova York possua abundância de energia limpa, o estado inicialmente adotou políticas restritivas à mineração de bitcoin.

No entanto, segundo O’Leary, as autoridades perceberam que estavam perdendo espaço para outros estados mais abertos e agora tentam recuperar o terreno perdido no que se refere tanto à IA quanto ao BTC.

O avanço de regiões subestimadas

Estados como:

  • West Virginia;
  • North Dakota;
  • Mississippi;
  • Texas.

têm emergido como locais estratégicos para instalação de hubs de inovação energética, aproveitando gás natural, capacidade solar e terrenos acessíveis. Nesses estados, projetos híbridos — que combinam mineração de bitcoin com infraestrutura de IA — estão sendo acelerados por parcerias público-privadas.

Halving e novos modelos de negócios para mineradores

Mineração Bitcoin
Imagem: Freepik

A compressão das margens de lucro

O halving do Bitcoin, ocorrido em abril de 2024, reduziu as recompensas dos blocos minerados pela metade, afetando a rentabilidade das empresas do setor. Em resposta, várias mineradoras decidiram diversificar suas operações:

  • Core Scientific (CORZ) passou a hospedar serviços de computação em nuvem e IA;
  • Hive Digital e Hut 8 converteram boa parte de suas infraestruturas para atender à demanda por processamento gráfico e GPU para IA.

A simbiose: IA paga as contas da mineração

Essas empresas agora utilizam a energia previamente dedicada apenas à mineração para atender serviços de IA altamente lucrativos, maximizando o uso da infraestrutura existente e garantindo novas fontes de receita. A interseção entre IA e bitcoin está deixando de ser teórica para se tornar um modelo de negócios viável e escalável.

Canadá: ativo estratégico com gás natural subutilizado

Alberta no radar global

No Canadá, a província de Alberta se destaca por dispor de 200 trilhões de pés cúbicos de gás natural — recursos atualmente subutilizados. Danielle Smith, premier da província, já chamou atenção do setor ao propor incentivos à mineração de BTC e à instalação de centros de dados de IA, transformando Alberta em um novo polo tecnológico.

Segundo O’Leary, Alberta tem o perfil ideal para receber data centers sustentáveis:

  • Gás natural barato e abundante;
  • Incentivos fiscais e regulatórios;
  • Apoio político local.

Crítica à política tarifária entre EUA e Canadá

Uma guerra que ninguém precisa

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Apesar da complementaridade energética entre os dois países, os EUA e o Canadá vivem momentos de tensão econômica e barreiras tarifárias.

Para O’Leary, essa disputa é insensata, pois compromete os esforços conjuntos de ambas as nações para competir com potências como a China, que segue investindo pesadamente em IA.

“A China está construindo usinas a carvão semanalmente para sustentar sua infraestrutura digital. Enquanto isso, EUA e Canadá discutem tarifas que atrapalham projetos conjuntos em mineração e IA. É absurdo,” pontua O’Leary.

O problema estrutural dos EUA: falta de energia na rede

Um alerta energético

O grande entrave dos EUA, segundo O’Leary, é a falta de energia disponível na rede nacional. Ele afirma que, atualmente, é impossível simplesmente solicitar um gigawatt de energia a qualquer rede elétrica estadual. A única saída é:

  • Gerar energia localmente;
  • Investir em energia nuclear privada;
  • Aproveitar fontes como gás natural e solar off-grid.

Empresas que buscam criar hubs de IA ou expandir a mineração de bitcoin precisam desenvolver infraestruturas próprias de geração, o que demanda capital, estratégia e parcerias com governos estaduais.

Por que os EUA precisam aprender com os mineradores de Bitcoin?

Lições de eficiência e adaptação

Mineradores de bitcoin, ao longo da última década, desenvolveram:

  • Eficiência energética extrema para sobreviver à compressão de lucros;
  • Redes logísticas complexas para instalar operações em locais remotos;
  • Modelos de financiamento robustos, adaptando-se rapidamente a mudanças de política e mercado.

Essas experiências são agora extremamente valiosas para empresas e governos que querem expandir a infraestrutura de IA.

Conclusão: convergência estratégica entre Bitcoin e IA

Montagem de uma imagem com várias criptomoedas ao lado de uma pessoa usando um tablet com a imagem de um cérebro digital
Imagem: The KonG e eamesBot / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

O alerta de Kevin O’Leary é claro: os EUA devem reconhecer que a próxima guerra tecnológica será travada na energia. E quem já domina o terreno são os mineradores de bitcoin.

A simbiose entre mineração e IA pode ser a chave para manter a competitividade global em um mundo onde algoritmos e processadores se tornaram mais valiosos que armas.

“Não estamos falando apenas sobre bitcoin ou IA. Estamos falando da competitividade das nações”, conclui O’Leary.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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